Se 2016 fosse capítulo de livro ou de novela, poderia ser considerado um dos mais intensos – ou até dramáticos, dependendo do ponto de vista – pelas tantas crises e perdas que o marcaram. Porém, à parte desse panorama, os 363 dias que se passaram também renderam boas histórias na vida profissional e nas relações amorosas, familiares e de amizade das pessoas.
O ano foi de “altos e baixos” para uma figura ilustre da cultura sul-mato-grossense, a cantora Delinha. Apesar de ter feito parte de uma época de ouro da música regional, viveu 2016 com simplicidade e dificuldades financeiras e de saúde. Ela aceitou compartilhar sua retrospectiva pessoal e conta que, por outro lado, também teve muitos motivos para se alegrar.
Comemorou os 80 anos de idade e apresentou melhora em um problema vascular do pé, que a impedia de realizar shows. Depois de fazer uma cirurgia, está conseguindo retomá-los aos poucos “para poder viver, senão não dá”.
Em 2017, completará 60 anos de carreira e espera que o ano seja melhor. Não fará listas, afirma que não gosta de prognósticos e prefere só ir e fazer o que precisa ser feito. A voz rouca e experiente de Delinha dá até um conselho. “Se tiver um sonho, vá em busca de trazer ele para a realidade. É desse jeito que o ano fica bom para todos nós”.
CLAREZA
O recado, que vem de alguém com tanta experiência de vida, é simples: decidir tirar as metas do papel e concretizá-las é o passo mais importante.
Com conhecimento técnico sobre como fazer planejamentos e alcançar objetivos, o coach Pablo Serenza confirma e complementa a dica da artista: “E também é importante ter clareza do que se quer”.
“Porque se não tiver, a pessoa fica parecendo a ‘Alice no País das Maravilhas’. Não sabe para onde quer ir, não sabe o que está acontecendo e não tem objetivo na vida. Pensa sempre que qualquer caminho basta, é só seguir”.
Mais do que otimismo e positividade, a prática do coach com a qual ele trabalha é baseada em um estudo aprofundado de caso e tem metodologia científica. Pablo atende pessoa física e empresas, primeiro com uma série de entrevistas e depois com foco na ação dos próprios clientes. Os resultados são comprovados e podem ser alcançados em poucos meses, é o que garante.
Ele ainda dá outras dicas para quem não conseguiu realizar os sonhos em 2016. “Pense o que vai fazer diferença na sua vida em 2017. Imagine como ficaria uma fotografia que você poderia ter depois de alcançar esse objetivo e anote tudo o que você acha que a realização desse objetivo vai te proporcionar”.
LISTAS
Uma estratégia que continua funcionando para muitos e não precisa de qualquer regra é fazer listas. Escritas à mão, mentalizadas ou salvas em notas virtuais, acompanham seus donos durante o ano e garantem que as boas histórias aconteçam de fato.
É adepta a elas a contabilista Deiseanny Veiga, 24 anos. Quase todos os itens que planejou foram riscados no papel. E não foi sorte, foi planejamento mesmo.
Como ela cuida das finanças da empresa em que trabalha e também realiza atendimentos a clientes particulares, planejar foi o seu “ganha pão” o ano todo. Na vida pessoal, ela também faz questão de se programar. “Gosto de escrever o que quero, tenho uma agenda só para anotar essas coisas. Fiz uma pequena lista que estava sempre à vista, porque acho importante estarmos cientes todos os dias do que queremos e do que temos que fazer para alcançar nossos objetivos. Acho que é um hábito saudável”.
Em 2016, as metas principais eram comprar uma casa e viajar para o Nordeste. A casa foi comprada e a viagem também foi feita, só que para um destino diferente do que estava planejado. “Acabei indo para Curitiba, no friozinho. Foi ótimo, no ano que vem eu faço planos para ir à praia, não tem problema”. De todos os itens da lista pessoal, um dos poucos que não conseguiu tirar do papel foi a intenção de melhorar a alimentação. “Mas vou transferir também esse objetivo para a lista de 2017”, promete.
A estudante de Biologia, Luana Ribas, 23 anos, também fez uma lista, só que preferiu mentalizar por não ter dificuldade de centrar-se nos objetivos. “Sou uma pessoa muito focada e determinada, todos dizem e eu concordo. Quando quero algo, faço de tudo para conseguir”.
Este ano, queria se encontrar na área que escolheu estudar, e isso aconteceu. “Precisava saber em qual subárea eu poderia seguir profissionalmente ou em uma pós-graduação. Pesquisei sobre áreas profissionais e possibilidades de estágio em Biologia e corri atrás para passar em uma seleção. Agora, trabalhando em um laboratório, sei que é disso que eu gosto”.
Em compensação, a realização dessa primeira meta comprometeu um outro item da lista pessoal de Luana. “Também queria melhorar minha vida social, conversar mais com as pessoas, sair com os amigos. Isso não aconteceu por conta da correria da faculdade e do estágio, mas em 2017 eu vou me esforçar em prol disso, com certeza”.
SURPRESA
O engenheiro ambiental Jeferson Amorim não conseguiu se formar em 2015. Faltou só entregar o trabalho de conclusão de curso, tarefa que ele deixou para 2016. A surpresa foi que, aos 23 anos e recém-formado, tornou-se empresário.
Ter a própria empresa e trabalhar com geoprocessamento, georreferenciamento e áreas afins era uma ideia que ele amadureceu durante a faculdade, mas não imaginava conseguir concretizar em tão pouco tempo. “Eu pensava em trabalhar por conta própria e oferecer serviços diversificados. Eu e outros dois sócios montamos um escritório e foi o que aconteceu. Está dando tudo certo, as coisas mudaram rapidamente e estou muito confiante”.
Sem ter feito qualquer lista, atingiu duas metas em 2016. Para o próximo ano, o único objetivo é investir no que conquistou.