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PROGRAMAÇÃO

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional comemora 80 anos

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional comemora 80 anos

Redação

13/01/2017 - 15h12

O modo de fazer a viola de cocho, o Forte Coimbra do Pantanal e a Gruta do Lago Azul de Bonito estão na lista dos nove bens materiais e imateriais que têm localização ou origem em Mato Grosso do Sul e são oficialmente reconhecidos como parte da cultura brasileira. Mais do que só patrimônio cultural no título, eles são espaços, memórias e tradições que demandam ações concretas de cidadania e do poder público para continuarem vivas e ativas.

Junto a cada bem histórico esquecido se vai parte da identidade do País e, por isso, preservar é um trabalho coletivo. Para o historiador sul-mato-grossense José Augusto Carvalho dos Santos, cada símbolo resguardado representa a formação da cultura nacional e reconta uma única história.

Ele trabalha no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão responsável por reunir essas referências e coordenar as ações de preservação nos 26 estados e no Distrito Federal – e que completa 80 anos hoje. 

Na unidade de Mato Grosso do Sul, acompanhou registros  e tombamentos junto à equipe. Mais recentemente, está participando do processo de registro do Banho de São João, tradicional em Corumbá, como mais um bem imaterial do País.

PRESERVAÇÃO

O Iphan já identificou diversas manifestações culturais no País – sendo elas não somente edificações, espaços e objetos palpáveis, mas também festas, tradições e recursos naturais. Já são 40 bens imateriais registrados, 1.262 bens materiais tombados, oito terreiros de matrizes africanas, 24 mil sítios arqueológicos cadastrados, mais de um milhão de objetos arrolados, cerca de 250 mil volumes bibliográficos e um grande acervo bibliográfico e documental.

Pesquisador do quadro de funcionários do órgão, José Augusto explica porque o trabalho desenvolvido, aliado à atuação da população em geral, é importante para a preservação. 

“Quando tem proteção do Estado e o acautelamento daquele bem, se dá visibilidade e movimento à memória. E isso só é possível quando há participação também da população, principalmente dos envolvidos em um tombamento ou em um registro, já que eles fazem parte das histórias”.

Também parte da equipe do Iphan em Mato Grosso do Sul, o arquiteto André Vilela acrescenta que a memória é um direito. “Assim como guardamos fotografias e itens de família, o direito à memória é um direito fundamental, social e que deve abranger os diferentes grupos formadores da sociedade”. 

Para preservar um bem ou recurso, os setores de patrimônio independentes do município e do Estado, e ainda ONGs que trabalham com preservação, podem solicitar parcerias com o órgão.

Além disso, qualquer pessoa pode sugerir tombamento ou registro ao Iphan por escrito. O processo demora cinco anos em média, segundo a superintendente substituta do Iphan-MS, Silvia Cedron.

RESGATE

Interessados em realizar pesquisas, escrever livros e promover o resgate de tradições populares de Mato Grosso do Sul também podem procurar o Iphan para esses fins. 

São disponibilizados informações a respeito dos bens identificados, um acervo de cerca de 1,6 mil  livros e 100 arquivos de mídia audiovisual. Também é possível solicitar a realização de palestras em escolas e espaços coletivos.

André Vilela destaca ainda que trabalhos que visam preservar a memória, de qualquer bem, e promover o reconhecimento da diversidade cultural que forma a nação são fundamentais e geralmente muito sensíveis. “Precisamos conhecer quem somos, amplamente, e o que fizemos, para não partirmos de um passado inexistente para um futuro vazio”.

80 ANOS

Para comemorar as oito décadas de criação, o Iphan preparou programações especiais em todos os estados.Confira o que acontece hoje, em Mato Grosso do Sul:

– 9h às 10h30min: visita guiada à Esplanada Ferroviária;

– 14h30min: bate-papo com café (uma conversa sobre o Iphan com apresentação de vídeo institucional e distribuição de material sobre o órgão).

Ao longo do dia será realizada a distribuição de livros sobre o patrimônio arqueológico em Mato Grosso do Sul.

O Iphan fica na Rua General Melo, 23, no Centro, na Esplanada Ferroviária.

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