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Estratégia é o diferencial no jogo de cartas "Magic", que conquista público

Estratégia é o diferencial no jogo de cartas "Magic", que conquista público

Redação

16/01/2017 - 15h09

Pense em um jogo de cartas que combine as estratégias do xadrez às fantasias de uma saga como “O Senhor dos Anéis”, por exemplo. É com essa fórmula, mas com regras e criaturas originais, que Magic: The Gatheting faz fãs em todas as partes do mundo desde o começo dos anos 90. Ainda considerado atual dentro da cultura geek, o jogo estadunidense mantém seguidores fiéis também em Campo Grande e no interior do Estado.

Não entende nada quem se depara pela primeira vez com um grupo de jogadores sentados na calçada ou em volta de uma mesa, segurando cartas que contêm figuras medievais e frases fantasiosas. Pode até parecer perda de tempo à primeira vista, no entanto, jogá-lo não é uma atividade para se subestimar. O jogo é complexo: exige raciocínio lógico, atenção e interpretação de texto. 

Em resumo, o maior desafio para quem está na disputa é organizar uma boa tática de combate – reformulada após sucessões de erros e acertos – e, por meio da magia, montar um exército ou esgotar os pontos de vida dos adversários. 

APRENDER

Em geral, o Magic não é difícil. Crianças alfabetizadas, jovens e adultos sem qualquer familiaridade com jogos podem aprender a jogá-lo com paciência e com um pouco de dedicação para formular a própria estratégia.

Na Capital, a loja XD Comics – especializada no universo nerd – é uma das que vendem decks, nome dado ao baralho completo, ensinam o jogo e abrem espaço para as partidas sem cobrar nada por isso. Seus sócios, Magno Mustang e Rafael Garcez, faturam com o Magic e também ajudam a espalhá-lo por aqui desde 2011. 

O público local é pequeno, porém fiel, segundo Magno. “Toda sexta-feira e sábado, tem gente aqui. Acontece muito de alguém que já sabe jogar trazer um convidado para aprender. Recebemos também regularmente pessoas de outros municípios que estão atrás de decks e de cartas vendidas em separado. Os interessados são sempre bem recebidos todos os dias da semana, nós mesmos somos jogadores de Magic há muitos anos e é sempre bom fazer novos amigos”.

Rafael aposta no potencial de sociabilização do jogo para atrair mais pessoas a jogar. “Além de estimular o raciocínio, o mais interessante é que ele vai na contramão dos jogos eletrônicos e obriga a pessoa a sair de casa e deixar a tela do computador e da televisão para se encontrar com outras pessoas. É um jogo divertido, o ambiente é saudável, qualquer pessoa pode começar a jogar a qualquer momento”.

O Magic sobreviveu à era de ouro dos games eletrônicos e do domínio dos jogos on-line e ainda tem muitos fãs para conquistar, na opinião de Magno. “Eu comecei a jogar quando tinha 23 anos, hoje tenho 36 e ainda jogo. Comprava na banca de jornal, era uma válvula de escape para mim. E hoje, vendo que o público está crescendo, acredito que ele ainda tem um futuro grande pela frente”.

JOGADORES

A recreadora Jéssica Carvalho, 21 anos, conheceu o Magic quando acompanhava o namorado em uma compra na XD Comics. “Nós fomos lá, conhecemos um dos donos da loja e ficamos conversando. Aí, eu vi um cartaz do jogo lá, achei até bonito, fiquei encantada pelas cartas e quis aprender a jogar”. 

Jogadora há um mês, ela ainda está montando o baralho e as estratégias. Parte do seu interesse veio também pela influência do namorado, Henrique Kawaminami, 23 anos, que já jogava. Juntos, eles aparecem na loja três vezes por semana para se encontrarem com outros jogadores e saírem um pouco da rotina.

Costumam jogar com Lucas Barrito, 20 anos, de quem se tornaram amigos. Ele estuda Jornalismo e, nas horas vagas, se dedica a criar estratégias e buscar pelo deck perfeito. “Me tirou da mesmice, conheci pessoas diferentes e o que é legal é que me obrigou a analisar e avaliar cada carta com calma. Fiquei uma semana para montar meu primeiro baralho, mas valeu a pena”.

Também disponível na versão on-line, o jogo facilita novas amizades no ambiente virtual. Há diversos fóruns e grupos em que é possível trocar mensagens e tirar dúvidas. Cada jogo físico ou on-line  leva de 40 a 60 minutos, mas pode superar essa média de tempo se os jogadores estiverem dispostos a prolongá-lo. 

PREÇOS

O Magic tem fins recreativos para a maioria, mas há pessoas ganhando dinheiro com as cartas em torneios competitivos. Os campeonatos entre países chegam a movimentar milhões e atrair milhares de seguidores. Não há disputas assim em Mato Grosso do Sul, mas lojas como a XD Comics podem patrocinar candidatos daqui e enviá-los a outros Estados.

Mesmo que não pretendam se aventurar em disputas a valer, os iniciantes precisam fazer um investimento para começar a jogar. É preciso comprar o deck para iniciante, que custa em média R$ 30. Se desejarem, podem adquirir cartas avulsas, que variam bastante de preço, podendo chegar aos R$ 400 as novas e a valores que ultrapassam os R$ 1 mil, as mais raras. 

Esses negócios acabaram se especializando a ponto de haver um site que permite acompanhar as cotações das peças e campeonatos que movimentam milhões em diversos países.

O Magic fideliza os adeptos também pelo ritmo de produção de novidades. Há lançamentos de coleções e cartas especiais a cada temporada de três meses. No Brasil, eles chegam sem atraso e podem ser adquiridos em pontos de venda ou pela internet, pelos jogadores interessados em aprimorar seu baralho e avançar no nível das disputas.

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