A artista plástica Kátia D’ângelo lembra com precisão os primeiros contatos com as tintas coloridas. Aos 8 anos, a menina, nascida em Ponta Porã, ajudava o pai na produção de placas comerciais. “Ele era pintor letrista e foi quem me ensinou muita coisa. Aos poucos, acompanhava em seu trabalho e o auxiliava no que produzia”, conta.
Atualmente, a artista cria obras que pouco remetem à fase inicial, mas seu encantamento com as cores e formas permanece. Isso pode ser observado nas telas que integram a exposição que se inicia amanhã (7), às 19h, no Espaço Energia – Avenida Afonso Pena, 3901. “Ela adquiriu um estilo moderno, que abre espaço para sutilezas, sempre destacando a visão da mulher em vários momentos”, explica a curadora da exposição, Yara Penteado.
Kátia afirma que a sua definição artística e o aprimoramento técnico aconteceram na fase adulta, com o artista plástico Ilton Silva, com quem foi casada.
“Foi um momento em que aprendi a admirar mais ainda o universo artístico e me aprofundei na criação de obras.” Há cinco anos, ela deixou Campo Grande, fixando-se na cidade catarinense de Itapoá.
Para a curadora, a exposição poderá surpreender quem conheceu as suas primeiras produções. “Kátia vem em um processo de crescimento artístico admirável. Ao comparar sua produção no fim da década de 1990 com as telas de hoje, é possível perceber a evolução dela como artista plástica”, ressalta Yara.
Até o fechamento desta edição, a curadora não tinha ao certo quantas obras fariam parte da exposição. “Temos 36 telas, mas somente no período final da montagem saberemos quantas vamos destacar”, comenta.
Kátia diz que a temática feminina é preponderante em suas telas. “Busco estabelecer um olhar materno em torno dos assuntos que enfoco. Há ainda um certo elemento religioso, como se as mulheres representassem Maria, mãe de Jesus”, aponta. Do ponto de vista estético, o cubismo ganha espaço nas suas criações. “Tento estudar vários artistas, entre eles, Picasso, e isso acaba aparecendo”, afirma.
No momento, Kátia planeja incursões no mercado externo. Neste ano, fará exposição em Portugal. “Quero mostrar meus trabalhos fora do Brasil. Hoje, estou produzindo para esse evento português”, afirma.
Outro projeto que acalenta é a criação de um espaço para exposição em Campo Grande. “É a cidade onde morei por muitos anos e que me deu muito do que tenho. Gostaria de criar uma galeria; mas, ao mesmo tempo, queria continuar viajando por vários locais do Brasil e do exterior”. Atualmente, a artista ainda está envolvida na produção de várias telas inspiradas nas paisagens e no cotidiano de Itapoá. “Quero mostrar muito de como são as coisas por aqui. A vida neste local de Santa Catarina”, aponta.
A exposição no Espaço Energia poderá ser visitada até março e estará aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 13h.