À frente de grande parte das ações filantrópicas praticadas nos últimos 50 anos, em Campo Grande, está um grupo formado somente por mulheres. Desde a década de 60, essa união feminina faz a generosidade se espalhar entre crianças com Aids, mulheres com câncer, pessoas sem-teto, moradores da periferia da cidade e asilos.
O grupo, chamado de Clube Feminino, tem cerca de 90 voluntárias atualmente. Durante reuniões mensais realizadas entre elas, são arrecadados os artigos e valores em dinheiro que financiarão as atividades. Cada uma leva o que pode e adquire fichas para concorrer a brindes, sabendo que a compra de números para o sorteio também tem o propósito de ajudar a quem precisa.
Fundado em março de 1967, o clube completou meio século de existência com mais um chá beneficente. Não poderia ser diferente, segundo a atual presidente, Ledir Marques Pedrosa. “Desde que foi criado, o grupo tem esse propósito de ajudar os mais necessitados e de promover encontros quando a gente pode discutir essas ações, ajudar sempre um pouco mais e também passar uma tarde divertida, já que nos tornamos todas amigas. Não tem nada melhor para celebrar essa data”.
INDEPENDENTE
As primeiras mulheres do Clube Feminino se reuniam no Círculo Militar da Capital e eram esposas de militares. Apesar do vínculo, tudo sempre foi realizado de forma independente. Conforme as primeiras boas ações iam se multiplicando, mulheres de fora deste grupo inicial souberam das reuniões e pediram para participar também.
É no salão de festas da Igreja São José que os eventos de arrecadação e as reuniões acontecem atualmente, sempre na tarde da primeira quinta-feira do mês. Devotas a diferentes religiões, as atuais voluntárias procuram não faltar com a presença e nem com a ajuda.
De três a quatro vezes por mês, as voluntárias que fazem parte da diretoria saem de suas casas para entregar as doações. Os sorrisos e a certeza de que fizeram o bem é a gratificação, segundo Ledir.
As ações de assistência começaram menos centralizadas, mas com o tempo passaram a ser dirigidas a entidades como a Associação Franciscana Angelinas (Afrangel), que abriga crianças portadoras do vírus HIV, e à Rede Feminina de Combate ao Câncer. Quando têm notícias de uma pessoa que não está sendo assistida por instituição, mas precisa de ajuda, não hesitam em ir até ela. “Nós sempre visitamos as comunidades carentes e até quando vemos alguém na televisão, que faz algum apelo, entramos em contato para ajudar”, conta a voluntária e assessora do clube, Maria Elena Flores.
GENEROSIDADE
A aposentada Eliete Serra Rodrigues, 90 anos, é uma das primeiras participantes do clube. Ela é esposa de um militar reformado, que já faleceu, e pretende participar do grupo até quando tiver condições de saúde de comparecer às reuniões.
Ela esteve na comemoração dos 50 anos e diz ter ficado feliz pelo “aniversário de boas ações” do grupo. Praticar o bem, para ela, é uma missão de vida. “Fico muito contente de ter dedicado parte da minha vida a quem precisa de ajuda”, afirma entre sorrisos.
Amiga dela, Lourdes de Campos, 88 anos, está no grupo há menos tempo. Hoje aposentada, já foi comerciante. Desde que trabalhava, gostava de participar das reuniões e contribuir com a causa. “Sempre me esforcei em colaborar e quero continuar ajudando, é uma sensação muito boa poder ajudar”.
Por meio de convites de integrantes mais antigas, novas voluntárias começaram a chegar recentemente. Duas delas são as irmãs Nely e Nélia Ramos de Campos, de 59 e 61 anos. Ir às reuniões todas as primeiras quintas-feiras do mês é um compromisso que não sai da agenda há dois anos.
“Fomos convidadas por uma vizinha, que é mais antiga aqui. Gostamos dessa ideia de reunir mulheres e de ajudar e começamos a frequentar sempre que tem alguma coisa”, diz Nely. O que fidelizou Nélia foi a organização séria e transparente das ações de filantropia.
“Mesmo que a gente não vá pessoalmente nas entregas das doações, elas prestam contas com um relatório a cada três meses. Ficamos muito satisfeitas em poder ajudar”.