Correio B

MAIS DO QUE COMEMORAÇÃO

8 de março, Dia Internacional da Mulher e de reflexão sobre a igualdade

Data serve como momento de reflexão sobre vitórias conquistadas

Redação

08/03/2017 - 04h00

O Dia Internacional da Mulher não precisaria ser lembrado hoje ou em qualquer outro dia do ano, caso a população feminina e os movimentos que a representam já tivessem alcançado seu objetivo: a liberdade. Não há dúvidas de que os direitos conquistados até aqui – do acesso à educação à garantia de proteção contra a violência – tenham ocasionado mudanças. Ainda assim, acabam sendo negligenciados e suprimidos, e os caminhos para a igualdade encurtam a passos lentos.

A violência contra a mulher na atualidade é um dos principais retratos que refletem a não efetivação desses direitos. Em Mato Grosso do Sul, os feminicídios – assassinatos de mulheres cometidos em razão de gênero – aumentaram mais de 100% em 2016, em comparação ao ano anterior. O Estado ainda apresentou o terceiro maior número de estupros de mulheres registrados em 2015 no País. Os dados são da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp/MS) e do Observatório da Mulher contra a Violência, respectivamente. 

A questão é um dos itens de uma lista que inclui também a baixa representatividade nos cargos políticos, a disparidade salarial em relação aos homens, a discriminação sexual em ambientes privados e sociais e a tão recorrente criação dos filhos sem a presença e participação paterna.

Por menos homenagens no dia 8 de março e mais espaço para reflexão e transformação, diversas iniciativas têm fortalecido e socorrido mulheres na Capital e no interior. Entre trabalhos de assistência, orientações sobre como buscar direitos e abertura para diálogos sobre o que é ser mulher hoje, elas se mantêm com contrapartida do poder público ou resistem de forma independente. Confira algumas a seguir.

VIOLÊNCIA

A unidade da Casa da Mulher Brasileira (CMB) em Campo Grande presta, desde 2015, assistência humanizada às mulheres vítimas de violência física, sexual e psicológica. Dentro do prédio, funciona a Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam) – 24 horas por dia, em regime de plantão – e um centro de atendimento psicossocial, que oferece acolhimento e orientação, sem qualquer custo. Não há necessidade de registrar boletim de ocorrência contra o agressor para receber atendimento. Qualquer mulher pode se dirigir ao local e contar com os serviços, prestados de forma sigilosa.

Segundo a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres de Mato Grosso do Sul, Luciana Azambuja, a Casa é a principal porta de entrada da mulher vítima de violência em Campo Grande. A preocupação, agora, é levar este tipo de atendimento para a população feminina do interior do Estado. 

A Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, lote A, quadra 2, s/nº, no Bairro Jardim Imá, em frente ao Aeroporto Internacional de Campo Grande. O telefone para contato é (67) 3304-7557.

REABILITAÇÃO

A entidade filantrópica Fazenda Esperança atende dependentes químicas há seis anos em Campo Grande. Atualmente, cerca de 15 mulheres recebem acolhimento e tratamento terapêutico gratuito para se afastarem do vício das drogas. As próprias acolhidas trabalham na produção de pães e artesanatos para custear a manutenção da sede. Os produtos são vendidos com a ajuda das famílias no Fórum e nas unidades do Sesc da Capital. 

Há questões específicas em relação às usuárias de drogas que são observadas no tratamento. Segundo a coordenadora da entidade, Daniela Lima, normalmente o histórico de violência física ou sexual na infância ou adolescência está associado à dependência química, no caso delas. “É bem frequente. Grande parte delas sofreu abuso na infância e na adolescência e ficou com marcas na alma, que geraram um trauma e levaram ao vício”, afirma. Outros detalhes que dizem respeito ao trabalho com elas é a relação com a maternidade e a dificuldade de levar projetos pessoais até o fim. 

A reabilitação tem duração de um ano. Para receber o tratamento – que envolve espiritualidade, convivência e trabalho –, a mulher precisa passar por avaliação psiquiátrica. A Fazenda Esperança fica na Rodovia MS-010, na saída para Rochedinho. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3383-0400.

EMPREENDEDORISMO

O crescimento do número de mulheres que são donas do próprio negócio representa conquista diante da desvantagem salarial entre elas e os homens no mercado de trabalho, bem como de sua baixa presença nos cargos de chefia. Em Mato Grosso do Sul, elas são proprietárias de 25% do total de empreendimentos existentes.

Para fomentar ainda mais a presença delas nesse segmento, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Mato Grosso do Sul oferece programa específico destinado à formação de microempreendedoras. Há consultorias, palestras e outros serviços pagos e gratuitos para elas. Até o dia 23 deste mês, há programação do Mês Mulher de Negócios, com talk-shows, apresentações e bate-papos sobre a relação do universo feminino e o empreendedorismo. Informações sobre como se inscrever nos eventos ou para saber mais sobre os outros projetos do Sebrae podem ser obtidas na central de atendimento (0800-570-0800) ou no site: www.sebrae.com.br.

SAÚDE

Por estarem mais expostas ao contágio de doenças sexualmente transmissíveis e ao vírus HIV, as mulheres que trabalham como profissionais do sexo são grupo que recebem atenção específica da ONG Instituto Brasileiro de Inovações Pró-sociedade Saudável (Ibiss) Centro-Oeste. A entidade, que trabalha em prol dos direitos humanos, é responsável por executar em Campo Grande o projeto Viver Melhor Sabendo, do Ministério da Saúde, com a realização de testes rápidos para detectar doenças, orientações sobre prevenção e encaminhamento para tratamento.

A equipe realiza abordagens durante o dia e também no período noturno, em boates e pontos de rua. Mulheres, homens, grupos transgêneros e travestis são atendidos pelo projeto.

PERIFERIAS

O coletivo de mulheres que integra o movimento social Marcha Mundial de Mulheres em Mato Grosso do Sul também oferece suporte e orientações às mulheres. Em especial, leva esclarecimentos e distribui material informativo às moradoras dos bairros periféricos de Campo Grande, Dourados, Amambai, Corumbá e Nova Andradina. Além disso, promove atos em defesa dos direitos femininos e fiscaliza as ações do poder público voltadas às mulheres. É possível entrar em contato com as militantes da marcha pelo endereço de e-mail [email protected]. 

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