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Falta de espaços dificulta trabalho <br>de grupos teatrais e de dança

Falta de espaços dificulta trabalho <br>de grupos teatrais e de dança

Redação

09/03/2017 - 16h00

As artes cênicas têm sofrido com uma baixa importante. Desde abril do ano passado, o Teatro Aracy Balabanian está fechado para reformas. Com isso, os grupos teatrais perdem um dos principais espaços cênicos de Campo Grande. Apesar de haver outros teatros na cidade, questões como o tamanho do espaço, os custos de locação ou a indisponibilidade de datas nas agendas fazem com que os grupos tenham de buscar alternativas para seguir com o seu trabalho.

O motivo do fechamento do Teatro Aracy Balabanian, segundo Leandro Caminha, gestor do Centro Cultural José Octávio Guizzo, é a necessidade de reforma do espaço. “O teatro tem mais de 30 anos e nunca passou por uma grande reforma estrutural. Foram feitas algumas melhorias, mas chegamos em um ponto em que é necessário fazer algo maior”, explica. 

Um primeiro projeto foi esboçado junto à Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), mas acabou sendo descartado por não conter melhorias em relação à acessibilidade do Aracy Balabanian. Um novo projeto foi entregue esta semana, mas o custo da obra estaria orçado entre R$ 3 e R$ 4 milhões. “A Sectei não tem essa verba”, explica Leandro.

Para custear a reforma, o secretário Athayde Nery deve ir ao Ministério da Cultura (MinC) em busca de formas de angariar o valor, assim como também deve tentar emendas com parlamentares de Mato Grosso do Sul. “A previsão é de que as obras se iniciem em setembro”, afirma. Leandro afirma que é impossível fazer uso do espaço, por enquanto, uma vez que a estrutura do espaço está comprometida. “Mantemos a limpeza e não há riscos, mas há diversos problemas, como cupins na fiação, por exemplo”, pontua.

Grande parte da demanda teatral e de dança de Campo Grande ocorria no Teatro Aracy Balabanian, uma vez que os custos de locação eram inferiores. Para realizar um espetáculo no local, o artista ou grupo contava com três opções: locação diária pelo valor de um salário mínimo comercial, pagamento de 20% do valor arrecadado na bilheteria  e cedência, por meio de autorização do presidente da Fundação de Cultura do Estado.

ALTO CUSTO

Teatros como o Glauce Rocha ou o Dom Bosco oferecem a estrutura necessária para a apresentação de peças, espetáculos de dança, shows e outros eventos de arte e entretenimento. Também contam com um espaço para receber centenas de pessoas. No entanto, o aluguel impossibilita que boa parte dos grupos da cidade invista em uma produção neles. De acordo com os gestores, o custo é de R$ 3,5 mil – valor que pode incluir toda a parte técnica, como é o caso do Dom Bosco. Outra opção inviável em razão de custos e tamanho é o auditório Manoel de Barros, do Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

“O teatro atende a sociedade em geral. Durante o ano, recebemos diversos tipos de eventos como formaturas, espetáculos de dança de escolas da Capital, shows, entre outros”, explica Júlio Bellucci, gestor do Teatro Dom Bosco. Em 18 de março, o espaço recebe o espetáculo “Cronovisor: Renato Russo, de Corpo e Alma”. No ano passado, também  destacou  montagens  teatrais como “Aventuras no Mundo Encanado”, produção da Águas Guariroba.

As formaturas também costumam ocupar parte da agenda desses teatros. “A demanda interna envolve palestras, congressos e colações de grau, assim como os projetos artísticos desenvolvidos na universidade”, explica Eduardo Escrivano, responsável pela gestão do Teatro Glauce Rocha, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Embora a procura pelo espaço seja sazonal, ele afirma que os grupos locais não costumam buscar o teatro para apresentações. “Não sei dizer o motivo, a demanda regional é baixa. Este ano, apenas um grupo nos procurou”, considera.

O valor cobrado pelos teatros, segundo integrantes de grupos teatrais da cidade, é um dos motivos. Em um momento no qual os fundos de investimentos culturais do município e do Estado estão parados, os R$ 3,5 mil cobrados escapam à realidade de grupos que mantêm sua produção de maneira independente. A falta de público também impede a produção nesses casos, uma vez que poucos espetáculos conseguem um público pagante capaz de lotar teatros que contam com mais de 600 lugares.

Em 2011, iniciou-se uma campanha que pedia a reforma do Teatro do Paço Municipal. A prefeitura, na época, chegou a contratar uma empresa para a realização das obras, com a promessa de que o espaço seria entregue em março de 2013. Nada aconteceu e o teatro continua sendo usado como depósito. Segundo a assessoria da Secretaria de Cultura e Turismo (Sectur), a prefeitura está tentando levantar recursos no Ministério do Turismo, por meio do Sistema de Convênios, para restauração do espaço. 

Outro espaço que costuma ser utilizado por grupos é o Teatro da Escola Mace. No entanto, até o fechamento, a reportagem não conseguiu levantar os procedimentos e os custos para utilização do espaço.

OPÇÕES

Dois espaços acabam reunindo a maior parte da programação cultural relacionada às artes cênicas em Campo Grande: o Teatro Prosa, do Sesc Horto, e a sede do Teatral Grupo de Risco, uma das trupes com mais tempo de atividade no Estado. 

O Teatro Prosa, administrado pelo setor cultural do Serviço Social do Comércio (Sesc), recebe uma vasta programação cultural promovida por ações do serviço, como o Palco Giratório, o Sonora Brasil e o Sesc Partituras. “Quando fechamos essa programação, podemos abrir a agenda para grupos regionais. Não há cobrança de aluguel, desde que os grupos se comprometam a realizar o espetáculo com entrada gratuita”, explica Andréia Gomes, gerente do Sesc Cultura.

Segundo ela, existe uma procura muito grande de grupos regionais e nacionais. Em junho, ela conta que haverá um festival de circo no local, promovido por grupos independentes. “Em razão da procura, optamos por restringir a programação a ações culturais. Não vamos receber palestras ou formaturas”, explica. 

A agenda para 2017/2018 acaba de ser aberta e os grupos interessados em apresentar seus espetáculos no local devem entrar em contato com o Sesc. “A nossa ideia é não locar o espaço, mediante a contrapartida do grupo, que é a entrada gratuita. No entanto, se o grupo precisar da bilheteria, estamos abertos a negociar”, explica.

Outro espaço que vem atendendo a demanda dos grupos independentes em Campo Grande é a sede do Teatral Grupo de Risco. Nesta semana, o espaço recebe o evento “Revitaliza TGR”, que tem objetivo de levantar verba para reforma da sede. A realização é do Fulano di Tal, grupo que ano passado ocupou o local e realizou uma mostra de repertório.

Segundo Marcelo Leite, diretor e ator do companhia, os integrantes do Fulano di Tal passaram seis meses ensaiando e se apresentando na sede do TGR. “Percebemos a necessidade de algumas melhorias e convidamos grupos parceiros para se apresentarem, com a verba sendo revertida para as reformas”, explica. 

Com capacidade para 80 pessoas, o espaço tem sido uma opção viável para quem não tem onde se apresentar. “Os grupos acabam optando por apresentações em espaços alternativos como praças e parques. Não é a situação ideal, mas estamos fazendo o possível para manter o teatro e a dança vivos”, pontua Marcelo.

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