Correio B

CRÔNICA

Maria Adélia Menegazzo: "Piano, vitrola e violão"

Maria Adélia Menegazzo: </br>"Piano, vitrola e violão"

Acordei pensando no piano da minha tia Maria, da casa da minha avó materna. Não era um piano grande, talvez piano de apartamento, porque, hoje, ele cabe como uma luva no canto da sala. Natal, festas, sempre o piano era acionado e cantávamos de tudo. Foi aí que aprendi a cantar várias músicas de Zequinha de Abreu: Tico-tico no fubá; Branca; Tardes de Lindóia. Também marcou meus ouvidos a Marcha turca, de Mozart; Em um mercado persa, de Ketelbey; Für Elise, de Beethoven (destroçada, hoje, pela entrega de gás em algumas cidades).

Também foi por causa deste piano e do gosto da minha pianista favorita que conheci o repertório da música popular brasileira. Alguém se lembra de Maringá? Não a cidade, a canção? Pois é, eu sabia de cor. As músicas de Agostinho dos Santos, ídolo principal de minha tia, a quem ela dava o apelido carinhoso de Gugu, sabia e sei, ainda, todas.

Quando criança, estudar piano era uma das exigências de boa educação e lá fui eu. Duas vezes por semana entrava na casa da minha professora, Hyde Sadamatsu. De origem japonesa, ela assumia o comando com energia. Às vezes, para meu espanto e encanto, aparecia vestida com quimono de seda, meias brancas e chinelo preto. Achava uma maravilha, porque me parecia que ela havia saído de uma das gravuras que estavam penduradas nas paredes da sala. Mas não vinguei. Além de fazer com que eu me sentasse no banquinho com as costas eretas, me obrigava a manter as mãos a uma determinada altura do teclado (usando uma régua), acompanhar o metrônomo nos exercícios de escalas. Acho que faltou uma explicação sobre a utilidade ou necessidade de tudo aquilo. Não passei das irritantes Le lac de Comme, Pour Elise, e Bolinho de manteiga. Para executar esta última, ela enrolava tiras de esparadrapo nos meus dedos, que deviam “correr” o teclado em determinados momentos. Acabou aí a minha história de pianista.

Também não consegui aprender violão, apesar de ter tentado. Preferia acompanhar as aulas da minha amiga Ligia. Na verdade, gostava de cantar e não perdia oportunidades. Meu irmão, Zé Maria, tocava bossa-nova e ficávamos horas e horas entre apelos, cantinho e violão. Ainda que a época fosse a do rock and roll, MPB e seus festivais, meu irmão era bossa-nova. Para agradar namoradas, não só a dele, mas de primos e amigos, fazia serenatas. Às vezes, eu ia junto, para o canto sair mais bonito. “Inútil paisagem”, nosso melhor dueto.

Além disso, minha mãe adorava música. Ouvia o rádio a manhã inteira enquanto cuidava da casa e também havia uma vitrola para os discos de músicos e cantores favoritos, acionada nos momentos de folga. Nossa vida foi marcada pelas canções que ela cantava ou que, sabiamente, nos fazia ouvir.

Levo esta mania comigo e, embora os anos e anos de sala de aula tenham destruído minha voz para o canto, gosto de ouvir meus filhos tocando violão e cantando, ainda, as canções que minha mãe, minha tia e meu irmão cantaram ou tocaram, um dia, para mim. Dizem que a memória é silenciosa e solitária, a minha é musical, cheia de vozes, gentes e saudades.

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/11/2026 00h02

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).