Correio B

OPINIÃO DE ESPECIALISTAS

Cais do Valongo coloca Brasil em novo patamar de turismo cultural

Título representa o reconhecimento de um período marcante da história

Redação

17/08/2017 - 14h01
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Em julho deste ano, o Sítio Arqueológico do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ), foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O título representa o reconhecimento de um período marcante da história da humanidade.

O local, encoberto por outras obras do antigo porto, foi a principal porta de entrada de africanos escravizados no Brasil, e o reconhecimento como patrimônio, segundo especialistas, coloca o Brasil em um novo patamar no turismo cultural e étnico, além de valorizar a cultura e memória dos povos africanos no País.

De acordo com o coordenador-geral de produtos turísticos do Ministério do Turismo, Cristiano Borges, o Cais do Valongo é o 14º patrimônio cultural da humanidade no Brasil. Esse número, segundo ele, contribui para que o País se torne um produto turístico atraente para o visitante internacional.

“Além da importância de proteção do bem tombado, esse tombamento tem importância para o turismo cultural e para o turismo étnico”, afirma.

História e Cultura

A origem africana é um dos aspectos mais relevantes da história brasileira. Para a pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília (Neab/UnB), Glória Moura, o reconhecimento do Cais valoriza a cultura e resgata valores.

“Africanos escravizados tiveram uma contribuição inestimável para nossa história, não só na música e culinária, por exemplo, mas também no trabalho. O Cais do Valongo merecia esse reconhecimento, merece essa importância, para que a luta histórica dos afro-brasileiros neste País seja reconhecida. O Cais é um memorial da nossa identidade”, defende.

A candidatura do cais ao título de patrimônio da humanidade demonstra, inclusive, aos olhos dos outros países, a “coragem” de colocar o tema da escravidão em pauta, defende o diretor do Departamento de Articulação e Fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Marcelo Brito.

“O Brasil foi pioneiro e protagonista com relação a essa temática, a gente se orgulha muito de poder ter dado essa contribuição. O Cais do Valongo será referência para que outras nações apresentem propostas semelhantes para a lista dos patrimônios da humanidade”, afirma. 

Aterrado em 1911, o cais foi redescoberto um século depois, em 2011, durante as obras de revitalização da região do porto.

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