Correio B

Perspectivas perturbadoras

Na quarta temporada, "Black Mirror" explora novos gêneros

Série preserva reflexo obscuro do futuro da sociedade com tecnologias

Com os seis episódios inéditos que estreiam na Netflix no dia 29 de dezembro, o aclamado sucesso “Black Mirror” ganha sua quarta temporada. Apesar de continuar a ser um reflexo obscuro do futuro da sociedade com os avanços tecnológicos, a série adquire uma temática mais leve e fictícia. Charlie Brooker, criador e escritor, buscou explorar novos temas, menos sombrios que os presentes nas anteriores. O fato dessa quarta temporada ter sido escrita em meio às conturbadas eleições norte-americanas de 2016 influenciou na decisão.

O primeiro episódio é “Croccodile”, dirigido por John Hilcoat. Conta a história de um casal que, após passar a noite festejando e bebendo, atropela e mata um garoto. A mulher, Mia (Andrea Riseborough), propõe quem eles liguem para a polícia, mas seu namorado consegue convencê-la a se livrar do corpo. O episódio dá um salto para o futuro, onde Mia se tornou uma bem sucedida designer de interiores, com marido e filhos. Até que o passado volta a assombrar, levando-a a tomar medidas extremas.

Na sequência, o episódio “Arkangel”, sob direção de Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”), retrata a história de Marie (Rose DeWitt), uma mãe solteira superprotetora que decide colocar a filha no projeto ArkAngel. Trata-se de um sistema de software experimental que implanta chips em crianças para que os pais possam saber onde elas estão, bloquear imagens e até mesmo ver o que seus filhos experimentam em tempo real, 24 horas por dia.

Os episódios “Hang the DJ” e “USS Callister” arriscam um caráter mais cômico, se aventurando no universo dos aplicativos de namoro e no lado sinistro de fãs alienados. Depois, “Metalhead” entrega o primeiro episódio em preto e branco de “Black Mirror”, que retrata a fuga de uma mulher (Maxine Peake) de um drone num estilo similar ao episódio da segunda temporada “White Bear”. Para finalizar o quarto ano da série da Netflix, “Black Museum” surge com diversas referências de episódios passados e funde três histórias diferentes no misterioso Rolo Haynes's Black Museum. Uma mulher (Letitia Wringht) vista o museu e se depara com as histórias de Haynes (Douglas Hodge) sobre um doutor que sentia a dor de seus pacientes de forma literal, um homem que tem a consciência de sua antiga esposa implantada nele, e um holograma de um assassino condenado que se torna a maior atração do museu devido ao fato dos visitantes poderem eletrocutá-lo repetidamente até a morte.

Ou seja, apesar da nova temporada de “Black Mirror” expressar um pouco mais de esperança, não perde sua característica essencial: prever um futuro o mais realista e perturbador possível. 

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