Após o sucesso de “Black Mirror” a indústria do entretenimento percebeu que a temática de um futuro próximo altamente tecnológico, mas com problemas bem atuais e de fácil identificação, pode ser atraente. Nessa tendência, mas com um orçamento discreto de quatro milhões de euros, “Órbita 9”, o novo filme da Netflix, estreia dia 6 de abril.
A produção hispano-colombiana acompanha a história de Helena (Clara Lago), uma jovem que desde o nascimento se encontra reclusa numa nave, a caminho de um planeta chamado Celeste. A viagem faz parte de um projeto para colonizar outras áreas do espaço e abandonar a Terra, que se encontra superpovoada e esgotada em recursos naturais. Desde a morte dos pais, que se sacrificaram após um problema técnico com a geração de oxigênio, a jovem cumpre solitária sua rotina de trabalho na nave, aproveitando seu tempo livre para assistir filmes românticos antigos.
Em função de uma falha no sistema de ventilação, Helena tem seu primeiro contato com outro ser humano, um engenheiro solitário chamado Álex (Álex Gonzáles), que logo desperta na jovem sentimentos que os levam a compartilhar uma noite de romance. Porém nem tudo é o que aparenta ser e descobre-se que Helena na realidade se encontra em um dos dez simuladores subterrâneos de uma instituição militar, parte de uma experiência que analisa o comportamento de cobaias humanas para testar a viabilidade de longas viagens espaciais no futuro. Encantado pela jovem, Álex começa a questionar a ética do teste, o que o leva a quebrar todas as regras para resgatá-la.
Apesar de levantar sérios questionamentos sobre a manipulação da realidade e a bioética, abordando temas como a clonagem e as experiências com cobaias humanas, estes assuntos são tratos superficialmente. O roteiro previsível e a direção burocrática de Hatem Khraiche desperdiçam suas fichas no amor impossível entre Álex e Helena. Um erro que torna “Órbita 9” uma produção pouco inovadora.