Correio B

Roberta Miranda

Após o auge, rainha do sertanejo se adapta e dispensa músicas encomendadas

Ela falou sobre a carreira e o "feminejo" antes do show que fez em Corumbá, ontem (27)

Redação

28/05/2018 - 12h20

O tempo passou para Roberta Miranda, como passou para muitos outros artistas do sertanejo que cravaram clássicos do gênero no repertório popular. Para ela, ainda são os aplausos do público o único termômetro capaz de medir até onde vai uma carreira e, se for para estourar de novo às custas de música “encomendada”, melhor não.

Foi a primeira cantora e compositora mulher a ultrapassar um milhão de discos vendidos no Brasil. Teve que abrir os próprios caminhos, muito antes de alcançar o marco. “Uma loucura. Lutei muito, mas que bom. Se você me perguntar se faria tudo de novo, faria tudo de novo, sim. Andaria pelos mesmos lugares e pisaria nas brasas que pisei para chegar aonde cheguei”.

“Majestade, O Sabiá” escrita há 32 anos, a revelou e a consagrou como a rainha do sertanejo. A música inspira a satisfação de saber que se vai chegar a um lugar desejado. E, na carreira, apesar de ter chegado a um patamar confortável, Roberta continua empolgada em descobrir as novas formas de interagir com o público e em compor com verdade e paixão.
 

NA INTERNET
A voz sertaneja da cantora, 61, continua firme e potente. Foram três shows só entre a última quarta-feira (23) e ontem (27). O último deles foi em Corumbá, no desfecho do Festival América do Sul Pantanal, em que foi acompanhada pelo coro de milhares de pessoas. O ritmo acelerado ela havia abandonado há 15 anos, mas resolveu que iria retomar para "testar como é que tá" depois de completar três décadas de carreira, no ano passado.

Durante as apresentações que faz, gosta de gravar vídeos ao vivo para os fãs virtuais – é uma das mãos segurando o microfone e a outra segurando o celular para garantir o live. Interage com um público cuja maioria, 60%, é representada por jovens de 18 a 24 anos. “Eles vieram de forma natural através das redes. Mas, além deles, continuo com aquele público que sempre me acompanhou e sempre me acompanha em qualquer estado em que eu me apresente”. Roberta está em todas plataformas digitais e é bem ativa nas redes sociais.

A mesma internet que ajuda a cantora a expressar seu carinho pelo público foi uma das responsáveis por virada na carreira dela e na indústria da música, como um todo.

“A venda dos produtos físicos já estava entrando numa bancarrota porque tem a pirataria. O declínio da gravadora foi, assim, extraordinário. Depois, a rede social deu grande chance para o artista novo, principalmente aquele que não tem investidor e quer mostrar seu trabalho. Ontem mesmo, eu estava conversando com o motorista do ônibus e perguntei o que ele estava ouvindo. Ele me mostrou um pendrive com 400 músicas, que ele pagou R$20. Eu, como compositora, me sinto lesada com isso. Mas a internet está sendo bastante legal”, comenta.

Cantora paraibana que começou nos bares de São Paulo, Roberta diz dar valor à música que fica na memória das pessoas e defende o sertanejo como o ritmo que mais une o público por enviar “mensagem direta ao povo, não distante da realidade”. Ela afirma preferir continuar produzindo por amor à música e não se preocupar mais com o retorno financeiro.
 

MAIS MULHERES
A rainha do sertanejo continua tentando fazer por merecer o título conquistado. Precursora do “feminejo”, lançou o DVD “Os Tempos Mudaram” em 8 de março do ano passado, celebrando a leva de sucesso das mulheres no ritmo.

No trabalho, não faltam as mais pedidas. "É que não pode faltar. 'Vá com Deus' parece que foi ontem que gravei", ela justifica. Para escolher  as regravações, pediu ajuda dos fãs nas redes sociais.

Tem ainda a inédita faixa-título do trabalho, composta por Roberta em parceria com Marília Mendonça. Naiara Azevedo e Maiara & Maraísa também participaram das gravações.

“O mundo sertanejo era muito difícil de a mulher entrar. Se a gente estiver falando de quando eu comecei, há 30 anos, aí sim que era ‘danado’. Agora está tudo mais fácil, e eu fico muito feliz de ter contribuído para o ‘feminejo’, o empoderamento da mulher no sertanejo. Feliz que agora esteja tudo mais tranquilo”, finaliza.

 

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