Na vida do arquiteto Ângelo Arruda, a paixão pela arquitetura e a paixão pela música sempre andaram lado a lado: a primeira, de forma profissional; a outra, de forma amadora, no dedilhar do violão e no gosto eclético pela boa música. Mas a esta altura da vida, aos 61 anos, quando decidiu aposentar a prancheta e as aulas na universidade, a veia musical surgiu de forma latente e já pode ser conferida no primeiro disco da iniciada carreira. “Água de Viver” é o nome do CD que ele lançará nesta quinta-feira (16), no Sesc Morada dos Baís, às 19h, com a participação de convidados.
E o que significa este lançamento para a vida de um arquiteto conhecido também por ter assinado vários livros em sua área? “Significa que a poesia que eu escrevo desde os 19 anos me levou para a música, para a composição; uma coisa veio agarrada à outra”, define o compositor.
Com produção dos músicos Otávio Neto e Gilson Espíndola, “Água de Viver”, nome de uma canção de sua autoria, reúne 12 faixas gravadas em Campo Grande – onde o arquiteto pernambucano viveu por 37 anos – e uma em Florianópolis, para onde ele se mudou recentemente.
Amigo de longa data de importantes nomes da música sul-mato-grossense, aos quais só tece elogios, Ângelo Arruda, que assina todas as letras do disco, conta com a voz de vários deles para dar vida às canções, como Celito, Gilson e Jerry, todos Espíndola; Guilherme Rondon, Maria Cláudia e Marcos Mendes, Américo e Nando, entre outros. “Me cerquei só de gente boa: os que cantam e os que tocam”.
Apenas na faixa “Tudo ou Nada” é que ele se arrisca por completo – voz e violão. “Mas me sinto mais confortável compondo. Estou me lançando compositor, não cantor”, observa.
Para as músicas, Ângelo Arruda recebeu arranjos de Otávio Neto, que se cercou de vários instrumentistas para dar vida a ritmos como MPB, pop, rock misturado com chamamé, samba canção, bolero. “São guitarras, violão, acordeão, trompete, violino, violoncelo, percussão, cuíca, tudo feito em estúdio de Campo Grande pelas mãos de feras”.
INÍCIO
Depois de puxar o freio na área profissional e ter se mudado para um lugar pra lá de paradisíaco – Florianópolis –, Ângelo Arruda percebeu que tinha todo o tempo do mundo para se dedicar às composições. “Um dia, conheci músicos da banda Dazaranha, de Florianópolis, e com uma parceria com o Chico Martins, em um trabalho solo seu, nasceu a primeira composição, ‘No Tom do Amor’, que ele gravou em seu segundo CD, ‘Deslancha’”.
Daí para frente, ele se deu conta de que poderia fazer músicas e deixar de ser um espectador privilegiado, cheio de amigos competentes e foi compor músicas completas, pois tinha começado apenas letrando composições, como no caso de duas ou três com Raimundo Galvão e Rubênio Marcelo.
Segundo Ângelo, inspirações não faltaram e, no prazo de um ano, todas as composições do disco estavam prontas. “Me inspiro em minha trajetória desde os meus 12, 13 anos de idade, de ouvir música de qualidade, brasileira, internacional, sul-mato-grossense. E em cima disso eu me revelo nas minhas músicas”.
A produção musical tem dado tanto prazer que o novo compositor já tem outras letras na gaveta. “Tenho músicas para mais um CD. Estou me dedicando, sim, e estudando violoncelo também”.
Para a produção do disco, ele começou com dinheiro próprio e, depois de pronto, procurou a iniciativa privada. “Quando o trabalho é bom, abre portas. Sesc e Plaenge abraçaram o novo trabalho”.