Correio B

HISTÓRIA

Confira a programação para <br>os 100 anos da Morada dos Baís

Programação tem concerto, palestras e encenação, entre outros

Prédio histórico que agrega na história de Campo Grande, a Morada dos Baís – que já funcionou como Pensão Pimentel – completa 100 anos e terá programação variada para comemorar esta trajetória. Haverá ações culturais em diversas linguagens e também circuito de palestras e percursos que visam resgatar memórias da Capital, evidenciando a história e seus patrimônios, que vão das edificações à gastronomia.
“Comemorar o centenário reforça a importância de se valorizar a memória, a história e a cultura de uma comunidade e destaca a responsabilidade do Sesc no papel de formador e incentivador”, diz Regina Ferro, diretora regional do Sesc MS, que administra a Morada.

As ações comemorativas compreendem quatro apresentações de concerto inédito com peças concebidas por Lídia Baís: dias 21 (19h30min) e 23 de agosto (20h30min), na Morada dos Baís, e nos dias 29 e 31, no Sesc Horto (às 20h), com entradas gratuitas. O espetáculo musical será apresentado pela Orquestra Sinfônica de Campo Grande, com direção musical e regência do maestro Eduardo Martinelli.
Durante a noite, serão apresentadas obras de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Erik Satie, Villa-Lobos, Hermínio Gimenez. “Sem dúvida, o ponto alto do espetáculo será  ‘Lídia Baís Concerto’, momento da execução pela orquestra, de 3 obras musicais compostas por ela ao piano”, explica o regente Eduardo Martinelli.

Hoje, às 20h30min, será apresentado o espetáculo “Eu Lídia”, uma instalação com criação exclusiva a partir de residência artística na Morada dos Baís, entre novembro de 2017 e julho de 2018. As apresentações continuam nos dias 23 de agosto e de 28 a 31, com última sessão em 1º de setembro. A programação ainda prevê dois percursos. “No Trilho do Tempo” propõe uma imersão histórica pelos principais pontos a partir da estação ferroviária, por meio de parceria com o Iphan, e o Percurso Cultural, que tem a proposta de revelar espaços que compõem a memória da Capital, mas que, muitas vezes, passam despercebidos.

Palestras com foco na memória e patrimônio histórico ocorrem já a partir do segundo dia de programação, 22, quando haverá conversa com ex-ferroviários da Noroeste do Brasil, que contarão suas vivências. A programação geral dos 100 anos pode ser conferida em www.sescms.com.br.

NA LINHA DO TEMPO

A história da Morada dos Baís é uma entre as várias que o professor e ex-presidente da Fundação de Cultura de MS Américo Calheiros conta em sua página no Facebook, sempre apontando locais significativos de Campo Grande. Para ele, a Morada dos Baís é a representação viva do início do impulso urbano de Campo Grande. “Quando Bernando Franco Baís a construiu, trazendo  materiais de fora, ele quis demonstrar para seus contemporâneos que Campo Grande era uma cidade que já estava começando a dar certo,  que era um lugar de futuro”.

Sobre o lugar, ele diz: “Situada na Avenida Noroeste, 5.140, esquina com a Avenida Afonso Pena, no centro de Campo Grande, a Morada dos Baís foi construída para ser a residência do comerciante italiano Bernardo Franco Baís e de sua família. O sobrado de arquitetura estilo eclético, foi projetado pelo engenheiro José Pandiá Calógeras e edificado pelo imigrante italiano Mathias, sendo o primeiro em alvenaria no contexto urbano de Campo Grande. Ele foi feito em etapas, entre os anos 1913 e 1918. Alguns materiais utilizados na construção foram trazidos da Itália, a exemplo das telhas de ardósia. Durante vinte anos, a família Baís residiu no local. Com a morte do proprietário, em 1938, o sobrado foi alugado para o Senhor Nominando Pimentel, que ali instalou a Pensão Pimentel, que funcionou, como tal, inclusive com outros locatários, durante vários anos. Depois serviu a distintos fins comerciais, tais como: sapataria, alfaiataria, escola de datilografia e casa lotérica, mantendo sempre a denominação de Pensão Pimentel. Em 1984, o sobrado fechou as portas e passou por um período de abandono e depredação.

Após ser restaurado, em 1995, foi transformado em um centro cultural com o nome de Morada do Baís.
A Morada dos Baís abriga o Museu Lídia Baís, em homenagem a uma das filhas de Bernardo Franco Baís, pioneira das artes plásticas no Estado. O museu conta com vários afrescos pintados por Lídia em algumas paredes e seus objetos pessoais.

A Morada, hoje sob a gestão do Sesc MS, também possui salas para exposições de arte e para projeção de filmes e espaço para apresentações artísticas. Tombada como patrimônio histórico e cultural de Campo Grande em 4 de junho de 1986, a Morada dos Baís, significativo cartão-postal da cidade, ainda é mais visitada pelos turistas do que pelos moradores locais”.

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