Ele estava organizando os livros na estante quando encontrou a primeira edição do jornal Correio do Estado com capa e contracapa impressas em cores, publicada no dia 5 de setembro de 1994, há exatos 24 anos. E não é apenas esta edição que o pedagogo aposentado Joel Melo do Amaral, de 68 anos, guarda, mas todas aquelas que considera marcantes, como a que estampa a criação de Mato Grosso do Sul e todas as edições especiais em comemoração ao aniversário de Campo Grande.
“Foi casualmente! Vi essa edição e disse: vou telefonar para ver se eles lembram”, conta o pedagogo aposentado, que diz não ter noção de quantas edições possui nem do tempo em que é assinante do jornal.
“Eu tinha uma da morte do Ayrton Senna, mas emprestei e não me devolveram. Tem outra também de quando fizeram uma reportagem com a minha mãe, sobre trabalho social com idosos. Aí pensei: essa vou guardar”. Amaral lamenta a falta de cuidado que algumas pessoas têm em relação ao que consideram importante, especialmente livros e jornais. “As pessoas veem, mas não arquivam. Eu, não. Penso: ‘esse quero ter para sempre guardado’”, diz, completando que aquelas edições são uma boa fonte de pesquisa para os netos, por exemplo.
Na edição guardada com cuidado por Amaral são anunciadas reportagens que tratam da inauguração da sede própria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, fiscalização de combate ao trabalho análogo ao escravo em carvoarias do Estado, anúncio de Ciro Gomes como ministro da Fazenda e uma pesquisa do Datafolha em que o candidato Wilson Martins aparecia em segundo lugar na disputa pelo governo do Estado.
IMPRESSÃO EM CORES
O fotojornalista Valdenir Rezende, de 52 anos, acompanhou todo o processo de mudança de impressão do jornal, do preto e branco ao colorido. Ele começou a trabalhar no Correio do Estado na década de 80 como office-boy, pediu para aprender as técnicas de revelação de imagens e, pouco tempo depois, estava atuando como fotógrafo. “No início, a gente fotografava, revelava o filme aqui, ampliava em preto e branco e entregava para o editor escolher”, conta ele, sobre o processo, que durava em média uma hora.
Quando os fotojornalistas precisavam viajar, tinham de descobrir também o horário de chegada e partida dos ônibus intermunicipais. Isto porque precisavam enviar os filmes fotográficos já utilizados para o jornal e pegar novos. Para cumprirem esta missão, o auxílio dos motoristas era fundamental.
“E no filme era sempre uma surpresa”, lembrou Rezende da época em que o resultado das imagens só era conhecido depois da revelação. “Fomos para o paraíso”, resume Rezende sobre transição da impressão do jornal do preto e branco para colorido. Ele conta que, à época, o jornal firmou um contrato com um estúdio fotográfico localizado na Rua Rui Barbosa para a utilização do laboratório.
Um dos fotojornalistas ia até o local diariamente, revelava as imagens e repassava para os editores escolherem qual seria publicada. Aos domingos, um funcionário do estúdio, que não abria neste dia, era escalado para atender a equipe do jornal. “Ele ia lá só para atender a gente”.
Pouco tempo depois, um laboratório fotográfico foi aberto no shopping localizado na Avenida Afonso Pena. Os profissionais do jornal passaram a utilizar esse espaço aos domingos, até que a empresa adquiriu um minilaboratório, e as revelações e impressões das fotos em cores passaram a ser feitas no próprio espaço.