Correio B

Sobrevivente de três irmãs

Helena viveu 144 dias em UTI para transformar Denise em mãe coragem

Helena viveu 144 dias em UTI para transformar Denise em mãe coragem

Redação

19/09/2018 - 17h04

Adélia, Maria e Helena são as trigêmeas que Denise carregou consigo por apenas 27 semanas. Depois de passar por duas cirurgias e estar em repouso absoluto, Denise acordou na madrugada do dia 9 de agosto de 2017 com a bolsa estourada. Às 10h30 daquela mesma data, as meninas vieram ao mundo sem encontrar leito de UTI apropriado. Horas depois, Adélia foi a primeira a se despedir e em 15 dias, foi a vez de Maria. Entre o cemitério e o hospital,  Denise vivia a dor de perder duas filhas e a fé de que Helena sairia dali para o berço de casa. 

A gravidez foi fruto de fertilização e muita vontade se ser mãe. Dos dois embriões implantados em Denise, aos 44 anos de idade, um deles se dividiu: em Maria e Helena. A última, é a menina que tem duas idades e dois anjos, as irmãs. “Ela tem 1 ano e 1 mês de nascida e 10 meses de idade corrigida, por ser prematura extrema”, explica a mãe, Denise Barros de Azevedo, de 46 anos.

Helena quando vestiu roupinha pela primeira vez, depois de 100 dias internada na UTI. (Foto: Arquivo/Pessoal)

Denise é engenheira agrônoma, mestre em Economia e doutora em Agronegócio. Tinha condições de ter as filhas em hospitais considerados cinco estrelas de São Paulo, mas contra o tempo, nem o dinheiro pode vencer. “O dinheiro, às vezes, não quer dizer nada”, recorda. O correr do relógio também não permitiu sequer uma fotografia das três. “E elas nasceram perfeitas, perfeitas”, lembra. Adélia teve um sangramento no pulmão e Maria, enterocolite aguda, mas dela há um registro com Helena no método ‘canguru’, em que pai e mãe carregavam as duas junto ao peito.

“Era surreal. Eu acordava de manhã e ia para a Santa Casa, ficava até me expulsarem de lá para comer, tomava um banho e voltava”. As cenas voltam à tona na mente da mãe. Foram 100 dias na UTI e outros 44 na chamada unidade intermediária, onde, pela primeira vez, Helena vestiu uma das roupinhas compradas com tanto amor.

Esclarecida, como Denise mesmo se via diante de outras mães, a engenheira percebia a realidade que todas elas dividiam. “Era tudo misturado, convênio e SUS e ali você começa a ver gente pior do que você. Eu tinha a minha dor, mas eu também tinha infraestrutura. A maioria dessas mães nem entendiam o que os médicos falavam”, conta. E ainda assim, apesar das diferenças, ela se via nas outras mães. “Existe um olhar, mãe de UTI olha diferente”, tenta explicar. 

Quando teve alta, em dezembro, Helena pesava 1,8 quilos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Se com um bebê nascido de 40 semanas, ninguém pergunta como a mãe está, imagina se tratando de prematuros que vivem um dia de cada vez nas UTI’s. “As pessoas não se lembram das mães, elas só querem saber dos bebês. Ali, eu tinha que fazer alguma coisa para ajudar essas mulheres que estão esquecidas”. E assim nasceu “mãe coragem”. Nome escolhido para ajudar as mães de UTI com o básico.“Elas são mães corajosas, porque você sabe que tem que ser forte para enfrentar. Você tem que ter coragem para chegar lá, porque você sai de lá com uma coisa e em meia hora, tudo pode ter mudado”, traduz o que significa ser mãe assim. 

Muitas das corajosas que Denise acompanhou nem moravam em Campo Grande. Não tinham apoio familiar e algumas tampouco dispunham de materiais de higiene para si e fraldas para os bebês. “Comecei a comprar e fazer kits. Um bebê prematuro gasta por dia 10 fraldas”, contabiliza.

Helena teve alta no dia 22 de dezembro. Saiu da Santa Casa, onde nasceu com 530g, para casa com 1,8 quilos e dividindo com as irmãs que se foram a responsabilidade de terem mudado a mãe para sempre. “Elas me ensinaram a ter fé, gratidão, amor incondicional. A entregar tudo e saber que o outro dia pode ser melhor”, reflete Denise. 

Em casa, Helena posa com os kits que a mãe monta para o projeto "Mãe Coragem". (Foto: Arquivo Pessoal)

A família vive uma sucessão de dias melhores. Hoje, Helena tem 7,6 quilos. “Minhas filhas não morreram em vão. Eu quero que elas tenham orgulho de mim, vejam o que me tornei”.  A mãe não teve tempo de viver o luto, porque Helena precisava que ela fosse forte e também nunca mais voltou ao cemitério. Trocou as flores que deixaria ali pelos bolos que compartilha em festinhas com crianças no bairro Bom Retiro. 

Para ajudar Denise no projeto, basta entrar em contato pelo WhatsApp 98115-9499.

Os bolos que a família leva às festinhas que realiza pelo aniversário de Helena, no bairro Bom Retiro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Diálogo

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (5)

05/11/2026 00h02

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje Foto: Arquivo

Continue Lendo...

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).