Nos últimos tempos, a discussão acerca do porte de armas no Brasil vem ganhando muito espaço nas redes sociais e na política. Infelizmente, tiroteios em massa são manchetes comuns em países como os Estados Unidos, onde as leis armamentistas são mais brandas. A nova produção original da Netflix, “Cartas de Dunblane: Sua escola, seu massacre, nossas lições”, estreia na plataforma dia 28 de setembro e mostra as cicatrizes deixadas por essas tragédias na população.
Dirigido por Kim A. Snyder - premiada pelo seu documentário “Newton” -, o filme emplacou o prêmio de melhor curta documentário no Festival de Cinema de Tribeca desse ano (2018), no qual fez sua estreia mundial. O curta dialoga com a questão armamentista de um ponto de vista um tanto inusitado: a dos padres responsáveis pelo enterro das vítimas colecionadas com as tragédias.
O massacre de Sandy Hook foi um tiroteio que ocorreu na escola primária americana em Newtown, Connecticut, no dia 14 de dezembro de 2012 e matou 28 pessoas, dentre as quais 20 eram alunos. O documentário vai acompanhar o padre Bob Weiss, responsável por enterrar oito das crianças vítimas da tragédia, em sua jornada de recuperação após o trauma que abalou toda comunidade. Uma figura muito importante nesse contexto foi o padre escocês Basil O’Sullivan, que o contatou por meio de uma carta.
Nela, Basil oferecia ajuda a Weiss e a toda a população de Newtown. O clérigo já havia passado por uma experiência parecida em Dunblane, em 1996, onde 16 crianças foram mortas por um único atirador, e sabia o quão devastador era um acontecimento tão horrendo quanto esse.
Assim, os padres vão desenvolver uma forte amizade, pano de fundo para uma importante questão levantada pelo documentário: enquanto a tragédia em Dunblane levou a uma reforma na política armamentista do Reino Unido, os Estados Unidos nada fizeram para remediar essa situação. Talvez por conta disso tenham ocorrido mais de 18 atentados armados a escolas norte-americanas em 2018.