Há 10 meses, a designer de papelaria Adriana Garcia de Souza, 41 anos, paulistana radicada em Campo Grande há mais de 25 anos, recebeu a notícia que nenhuma mulher está preparada para ouvir: “Sim, você está com câncer de mama”. Foi então que a ficha caiu, pois, até aquele momento, a mãe de um menino de 10 anos acreditava que, a exemplo do que havia ocorrido há 25 anos, os nódulos apresentados eram benignos.
“Quando eu tinha 25 anos, num exame de rotina, descobriu-se que havia um nódulo no meu seio direito. Após uma biópsia, constatou-se que era benigno, mas a orientação era para que eu fizesse acompanhamento futuro”, explica Adriana.
Os anos foram passando e ela, neste período sem plano médico particular, descuidou da saúde, deixando de fazer mamografia ou mesmo ultrassom das mamas. “Eu me preocupava apenas em fazer o exame ginecológico preventivo”.
Após algum tempo, num autoexame, percebeu outros nódulos na mesma mama e acreditou que a história se repetiria. “Pensei que eram benignos, como aquele anterior, e não fui procurar ajuda. Apenas quando senti a parte do seio mais rígida e a dor começou a aparecer é que procurei o médico”. Foram constatados três nódulos malignos, que já estavam ali há pelo menos cinco anos e de tamanho consideráveis. “No fim do ano passado, eu me submeti a sessões de quimioterapia e, só depois, à retirada total do seio direito”, conta Adriana.
Como ela, muitas mulheres deixam de procurar ajuda ou nem sequer fazem o autoexame para reconhecer possíveis nódulos. Por isso, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama é o foco da campanha internacional Outubro Rosa. O nome da campanha remete à cor do laço que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, de empresas e entidades: o rosa. Durante todo o mês, monumentos por todo o País se iluminam com essa mesma cor.
A mobilização mundial também chama atenção para dados alarmantes. No Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres – 960 casos novos de câncer de mama, de acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Este tipo de câncer é o mais comum entre as mulheres no mundo e o segundo no Brasil, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano no País.
“Nunca achamos que vai acontecer com a gente; é algo de que ouvimos falar, mas parece tão distante, que acontece com outras pessoas, mas com a gente, não. Só que não é assim. Acontece, sim, e não escolhe idade. Por isso, aconselho as mulheres a fazerem rotineiramente o autoexame e a mamografia, procurar o médico, não deixar nunca para depois, não acreditar na sorte”.
CALENDÁRIO 2019
Para marcar o mês dedicado a esta prevenção, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande lançou ontem, durante evento na ala nova do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, o calendário 2019, que reúne 12 mulheres em tratamento contra o câncer ilustrando os meses do ano. O evento contou com a participação da dupla Munhoz e Mariano, apoiadora da causa.
A designer Adriana Garcia de Souza é uma das que enfeitam o calendário. “É uma maneira de ajudar a Rede Feminina, com a renda arrecadada, e também mostrar a nossa fé e luta contra a doença e alertar para a necessidade da prevenção”.
A presidente da Rede Feminina, Magda Braz Alves, reforça: “Este é o lema da campanha este ano: se toque, tanto no sentido da mulher ficar atenta quanto de tocar seu seio, apalpar a mama. Infelizmente, hoje, o câncer de mama é o que mais mata mulheres no mundo. Nossa campanha é para mostrar que é muito mais fácil prevenir do que se tratar”.
Para adquirir um calendário, basta se dirigir à Rede Feminina, que funciona dentro do Hospital Alfredo Abrão, ou, até sexta-feira, ao Shopping Pátio Central. Eles saem a R$ 10 cada um.
A Rede Feminina é um local de apoio a mulheres com câncer atendidas pelo SUS, que oferece a elas suporte emocional e estrutural (Casa de Apoio), além de acesso a perucas, lenços e sutiãs especiais.
RASTREAMENTO
Uma pesquisa realizada por médicos da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, mostra que o porcentual de cobertura mamográfica de 2017 nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o menor dos últimos cinco anos. Eram esperados 11,5 milhões de mamografias, mas só foram realizados 2,7 milhões – uma cobertura de 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em vez dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com 5 mil realizados, quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram feitos. A dificuldade para agendar e realizar a mamografia, equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados são os principais motivos para o baixo número de exames.