O diretor do filme "Crime Barato", Miguel Horta se pronunciou quanto à polêmica criada por pais nas redes sociais depois da exibição do longa na Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, em Campo Grande. Miguel explica que denuncia a questão das travestis dentro de uma discussão legal e elegante e nega que tenha baixaria ou cenas de sexo explícito.
"Eu insinuo que as travestis transam com homens casados e isso é uma realidade. Peguei dos depoimentos, o problema é que a realidade choca", disse. O diretor ainda defende que está sendo vítima de um conservadorismo total e absoluto e que o episódio está inserido num contexto político. "Iam pegar no meu filme de qualquer maneira. Estamos diante de uma questão política", ressalta.
A mensagem que Horta quer passar é da vida e a rotina das travestis que convivem com o preconceito diariamente. "A mensagem do filme é linda, as pessoas choram, se emocionam, torcem pelas personagens. O que eu expus e que as pessoas ficaram enlouquecidas é que eu mostro o que é a vida delas, como fazem e isso incomoda muito o povo que é enrustido e conservador".
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
O diretor afirma que a classificação indicativa do filme é de 14 anos, no entanto, a SED (Secretaria Estadual de Educação) informou que não localizou o registro na Ancine (Agência Nacional do Cinema) e por isso abriu procedimento administrativo para apurar. A Secretaria confirmou que o filme foi exibido de forma livre, sem obrigar nenhum aluno a permanecer em sala e para estudantes entre 14 e 16 anos.
O filme aborda a temática do mundo LGBT, seus conflitos, sofrimentos, alternativas, relações e até mesmo o preconceito que existe no próprio meio. Em 95 minutos, o longa mostra a relação conturbada de Michael, vivido pelo ator João Pedro Xavier e Elias, interpretado pelo ator Diogo Adriani. Os dois são namorados, mas acabam se afastando. Quando se reencontram Michael tem uma grande surpresa e decide romper de vez por não aprovar o que vê, mostrando que também há preconceito dentro do mundo LGBT.
“Crime Barato” ainda apresenta a difícil relação de Elias com sua família, por sempre ter apresentado gostos voltados ao universo feminino, e também as dificuldades que Michael enfrentou com sua irmã, e sua bonita relação com a mãe. Mhiguel buscou trabalhar muito a sensibilidade, e transformando estereótipos como gays, drags, travestis, pessoas trans em personagens cheios de possibilidades, sem o foco na ênfase sexual.
O roteiro surgiu a partir de vivências pessoais do diretor. As gravações começaram de modo colaborativo e todos os atores que participaram do filme são de Campo Grande. No elenco estão Camila Brito, Patrycia Andrade, Beth Terras e, também participam do longa drags, travestis e pessoas transgênero. “É importante abrir espaço para pessoas que vivem à margem da sociedade. A maioria das pessoas que conversei tiveram dificuldade em serem aceitas, por isso a visibilidade para eles é primordial, para que possam se enxergar”, frisou o diretor à época do lançamento.