Em todo o Estado, 1.916 decificentes visuais terão a oportunidade de votar nessa eleição. O que os ajuda a votar é o braile das teclas da urna eletrônica. Telmas Nantes de Matos, vice-presidente do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (Ismac) Florival Vargas, afirma que as urnas ajudam, e muito, os que têm baixa ou nenhuma visão.
Judoca com medalha de ouro na bagagem, a atleta paralímpica Michele Ferreira, de 33 anos, tem baixa visão. Somando os dois olhos, são 15% da vista e, se aproximando bem das teclas, ela consegue enxergar os números para votar neste domingo.
Michele é parte dos 11,6% do eleitorado de Campo Grande que é deficiente visual, segundo o TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul). A porcentagem revela 989 eleitores só na Capital. Em todo o Estado, este número chega a 1.916.
O que ajuda a atleta a votar é o braile das teclas, marcando onde está cada número.“As pessoas normalmente sabem lidar com teclado numérico, pois ele é o mesmo que se usa no dia a dia, seja de telefone, de banco, que tem marcado o número 5, mas na urna tem o braile”, observa.
Com título de eleitora desde os 18 anos de idade, a atleta costuma ouvir as propostas dos candidatos na mídia e também se atenta às discussões que o Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos) Florival Vargas realiza em relação à inclusão do deficiente visual nos programas eleitorais.
Neste domingo, para chegar até a sua sala de votação, Michele vai sair perguntando aos eleitores que encontra no caminho o número que as salas apresentam. “Como todo mundo me conhece, então é mais fácil”, comenta.
ISMAC
Historicamente, desde a sua fundação, em 1957, o Ismac é zona eleitoral para os deficientes visuais e a comunidade em geral. “Mas hoje cada pessoa vota na sua origem, próximo à sua casa”, explica a vice-presidente do Ismac, Telma Nantes de Matos, de 51 anos.
O TRE/MS disponibiliza a urna em braile, além do fone de ouvido para que o deficiente visual acompanhe o voto sonoramente.
“O Tribunal tem essa preocupação de disponibilizar listas em braile e também colocar a seção onde a pessoa vota em lugar acessível, apesar que ainda há muito a se conquistar nesta questão, sempre precisamos de algo a mais”, completa Telma.
Nos anos anteriores, o Instituto realizou treinamento para os assistidos de como votar, mostrando a ordem dos candidatos.
“Quando você toca na urna, ela já fala, qual seu voto para deputado federal? Aí a urna fala: ‘você votou para deputado federal, agora escolha qual voto para... E assim por diante”, explica.
Apesar do recurso sonoro e do braile, a representante do Ismac ressalta que muitos espaços não têm acessibilidade arquitetônica. “Ainda buscamos essa questão, principalmente para aqueles que usam cadeira de rodas”, destaca.
Como cidadã, Telma conta que escolhe o candidato levando em consideração o total das propostas e também a preocupação dele com a garantia dos direitos da pessoa com deficiência.
“Isso é bastante importante e há de se dizer que a maioria dos presidentes falam bem pouco e eles têm que ter este olhar para o segmento: são 23,9% da população brasileira com deficiência, segundo o IBGE”, pontua.
COMO VOTA O ELEITOR CEGO?
Para votar, serão assegurados ao eleitor com deficiência visual: a utilização do alfabeto comum ou do sistema braile para assinar o caderno de votação ou assinalar as cédulas, se for o caso; uso de qualquer instrumento mecânico que portar ou lhe for fornecido pela mesa receptora de votos; uso do sistema de áudio, que poderá ser habilitado na urna pelo presidente de sua seção eleitoral, no momento da votação (sem prejuízo do sigilo do voto); uso da marca de identificação da tecla número 5 da urna.