"E de repente
As cores aumentaram
Os interesses mudaram
As incertezas partiram
E o amor floresceu
Quando tudo se fez novo
Já não me importa quem fui eu
E um único mistério ainda não se esclareceu
Como é possível amar tanto
Alguém que ainda nem nasceu?"
Esta foi umas das primeiras poesias que Alice ganhou do pai, Borá, antes mesmo de nascer, quando ainda estava na barriga e a família nem ao menos sabia se seria menino ou menina. "Para Nossa Alice" é o projeto que Borá e a esposa Lara desenvolveram desde que souberam que seriam pais.
O casal não era do meio artístico, mas sempre se identificou muito com as palavras como expressão dos sentimentos. "Quando soubemos que era menina, já definimos o nome e o blog para deixarmos para ela", conta o empresário Borá Nogueira, de 31 anos.
A ideia era deixar como lembrança futura o sentimento que o pai tem hoje. "Aquela velha lenda: deixar algo que não seja o que falaram e sim o que a gente fale, algo 100% nosso", explica.
As poesias ganharam espaço nas redes sociais para então chegar à primeira mostra: "Exposição de poesias “Para nossa Alice”, de Borá Nogueira, que ocupa as paredes do Fran's Café, até o dia 20 de outubro.
Vindo do mundo do Direito, Borá trocou o trabalho de assessor jurídico pelo mundo montessoriano e de aperfeiçoamento familiar junto da esposa. A vontade de ser pai sempre esteve "ela é a cereja que eu esperava do bolo para a minha vida" foi o que serviu de inspiração para que o amor fizesse a rima. "Nunca li um livro de poesias, não era um negócio que eu já fizesse, surgiu por causa da Alice", recorda.
Pelas frases, o pai declara todo o seu amor à filha e também passa para a poesia aquilo que absorveu ao longo dos dias. A menina, que fará 3 anos em uma semana, ainda é pequena no tamanho e na idade, mas responde "Ah, que amor" às poesias curtinhas declamadas pelo pai.
"Imagino que ela enxergue como um ato de amor, um carinho para ela, uma vontade de eternizar o que a gente sente. Ela já sabe que é uma poesia e às vezes eu recito para ela", descreve Borá.
Ao público, o que o pai quer passar é inspiração sem julgamentos e plantar a semente de que qualquer um pode escrever poesia. "Não me considero um poeta, eu vejo muito o pensamento de que você não pode fazer as coisas porque você não é aquilo e, no fundo, no fundo, a gente não é nada. Somos seres humanos querendo ser amados e amar", resume.
A exposição segue até o dia 20 de outubro (próximo sábado), no Fran's Café. A entrada é gratuita. O café fica na Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, 2.453 e funciona das 7h30 às 23h, diariamente. As poesias de Borá também estão no site www.paranossaalice.com.br e no Instagram.