A militância nas redes sociais e grupos de WhatsApp foi tamanha que quem não saiu de nenhum grupo ou não excluiu ninguém das redes sociais é que deveria ser considerado vitorioso. Se de um lado há quem tenha lutado para "virar voto", eleitores tiveram de conviver com a enxurrada de fake news que atingiam especialmente os grupos de família.
Advogado, Paulo Alberto Doreto não saiu de nenhum e nem deixou nenhum amigo na "soneca", mas percebeu que foi excluído, e olha que ele é dos que menos fazia postagens. "Acho que falei alguma coisa que não agradou".
No grupo de Whats da família, os dois irmãos mais novos saíram sob o argumento de que havia perdido a finalidade das conversas ali. "Meu primo excluiu meu tio porque era do PT", completa.
Laboratorista, Paulo Rorato, de 39 anos, sabe de cabeça quem vota em quem dos grupos de amigos e família. Só do Whats, saiu de pelo menos três. "Só o fato de ser política, eu já não estava mais querendo saber. Estava forçando demais a cabeça da gente, todo mundo já tem seu candidato, não precisa ficar lembrando. Eu praticamente sabia quem ia votar em quem", compartilha.
Irmãos, Bruna e Luan Dutra de Carvalho, não excluíram e nem brigaram nas redes sociais. No entanto, ele percebeu amigos a menos. "Mas me excluíram do Facebook, acredita? Eu compartilhava sim, divulgava... Só fui ver depois, é porque a pessoa era do contra", diz.
Passadas as eleições, vai precisar de muito "bom dia" para trazer a união de volta aos grupos.