Correio B

CORUMBÁ

Poder público será responsável por conservação de Instituto Luiz Albuquerque

Acervo histórico tombado em 2002 está em mau estado de conservação

Aline Oliveira

15/11/2018 - 10h35

O Governo do estado de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Corumbá ficarão responsáveis por diagnosticar e indicar medidas emergenciais de correção, em prol da manutenção do Instituto Luiz Albuquerque (ILA), localizado no município. O local foi tombado em 2002, em razão do acervo literário e cultural, mas, a precariedade na conservação coloca em risco a integridade do patrimônio existente.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou a ação pública solicitando intervenção do executivo estadual e municipal. No caso da prefeitura de Corumbá, foi solicitado a elaboração de relatórios sobre o atual sistema de alarme de incêndio, aliado a um plano de combate ao fogo, que deve ser supervisionado pelo Corpo de Bombeiros (governo do Estado).

Conforme ação civil, os responsáveis deverão ainda,   apresentar um plano de risco sobre o ILA. Como forma de preservar a integridade dos bens culturais, o MPF também pediu a restrição da exposição das peças, para que não haja qualquer risco à deterioração dos objetos por parte de pessoas desautorizadas e pelo público externo. Tais medidas deverão ter início dentro do prazo de 30 dias, a partir da intimação. 

Dentre os pedidos definitivos da ACP estão a elaboração, por parte do Município, Estado e União, de um Plano de Gestão de Conservação do ILA, com medidas de intervenções futuras, e também a instauração de Planos de Pânico e Incêndio. 

Outro pedido é o de início da restauração do prédio por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no programa de Cidades Históricas, com repasse de verbas pela União e a execução das obras pelo Município e Estado. Também foi solicitada a instalação de uma infraestrutura que possibilite o bom aproveitamento da função social do museu e a implementação de práticas de preservação e conservação do patrimônio histórico, por também ser competência do poder público. 

Caso não haja o cumprimento das determinações, o MPF solicitou o estabelecimento de multa diária no valor de R$ 5 mil.

ENTENDA O CASO

Em 2016, o MPF instaurou Inquérito Civil Público (ICP) para apurar o estado de conservação do Instituto Luiz Albuquerque após denúncia de um site jornalístico sobre o estado de deterioramento do museu. Entre as investigações, tomou-se conhecimento de que o patrimônio havia sido contemplado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) “Cidades Históricas”. 

No entanto, segundo o MPF, o processo caminha em passos lentos, após diversas indas e vindas de planos de execução de obras nas esferas municipal, estadual e federal. Para o órgão ministerial, o ritmo conduzido pelos órgãos envolvidos no processo é “incompatível com as medidas necessárias para a preservação, conservação e manutenção do patrimônio histórico”, o que requer medidas de caráter urgente.

Após vistorias feitas pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o MPF promoveu visita técnica ao Instituto, diagnosticando problemas ligados à má preservação do prédio. 

Desde infiltrações, bolor e deterioração do madeiramento, apodrecimento de janelas e assoalhos, até a presença de pragas e cupins, ocasionados pela falta da manutenção adequada. Segundo o relatório de visita, os acervos culturais permaneciam no prédio, expostos aos riscos provocados pela estrutura fragilizada. 

O Instituto Luiz Albuquerque guarda um acervo de mais de 40 mil exemplares de livros e acervos originários do Museu do Pantanal, Casa do Artesão e da Biblioteca Estadual. Para o MPF, “trata-se de área portadora de referência à identidade, à ação e à memória de grupos formadores da sociedade brasileira, incumbindo ao Poder Público promover a sua proteção.”

A medida integra a ação nacional “Ministério Público em defesa do Patrimônio Histórico e dos Museus Brasileiros”, que envolve Ministérios Públicos de todo o Brasil objetivando, juntamente de órgãos de proteção, o corpo de bombeiros e diretórios de museus, a tomada de decisões necessárias ao levantamento de ações de curto, médio e longo prazo para a preservação do patrimônio cultural nacional.

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