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SAÚDE

Diabetes: a doença silenciosa que atinge mais as mulheres

É preciso pensar menos em sintomas e mais em prevenção e exames

Novembro está terminando e foi marcado por ações voltadas para a prevenção de alguns problemas de saúde, desde o câncer de próstata (Novembro Azul)  até o diabetes. Esta última é a mais comum das doenças não transmissíveis, silenciosa, com elevada prevalência e incidência crescente. O diabetes já atinge cerca de 415 milhões de pessoas em todo o mundo e continua a aumentar em todos os países, estimando-se que, em 2040, haja um aumento para 642 milhões de pessoas atingidas pela doença.

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos e atinge atualmente quase 13 milhões. Segundo dados de pesquisas, a população com a doença passou de 5,5% para 8,9%. As mulheres apresentam maior índice comparado aos homens (5,4 milhões para 3,6 milhões). A maior incidência é na faixa etária entre 65 e 74 anos (19,9%) e a menor, na idade entre 18 e 29 anos (0,6%). Mas, para os que têm mais de 75 anos, o porcentual também é alto: 19,6% de prevalência da doença.

De acordo com a endocrinologista Livia Faccine, o que pode ter provocado este aumento foi a falta de cuidados de rotina com a saúde e o estilo de vida, cada vez mais, acelerado nas cidades, com pouca atenção à alimentação. “Os problemas decorrentes da urbanização, como estresse e falta de tempo, muitas vezes, levam o indivíduo à má alimentação e ao sedentarismo que, somados à predisposição genética, podem resultar em sobrepeso/obesidade. Juntos, esses são fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes, uma doença crônica e silenciosa com a qual o paciente deverá conviver durante a vida toda”, relata a médica.

O diabetes, caracterizado pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue, pode provocar uma série de danos ao organismo. Exemplos: perda da visão, impotência sexual, dificuldade de cicatrização de feridas, amputação de membros e mau funcionamento de órgãos vitais, tais como coração, rins e cérebro.

A educação é a chave para o combate à doença. Segundo os especialistas, com informação a respeito dos benefícios da boa alimentação e de hábitos de vidas saudáveis, é possível reduzir os gastos com os pacientes já diabéticos e, principalmente, evitar o aparecimento de novos casos.

TIPOS

Existem diferentes tipos da doença, mas os mais conhecidos são o diabetes tipo 1 e o tipo 2. O diabetes tipo 1 é caracterizado pela falência das células beta no pâncreas e é mais comum em pessoas com idade abaixo dos 35 anos. Já o diabetes tipo 2 ocorre por resistência à ação da insulina, tendo a obesidade como um dos principais responsáveis. A especialista explica que, no Brasil, o número de pessoas diagnosticadas com a doença é maior em faixas etárias mais altas. Além disso, entre a população com escolaridade baixa, a incidência do diabetes é quase três vezes maior porque conhecimento sobre a doença é  menor.

O diabetes também é uma das principais causas de amputações no País, conforme dados da OMS. De todas as amputações que acontecem no Brasil, 70% são em decorrência da doença. E esse problema não se limita ao território brasileiro: a cada um minuto, três pessoas ao redor do mundo são amputadas por causa de complicações do diabetes.

O Brasil é o quarto país com o maior número de adultos diabéticos. Isso resulta em um gasto anual de cerca de R$ 6,6 bilhões com pessoas com diabetes, valor 5,5 vezes maior que o custo da reforma do estádio do Maracanã.

COMO IDENTIFICAR

Livia Faccine explica que o diabetes tipo 1 pode incluir sintomas como excesso de sede, perda de peso repentina e acelerada, fome exagerada, cansaço, vontade de urinar com frequência, problemas na cicatrização, visão embaçada e, em alguns casos, vômitos e dores estomacais. 

Já o diabetes tipo 2 é o tipo mais comum. A maioria dos casos não apresenta sintomas, exceto quando a glicemia está muito elevada, aí pode apresentar os mesmos sintomas do diabetes tipo 1.

Números divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o diabetes afeta mais mulheres do que homens. “O diabetes exerce um impacto maior nas artérias femininas do que nas masculinas. O fato é comprovado cientificamente, mas ainda não se sabe a razão”, relata a médica.

Há 10 anos, a auxiliar administrativa Fabíola Pereira de Assis, 35 anos, recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1.“Passei por acompanhamento psicológico por nove anos. Muitas pessoas reagiram como se eu não fosse durar muito tempo, mas não é bem assim. Com os cuidados com a alimentação, atividade física e a medicação dá para ter uma vida quase normal”, declarou. 

Ela reconhece que nem sempre segue à risca as recomendações médicas, mas se mantém atenta à alimentação do filho Arthur, 2 anos. “Tenho sorte que ele não gosta de muitas coisas com açúcar, como bolachas recheadas. Adoço os sucos com adoçante ou sirvo natural”, explicou.

IMPOTÊNCIA SEXUAL MASCULINA

O aumento da quantidade de açúcar no sangue, em médio prazo, pode causar lesões nos vasos sanguíneos e nervos, que são os principais elementos responsáveis pela ereção do pênis. “O tratamento do diabetes, assim como o controle do peso e da pressão arterial, é muito importante para a melhora da ereção. Como, em alguns casos, a disfunção sexual de origem diabética pode apresentar também fatores psicológicos, torna-se necessário um apoio psicológico, inclusive de seu médico e da parceira.” explica Faccine.

O primeiro passo para o paciente diabético que esteja sofrendo com a impotência é controlar os níveis de açúcar no sangue de forma rápida e efetiva. Com medicamentos e mudança no estilo de vida, o paciente pode reassumir a atividade sexual, diminuindo os sintomas da impotência. “Todo homem deve ter em mente que o diabetes é uma doença silenciosa e quando começam a aparecer os sintomas de disfunção erétil é porque a doença já tem alguns anos de evolução. Após os 40 anos, é recomendável consultar regularmente um urologista. Se o médico detectar alguma alteração na glicemia, será solicitado um acompanhamento endocrinológico para iniciar um tratamento preventivo, com o intuito de evitar transtornos no futuro”, explica a endocrinologista.

Estudos internacionais apontam que 50% dos homens relatarão algum episódio de impotência sexual nos seis primeiros meses após o diagnóstico de diabetes. Mesmo assim, a impotência sexual pode ser bem controlada em quase todos os homens portadores da doença.

Complicações cardiovasculares são a maior causa de morte em diabéticos no Brasil e no mundo, embora apenas 56% dos pacientes saibam que a doença pode trazer riscos cardíacos, segundo pesquisa realizada em 2017, pelo Ibope. “As chances de consequências como infarto e derrame (AVC) são de duas a quatro vezes maiores na pessoa com diabetes”, explica o endocrinologista Alexander Benchimol. “Isso porque a resistência à insulina, combinada a outros mecanismos, pode causar alterações nos vasos sanguíneos, aumentando a predisposição a essas complicações”, completa.

Colesterol alto e hipertensão também são comorbidades frequentemente associadas à doença. “A presença desses fatores torna ainda mais importante o acompanhamento médico regular e a adoção de hábitos de vida saudáveis”, pontua o médico. 

Junto do tratamento medicamentoso, que será escolhido de forma individualizada pelo endocrinologista, é preciso manter uma dieta que ajude no controle da glicemia. “Além disso, a prática regular de exercícios físicos diminui a resistência à insulina, potencializando o tratamento”, afirma.

Embora o diabetes seja uma doença crônica, é possível viver com qualidade de vida e controlá-la, com o tratamento correto. 

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Embora o diabetes seja uma doença crônica, é possível viver com qualidade de vida e controlá-la, com o tratamento correto. O mais importante é que a pessoa entenda a doença e a importância de seu controle. O tratamento inclui medicações de uso oral e opções injetáveis, como a insulina. Há vários tipos de insulina no mercado, algumas de ação rápida, outras de ação lenta, e a combinação delas é necessária em alguns casos. Associado ao uso das medicações, é preciso fazer uma dieta com carboidratos complexos (farinha integral e sem açúcar), perder peso – quando for o caso – e realizar atividades físicas, tanto aeróbicas quanto anaeróbicas.

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