Correio B

CRUZEIRO

Terraplanistas planejam viagem até a 'borda da Terra' com GPS

O problema é que o GPS se baseia no fato de a terra ser redonda

Redação

17/01/2019 - 13h32
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Terraplanistas de todo o globo (ou "disco", segundo os próprios) terão a chance de embarcar num navio rumo ao que seria a borda da Terra. O cruzeiro deve acontecer em 2020 e será organizado pela Conferência Internacional da Terra Plana (FEIC, na sigla em inglês).

Mas ao menos um grande problema os aguarda: todos os sistemas de navegação de navios de cruzeiro se baseiam no fato de que a Terra é redonda. O GPS (global positioning system) só funciona por causa do formato aproximadamente esférico do nosso planeta.

O jornal The Guardian entrevistou um ex-capitão de navio de cruzeiros, Henk Keijer, que viajou por todo o globo por 23 anos.

Segundo ele, somente a existência do GPS seria prova suficiente de que a terra é redonda -24 satélites que orbitam a Terra são usados para fornecer informações que permitem a navegação. No mínimo três são necessários para fornecer uma posição correta.

"Se a Terra fosse plana, um total de três satélites já seria suficiente para prover esse tipo de informação para todos. Mas não é, por que a Terra é redonda."

Segundo uma das principais correntes do terraplanismo, a Terra seria um grande disco e a borda dele seria a Antártida.

Na verdade, essa representação em origem na projeção azimutal partindo do polo norte -trata-se de uma entre tantas formas de representar a superfície do globo terrestre em uma folha de papel.

A Sociedade da Terra Plana afirma que as diversas agências espaciais do mundo estariam mentindo sobre o formato do planeta para falsificar as viagens espaciais.

"Isso provavelmente começou na corrida espacial durante a Guerra Fria, na qual a União Soviética e os EUA estavam obcecados em vencer o outro. Depois do fim da Guerra Fria, no entanto, a conspiração é provavelmente motivada mais pela ganância do que ganhos políticos, com uma parte do dinheiro sendo usada para viagens espaciais falsas e roubando um monte de dinheiro", diz a Sociedade da Terra Plana (Flat Earth Society, no original).

Na verdade, sabe-se que a terra é redonda ao menos desde 250 a.C, quando Eratóstenes calculou o raio com a partir das informações como distância entre duas cidades e o ângulo em que o sol batia nelas em determinado instante. A medida foi bastante próxima da real -6.371 km em média (já que a Terra não é uma esfera perfeita).

Nesse sentido, seria até impróprio dizer que os terraplanistas têm um conceito medieval sobre o formato da Terra, já que naquela época as pessoas bem-informadas já não acreditavam em um mundo plano.

Quanto ao cruzeiro, caso a organização queira recrutar uma tripulação favorável aos pontos de vista terraplanísticos, pode ter algum trabalho. "Eu viajei 2 milhões de milhas e não encontrei nenhum capitão que acreditasse que a Terra é plana", disse Keijer.

Cinco argumentos contra esse papo maluco da Terra-pizza

ECLIPSES DA LUA
O único jeito de explicar os eclipses lunares é o alinhamento entre Sol, Terra e Lua, de tal maneira que a sombra da Terra é projetada sobre o satélite natural. Essa sombra, veja você, é redonda -o que só é possível se a Terra for uma esfera, não uma tábua de frios

CIRCUNAVEGAÇÃO
Desde o começo do século 16 os navegadores -e, desde o século passado, os aviadores- sabem que dá para sair de um ponto do planeta e avançar em linha reta toda vida até retornar ao mesmo lugar de onde vieram. Isso só é possível num planeta redondo

FUSOS HORÁRIOS
O único jeito de explicar as diferenças de horário entre lugares distantes na Terra é por meio da rotação e do formato esférico do planeta. Se o Sol iluminasse alguns lugares primeiro e outros depois, feito um holofote, seria possível vê-lo num canto do céu mesmo à noite

OUTROS PLANETAS
Não é só foto da Nasa: desde o século 17 até a mais humilde luneta mostra que outros planetas e satélites costumam ser esféricos. Por que só a Terra seria a exceção?

ESTRELAS NO CÉU
Se estivéssemos todos em cima de um tampo de mesa de proporções planetárias, todos veríamos as mesmas constelações no céu. Como a Terra é um globo, quem mora em Nova York não consegue ver nosso Cruzeiro do Sul, enquanto os moradores de São Paulo não conseguem ver a estrela Polar, da constelação da Ursa Menor

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