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Com vários gêneros, Arnaldo Antunes & Trio vem a Campo Grande

Com vários gêneros, Arnaldo Antunes & Trio vem a Campo Grande

Redação

18/02/2019 - 09h00

No sábado, dia 23, é dia de ir ao show “RSTUVXZ”, de Arnaldo Antunes & Trio. E, se a dúvida é sobre o que vai rolar, pode-se resumir em algo assim: música brasileira benfeita. No palco, o paulistano e ex-Titã Arnaldo Antunes recomeça a turnê iniciada ano passado e interrompida por conta dos compromissos do outro projeto sobre o qual se debruça, os Tribalistas. 

A entrevista com o músico, cantor, compositor e poeta foi feita via celular, utilizando-se a ponte tecnológica Campo Grande-Los Angeles (EUA), onde ele, Carlinhos Brown e Marisa Monte estavam se apresentando. “Fiz poucos shows do ‘RSTUVXZ’ no Brasil. Agora que estamos no fim da turnê dos Tribalistas é que vou retomá-la”.

No show, Arnaldo Antunes & Trio apresenta quase todas as músicas do disco de mesmo nome, lançado em maio do ano passado, no qual o cantor e compositor paulistano expõe afinidades, atritos e contrastes entre rock e samba, ritmos dominantes no repertório autoral. “Neste show, eu toco quase todo o repertório deste novo disco, ficam umas três músicas de fora. E, claro, fui buscar também na minha carreira coisas que conversavam com esta história do contraponto entre rock e samba. Então, tem a música do Noel Rosa que eu gravei com ritmo de rock’n’roll – ‘A Razão Dá-se a Quem Tem’ – e, ao mesmo tempo, tem um rock exagerado do Cazuza, que eu gravei como bossa-nova no disco ‘Paradeiro’. Além de alguns sambas meus mesmo,  como ‘Alegria’, ou rock como o ‘Fora de Si’, buscando algumas coisas que combinassem com o conceito deste novo trabalho”.

Há tempos, o ex-Titã vinha alimentando a ideia de gravar um disco atritando sambas e rocks – juntos, mas sem dar as mãos. “Quis fazer um disco abordando as diferenças entre rock e o samba – caracterizando bem o rock do samba e alternando eles. Não é um disco de fusão, coisa que já foi feita muito bem no Brasil  por Jorge Benjor, Novos Baianos. Enfim, muita gente já trabalhou isso e acho que foi uma conquista fazer esta mistura. Minha geração já pegou este terreno meio conquistado, com a liberdade de transitar entre os diferentes gêneros. Hoje em dia você tem isso já como ponto pacífico de onde você parte, não tem nem como caracterizar, classificar alguns artistas como Carlinhos Brown, Lenine, Nação Zumbi, se é samba, se é rock, se é maracatu ou baião. É uma mistura muito benfeita desde a geração passada. E eu me situo um pouco dentro deste universo de mistura. Mas neste disco eu quis fazer algo de atrito mesmo, de mostrar, evidenciar as diferenças entre os gêneros e, ao mesmo, tempo, mostrar que ali no fundo há uma energia muito parecida, que é uma coisa da expressividade, de encontrar o seu caminho, mas tem algo ali similar”.

SOLO

“RSTUVXZ” é o primeiro álbum solo gravado em estúdio pelo ex-Titãs Arnaldo desde  “Já É” , editado há quatro anos. O disco foi gravado ao longo de dez dias, em março de 2018, num estúdio onde o artista se isolou para dar forma ao álbum feito com o toque da banda integrada pelo próprio produtor Curumin (bateria e programações), com André Lima (teclados), Betão Aguiar (baixo), Chico Salem (guitarra) e Edgard Scandurra (guitarra e vocal). 

Sobre o porquê delimitar a fronteira do rock e do samba, o compositor explica: “A intenção do trabalho era fazer um disco de atrito, de fricção, tanto é que eu não quis fazer um disco com uma sequência de rock e outra de samba. Fiz um rock e um samba. E os rocks são rocks mesmo. Tem um até da época dos Titãs em parceria com o Marcelo Frommer – ‘Se Precavê’. E os sambas também são bem sambas. Quis fazer um disco que evidenciasse mesmo as diferenças, o universo de cada gênero. Esta coisa de liberdade para transitar entre as diferenças, que é algo muito importante de ser afirmado nos tempos de hoje, de tanta intolerância, convivência com a diferença, e o choque de passar de uma coisa para  a outra e, ao mesmo tempo, tudo tem sua riqueza. Tanto o rock quanto o samba trazem energias parecidas”.

Mesmo contabilizando – por enquanto – poucas apresentações deste show, Arnaldo Antunes fala com alegria sobre a receptividade do público a essa produção. “Para mim surpreende como o público recebe bem ter muita coisa diferente, passar de uma energia para outra no show como no disco, e como as pessoas assimilam isso sem trauma, com muita naturalidade, sair de um rock para um samba. É um show quente e animado, e eu tenho gostado muito de fazer”.

Sobre o lado escritor, Antunes conta que, no momento, não tem nenhum projeto pronto para um novo livro. “Mas estou sempre escrevendo minhas coisas, rabiscando meus poemas, meus rascunhos e em alguma hora vou juntar isso num novo livro. Faz tempo que eu lancei um livro de poesias, o ‘Agora aqui Ninguém Precisa de Si’. Então, agora já estou começando a ter uma coceirinha de querer pensar num novo volume, relacionar os poemas. Mas isso é um processo demorado e não tem prazo”.

SERVIÇO

Dia 23 de fevereiro, (sábado), às 21h, 
no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

Ingressos:
– Setor B: R$ 180/meia R$ 90.
– Setores A/C/E: R$ 150/meia R$ 75.
– Setores D/F – R$ 120/meia R$ 60.

Onde comprar: estande no Shopping Campo Grande – 2º Piso, em frente à loja Riachuelo. 
Informações: (67) 3326-0105 ou no https://www.pedrosilvapromocoes.com.br.
Classificação: 12 anos.
Assinantes do Correio do Estado têm desconto de 50% no ingresso.

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