De uns anos para cá, Brasil afora e também em Campo Grande, a folia promovida por blocos carnavalescos na rua aumentou significativamente. Na Capital, a festa animada pelo Cordão Valu e Capivara Blasé (blocos dos sujos), na Esplanada Ferroviária, a cada ano arrasta mais e mais foliões. Os blocos da Associação de Blocos e Cordões Carnavalescos (Ablanc) também contam com centenas de adeptos. Confira, nesta página, as opções para este Carnaval dos blocos.
ABERTURA
Quem abre alas amanhã é o Bloco Evoé Baco, criado por Fernando Cruz, do Imaginário Maracangalha, há oito anos. É sempre ele quem inicia os trabalhos carnavalescos dos blocos da cidade. A concentração começa a partir das 18h, na sede do grupo teatral (Rua Nicolau Fragelli, 86). Às 19h30min, começam os rituais de axé para Baco e, às 20h, Evoé e demais blocos percorrem as ruas do Bairro Amambaí, sempre ao som da Orquestra Vai quem Vem. A parada final é o Bar Bola Sete (antiga Rodoviária), onde a festa segue ao som da Anarco Charanga. No local, haverá a 3ª Gira das Marchinhas.
ESPLANADA FERROVIÁRIA
No sábado, é a vez do Cordão Valu. No 13º desfile consecutivo, o cordão deve levar mais de 25 mil pessoas para a Esplanada, que foi o número estimado de foliões no Carnaval passado. Idealizadora, Silvana Valu é a cara do Carnaval de rua de Campo Grande e não é à toa. Além de ter sido pioneira em ocupar a Esplanada Ferroviária, é ela quem bate de porta em porta, todo ano, nos órgãos públicos em busca de alvarás para a realização do evento.
O cordão começou em dezembro de 2006, a partir do bar fundado por ela e o marido, Jefferson Contar. O Bar Valu funcionava na Rua da Imprensa com a Rui Barbosa e dali partiam poucos foliões, todos amigos entre si. O bar acabou em 2008, mas o cordão parece e merece ter vida longa.
O trajeto de cortejo escolhido pelo casal foi uma descoberta em meio às andanças no Bairro São Francisco. “A gente procurava alguma coisa que remetesse aos antigos carnavais, porque o bloco é isso. A Esplanada foi escolhida dentro do romantismo dos antigos carnavais”, explica Silvana. E o mesmo acontece nas demais capitais por todo o País, a grande maioria dos carnavais são pulados em velhos centros.
O boom do cordão aconteceu nos últimos cinco anos, quando as ruas ganharam todo o público campo-grandense, que ano passado chegou às 25 mil pessoas. Depois de toda a movimentação de 2018, o Ministério Público Estadual (MPE) cobrou da prefeitura infraestrutura, segurança, limpeza e horário para terminar a folia. Além de encerrar às 22h, o cordão não terá palco dessa vez, apenas o carro de som, de onde tocarão no sábado, a partir das 15h, a Charanga do Cordão Valu com marchinhas, a Escola de Samba da Igrejinha e Edir Valu. No último dia, terça-feira, também a partir das 15h, entram a Charanga, o Sampri e a última atração ainda não foi confirmada.
O domingo será de descanso para os blocos neste espaço e, na segunda-feira (4), será a vez do Capivara Blasé comparecer, a partir das 15h, naquele que será seu 6º Carnaval de rua. Fundado pelo ator e diretor de teatro Victor Samudio e amigos, surgiu pela vontade deles de brincarem o Carnaval, informalmente, na rua. “Foi uma iniciativa do nosso grupo de teatro, a Urgente Companhia. Todos queriam brincar e decidimos criar o bloco. No primeiro ano, participaram 200 pessoas e, de lá pra cá, começou a crescer muito mais. Ano passado, arrastamos 25 mil pessoas pelas ruas da Esplanada”, explica Samudio.
A exemplo do Cordão Valu, haverá apenas carro de som e a festa se encerra às 22h. “Teremos segurança feita pelas polícias Civil e Militar, presença de ambulância, Corpo de Bombeiros, 100 banheiros químicos e a Cruz Vermelha atuando nos primeiros socorros”, explica.
Com a folia muito mais organizada, os blocos farão até campanhas de conscientização sobre a necessidade de preservar o patrimônio histórico e cultural da Esplanada Ferroviária e também sobre assédio.
Para trabalhar durante a folia, os ambulantes se comprometeram a sair do local às 22h, para que a limpeza comece às 23h. A Semadur disponibilizará ônibus saindo da Avenida Calógeras, em frente ao Hotel Gaspar, a partir das 20h30min, em direção ao Carnaval popular, na Avenida Interlagos. “É uma forma também de redistribuir, desafogar a concentração da Esplanada”.
AVENIDA CALÓGERAS
Depois de anos sendo coadjuvantes na Esplanada Ferroviária, os blocos da Ablanc vão desfilar na Avenida Calógeras entre a Maracaju e a Afonso Pena, no domingo, dia 3, a partir das 17h. Com previsão de acabar às 3h, serão 19 blocos a se apresentar, o que deve movimentar, pelo menos, 2 mil foliões. Segundo a diretora da Ablanc, Cris Guedes, apenas dois novos blocos não estão concorrendo por serem estreantes no Carnaval: o Blue e o Nada Sobre Nós sem Nós, que faz a inclusão de pessoas com deficiência e é o primeiro a desfilar com o apoio do Ismac, Amdef Cg, Prodtea, Afapasms, Sdhu - PMCG, Caped e Associação de pais e amigos do Autista.
No desfile da Ablanc, concorrem os blocos: Tô Chegando; Tô de Olho em Você; Tô à Toa; Eu Meto o Bico; Turma do Mel; Bem-Te-Vi, Tereré; Império dos Amigos; Corujinha; Formigueiro; Vai ou Racha; Lobo Mau; Os Bambas do BH; Força do Tigre; Beber, Cair e Levantar; Amor, Vou ali; e Nuga e Amigos.
E o que seria o quarto Carnaval do bloco Vai Quem Vem ficará só na lembrança. Fundado pelo músico Vinil Moraes, se o bloco sair é em parceria com algum bar, mas sem tomar rua ou praça. “Foi muita burocracia, não tivemos tempo de correr atrás”, justificou o diretor, Vitor Hugo Maia.
CAPIVARINHA BLASÉ
Se o bloco de rua é uma das maneiras mais democráticas de se comemorar o Carnaval, os pequenos não poderiam ficar de fora. Desde 2007, o Blasé faz o Capivarinha, a matinê com pintura facial e brincadeira para as crianças. Com atividades que atendem toda a família, o bloco vai para a rua oferecendo também estrutura de fraldário e cadeiras para amamentação. “Tudo isso visando atender todas as capivaras, desde as bebês até os pais”, explica a diretora do bloco, Ângela Montealvão. A matinê começa no mesmo horário da concentração do bloco, às 15h, e segue até as 18h, horário previsto para o retorno dos foliões do cortejo.