Quem vê hoje o salão lotado de voluntários derretendo chocolate, colocando na forma e embalando, nem imagina que, antes da produção em ritmo industrial de 5 mil ovos de chocolate, havia só 10 pessoas, dentro de uma casa, seguindo a receita da mãe de uma das participantes. A vontade de ajudar foi o que multiplicou o trabalho, dando ao projeto Ser Presente 10 anos de história, mais de 22 mil ovos entregues e milhares de sorrisos compartilhados.
A ideia nasceu de um grupo de amigos da Igreja Católica Nossa Senhora de Fátima, em Campo Grande. À época, a meta era humilde, dentro do que eles poderiam realizar: somente 40 ovos.
“Era tudo bem caseiro, demorou mais de uma semana para a gente conseguir fazer. Tínhamos poucas formas, não sabíamos exatamente como fazia”, recorda o empresário Diego Nunes, hoje com 30 anos. A primeira entrega, ele se recorda, foi para as crianças do Lar Infantil Lygia Hans.
ARRECADAÇÃO
O projeto começa muito antes da Páscoa e é dividido em quatro fases, cadastramento das instituições, arrecadação de matéria-prima e de toda a logística que o grupo vai precisar – como luvas, toucas e balas –,
confecção e, por fim, a distribuição.
“Assim que vira o ano, nós já começamos a fazer algumas ações para arrecadar dinheiro. Este ano, fizemos um festival de sorvetes para fechar a lista de material”, explica Diego.
Mas é no período da quaresma que as pessoas mais se envolvem, para depois colocarem a mão na massa. A produção mesmo iniciou-se na sexta-feira, no salão da Loja Maçônica do Bairro Rita Vieira. A programação prevê três dias de trabalho intenso que reúne até grupos de outras igrejas.
Com a expansão do projeto, eles passaram a não precisar mais procurar entidades. Ao contrário disso, o Ser Presente é procurado pelas instituições ao longo do ano. Hoje, são 41 lugares cadastrados e mais uma lista de espera, para onde vão os ovos remanescentes.
GESTO
A reação das crianças diante dos ovos é de se apaixonar. Os olhinhos brilham e o sorriso se abre desde o primeiro contato com os voluntários na entrega. Mais do que brindes ou brinquedos, os pequenos valorizam mais o gesto e o gosto da solidariedade.
“Quando você vai entregar para o último, o primeiro já não tem mais. Eles recebem com uma felicidade de quem provavelmente não teria condições de comprar um ovo”, considera Diego.
E, para quem faz, o sabor é de realização. “É um pouco daquilo que a gente leva, dentro da mensagem que acreditamos, que podemos fazer as pessoas ajudarem umas as outras sem nenhum tipo de interesse”, reflete.
O ovo é de tamanho padrão, cerca de 200 g cada um, e vem “recheado” de balas, BIS e pirulito. “Para nós, é uma missão; então, não fazemos com chocolate ruim, e sim com aquela barra que a gente também gosta. Fazemos com carinho, algo que é para nossa família, nossos amigos”, ressalta.
A entrega dos ovos começa a partir de amanhã e segue até próximo da Páscoa, quando todos os cinco mil ovos já tiverem encontrado seus donos.