Uma das melhores lembranças da infância não é nem o gosto do chocolate, e sim a caçada aos ovos de Páscoa. A carinha de feliz de Marco Antônio, de dentro da toca do coelhinho, não vai ficar só na fotografia, mas na memória. Aos 4 anos, esta será a terceira vez que ele sai à procura dos chocolates, tanto em casa, como na avó, que na Páscoa passada construiu até o abrigo para o personagem desta época, uma casinha de papelão.
Na casa da família, a mãe madruga no domingo para por as pegadinhas, que este ano serão coladas no chão para que nem o cachorro Bob e nem a irmãzinha caçula Maria Fernanda, tirem do lugar sem querer.
“Nós fazemos mais pelo lúdico do que pelos doces, e também tentamos mostrar a importância da Páscoa cristã para ele”, conta a jornalista Mayara de Souza Caldeira, de 32 anos.
Como a prática se repete nos avós, a primeira caçada de Marco Antônio, assim que sai da cama, resulta num presente. Na tentativa dos pais de não incentivarem tanto o consumo de doces. “Como ele já ganha dos avós e dos padrinhos, lá em casa ele pede um presente para o coelhinho”. Já que o menininho ainda não lê, a gente pode contar aqui que as pegadinhas vão terminar num bichinho de pelúcia de um dos personagens da Patrulha Canina.
COMEÇO DA TRADIÇÃO
A lembrança não precisa fazer parte da infância dos pais para ser colocada em prática. Na casa da bióloga Andressa Piacenti, por exemplo, a tradição está começando agora, dela com o filho Miguel, de 8 anos.
Desde a primeira Páscoa do menino fora da barriga da mãe, a figura do coelhinho e dos ovos já estavam presentes.
Como a caçada se repete em todas as Páscoas, Andressa já usou de todas as técnicas para levar o filho da cama até os ovos. “Já usamos tinta guache e maisena dependendo do piso. Ultimamente tenho feito, recortado e colado as pegadinhas com dupla face”, descreve.
Por hábito, Miguel já está desde agora ansioso à espera da manhã de domingo. “Ele já sabe que o coelhinho vai vir”, brinca Andressa. A mãe insiste em manter a crença do menino enquanto puder. “O Miguel tem autismo e a gente sempre incentiva a imaginação, o lúdico. Enquanto eu puder, vou ver se a gente consegue manter na cabecinha dele, preservar isso, sabe?”, espera a mãe.
EM FAMÍLIA
Na casa de Nathália, Jean, Miguel e Murilo, a tradição é fazer os ovos de Páscoa na semana que antecede a data. A bagunça na cozinha vira brincadeira entre pais e filhos e, de quebra, ainda termina em presente para familiares.
Foi para comprar as alianças de noivado que o casal começou a fazer bombons para vender, e depois que o primeiro menino, Miguel, fez 1 ano, todo mundo voltou para a cozinha para fazer os próprios ovos de Páscoa.
“Sempre foi muito gratificante e prazeroso. As crianças amam a bagunça e contam para todos os amiguinhos que eles que fazem os ovos”, narra o pai, o contador Jean Franco. A cada ano, a exigência deles também aumenta e o recheio passa a ser o da escolha dos irmãos. “Virou uma tradição dentro de casa, todo ano nos preparamos para essa data comemorativa. É um momento nosso que não abrimos mão de jeito nenhum, no meio de tanta correria esse momento sempre é eternizado em nosso lar”, resume Jean.