Correio B

TRAGÉDIAS BRASILEIRAS

Peça estreia em Campo Grande refletindo sobre religião, família e a imprensa

Inspirado em grandes autores, a peça mescla a literatura com o teatro documentário

Família, religião e imprensa são temas recorrentes nos últimos meses pelo país. A relação cheia de tensionamentos será explorada no espetáculo “Tragédias.BR”, que estreia nesta hoje, em Campo Grande. A peça traz uma análise da sociedade atual, baseando-se em três obras nacionais, “Eles Não Usam Black Tie” de Guarniere (1958), “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues (1960) e “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes (1960). 

“Somos uma companhia de teatro jovem, com seis anos de trajetória. Para a nossa realidade como grupo de teatro nós temos como desafio a necessidade de conhecer obras clássicas e reutilizá-las de alguma forma”, explica o diretor e ator do Grupo Casa,  Fernando Lopes Lima.

No ano passado, o grupo também adaptou o texto “Eu sei que vou te amar”, de Arnaldo Jabour, na peça “Amor 1980”. 
“É um plágio combinação, como afirma Tom Zé. Eu enquanto dramaturgo utilizo palavras alheias para criar novos discursos”, ressalta. 

Teatro documentário

Na peça “Tragédias.BR”, o grupo tem o apoio de Marcelo Flecha, da Pequena Cia (MA) e do cenógrafo Bruno Atra. “Essas duas figuras se somam a nós com intuito de encontrar caminhos interessantes e teatrais para nosso novo espetáculo. O resultado já começa a aparecer, temos um texto sendo criado e cheio de interrogações reflexivas sobre em que país queremos viver depois destas trágicas experiências”, comenta Fernando.

Como estilo, o texto se apoia no teatro documentário, que busca referênciais históricas em documentos e fatos.
“A peça transita pelo teatro documentário e fala basicamente sobre esses três pilares fundamentais, que é a família, a religião e a imprensa. Buscamos inspiração nesses textos da década de 50 e 60 para compor  o trabalho”, indica Lima.

O tom trágico acompanha as três obras e está presente no palco em Campo Grande. “Nelson Rodrigues aborda a questão da imprensa que é parcial, enquanto o Pagador de Promessas fala sobre a fé e o sincretismo. Por fim, Black Tie aborda a luta trabalhista, a desigualdade social”, esclarece Lima.  

O cenário é dividido em duas partes. Mais próximo da plateia está uma casa envelhecida, abandonada e que precisa de reparos, uma alusão ao país. Já mais ao fundo do palco, fica uma dimensão do futuro, subjetivo, o mundo onde surgem as ideias e os avanços. 

Os personagens são os porta-vozes do progresso, os deuses e também o símbolo do homem sujo de si mesmo. Seus figurinos são todos inspirados em black-ties. A trilha sonora é uma parte muito importante desta dramaturgia, e a pesquisa das músicas foi baseada nos novos expoentes da música popular brasileira, indo do funk à música erudita.

Serviço: O espetáculo fica em cartaz nos dias 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19. São duas sessões por dia, às 19h e às 21h30, na sede do Grupo Casa, localizada na Travessa Nelson Tabelião Pereira Seba, 8. A entrada custa R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). O teatro tem capacidade para 25 lugares. A peça tem investimentos do Fomteatro (Programa Municipal de Fomento ao Teatro), da Prefeitura Municipal de Campo Grande. 

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DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

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04/11/2026 00h02

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