Quando a Record retomou a produção de novelas fora do gênero bíblico, promoveu um novo respiro em sua própria teledramaturgia. Porém, a decisão não chegou a se mostrar muito vantajosa no que diz respeito aos resultados. Depois de estrear no mês passado com 9 pontos de média de audiência, atualmente os capítulos de “Amor Sem Igual” ficam sempre entre 6,5 e 7,5 pontos. A mudança de horário para 20h30 – “Topíssima” ia ar pouco mais cedo, por volta das 19h45 – poderia abrir espaço para abordagens mais densas sobre determinados assuntos. Porém, a autora Cristianne Fridman não chega a pesar tanto a mão. Seja por uma opção pessoal ou, talvez, por influência da supervisão de Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da emissora.
O título e a trama central de “Amor Sem Igual” sugerem um clima romântico. No entanto, a falta de um envolvimento amoroso entre Miguel e Poderosa, personagens de Rafael Sardão e Day Mesquita, não ajuda nisso. Outros casais, pelo menos por enquanto, tentam suprir essa carência ali, como a engajada Fernanda e o pacato Pedro Antônio, papéis de Bárbara França e Guilherme Dellorto. O próprio vilão, Tobias, interpretado por Thiago Rodrigues, já começou a dar sinais de seu ponto fraco na história: a paixão por Donatella (Sthefany Brito), que assim como a mocinha da trama, dá expediente como garota de programa.
Já está clara a intenção de Miguel de fazer Poderosa mudar de vida e, quem sabe, engatar um romance com ela. Mas novela é assim mesmo: tramas centrais demoram a ser desenvolvidas. E, para o casal principal, é o preconceito da sociedade contra as profissionais do sexo e a personalidade forte e a vontade de ser independente da heroína às avessas. Porém, torna-se cansativo ver, a cada capítulo, uma forma diferente dos amigos do agrônomo se incomodarem com a presença de uma mulher “da vida” entre eles. Tudo parece motivo para reafirmar, o tempo inteiro, o histórico de beira de estrada da jovem ruiva.
Essa é uma característica evidente em “Amor Sem Igual”: os exageros. No Mercado Municipal de São Paulo, retratado na história, a origem das famílias é sempre tratada com tintas bem carregadas. Seja no núcleo italiano, japonês ou nordestino, os estereótipos são constantes. Além disso, os vilões esbanjam arrogância e quem é bonzinho é sempre bom demais. O resultado é uma série de sequências extremamente previsíveis. E que certamente contribuem para que a audiência se mantenha em patamares pouco empolgantes.