A cada ano, a discussão sobre o “Big Brother Brasil” é sempre a mesma: como um reality show cuja fórmula já é velha conhecida do público – há exatos 18 anos – pode surpreender os telespectadores? Pois bem, na 20ª edição, a Globo soube criar expectativa em seu público. Primeiro, ao definir que incluiria supostos famosos em seu elenco. E, em seguida, mesmo antes da estreia, quando revelou que essas “celebridades” eram, na verdade, atletas e atores menos conhecidos e alguns influenciadores digitais cuja popularidade ainda é um tanto seletiva. Ou seja, para a grande massa que assiste ao programa, a maior parte do grupo do Camarote é quase tão anônima quanto os integrantes da turma da Pipoca.
Um confinamento em uma residência cenográfica, com câmeras 24 horas por dia, acabaria por misturar a galera no dia a dia. Porém, já nos primeiros dias de convívio, algumas circunstâncias acabaram por misturar as duas “tribos”. Seja pela tal questão de afinidade, tão comentada ao apresentador Thiago Leifert no confessionário aos domingos, ou por situações mal resolvidas mesmo antes do programa – como a “treta” entre as influenciadoras Bianca Andrade – a Boca Rosa da internet – e Rafa Kalimann, os participantes já se misturaram. Nesse aspecto, ajuda uma tática antiga do programa: separar os competidores em quem tem acesso a uma cozinha mais abastada e quem precisa se adaptar a uma alimentação restrita a poucos produtos disponíveis. Afinal, em uma casa com muita gente, as refeições – desde a hora do preparo ao momento de comer – podem ser, literalmente, um prato cheio para estreitar laços.
A dinâmica do jogo é a mesma e nem tinha como ser diferente: está nas provas de liderança, na formação dos paredões e nas eliminações a garantia de um roteiro incerto a cada semana. Quando se fala em “novela da vida real”, obviamente há certo exagero. Principalmente porque a privação da liberdade não tem nada de normal. Mas a graça de um programa de tevê como o “Big Brother Brasil” é conseguir perceber como os indivíduos reagem de formas distintas a situações de estresse e a desafios físicos e psicológicos o tempo todo. E é aí que uma novidade como a prova “Bate-volta” traz novo ânimo à 20ª edição. Ainda mais quando, no caso do primeiro paredão, o resultado desfaz a principal estratégia do líder.
Porém, nem todas as derrotas do “Big Brother Brasil” saem de provas ou votações. Uma das maiores vantagens de um programa assim é justamente investir nas multiplataformas tecnológicas disponíveis atualmente. Afinal, o “BBB” acontece na tevê aberta, no canal fechado Multishow, no pay-per-view, na internet e nas redes sociais. Exatamente por isso, tudo que se fala ali se torna mesmo público. Em alguns casos, com consequências. Competidores já foram acusados de agressão física e estupro, por exemplo. Racismo, homofobia e machismo, volta e meia, são temas de reclamações dos telespectadores na internet.
Nesta edição, em menos de uma semana, a zoofilia apareceu em uma conversa despretensiosa entre dois “brothers”. “Tudo bem também, a pessoa quer comer um animal”, disse uma das participantes, gerando uma série de críticas. Polêmicas podem até colocar o reality show na mídia e aumentar suas citações na rede. Mas nem sempre isso se traduz em mais audiência. Muitas vezes, só depõem contra a produção.