É bastante comum ver os planos serem atropelados pelos acasos da vida. Talita Tilieri, por exemplo, estava plenamente confortável vivendo nos Estados Unidos e voltaria ao país apenas para passar o Carnaval do ano passado. No entanto, uma ligação para participar da série “Matches”, exibida pelo canal Warner, fez com que a atriz não retomasse sua rotina no exterior. “Foi muito surpreendente como aconteceu. No aeroporto, pegando o voo, recebi a ligação do meu empresário sobre a série. Minha primeira diária de gravação caiu no dia em que eu pegaria o avião de volta para Los Angeles. Resolvi ficar para a série e estou aqui até hoje”, explica Talita, que, inclusive, está escalada para “Gênesis”, próxima novela bíblica da Record, que tem estreia prevista para o primeiro semestre. Na história, Talita interpreta Mel e, através do fictício aplicativo “Matches”, ela conhece Ricardo, papel de João Baldasserini. “Os personagens são de universos muito opostos e de personalidades consideravelmente contrastantes. Ela é uma mulher de atitude e que se mostra interessada quando está a fim de um cara. A Mel é liberada sexualmente e aberta a fantasias e experiências”, defende.
Para viver Mel, Talita se viu bastante diferente no vídeo. A personagem contava com 12 tatuagens pelo corpo. A atriz, porém, não tem nenhuma. “A transformação física traz de imediato um movimento interno característico. Além disso, eu sou paulista, a personagem é carioca. Acho imprescindível se atentar a essas diferenças regionais, o que envolve não apenas sotaque como algumas gírias e termos específicos”, aponta Talita, que já usou aplicativos de namoro para se relacionar na vida real. “Acho coerente com a construção social que vivemos hoje. Estamos conectados a maior parte do tempo. Nada mais natural que o mundo digital invada nossos corações e relacionamentos também”, completa.
Nome: Talita Tilieri Salvadori.
Nascimento: Em 7 de outubro de 1986, em Santos, São Paulo.
Atuação inesquecível: “Eu me apaixono perdidamente por todas as minhas personagens. Mas acaba que a que eu estou vivendo no momento me surge mais intensa na cabeça. A personagem que estou trabalhando agora na novela ‘Gênesis’ está sendo um desafio encantador”.
Interpretação memorável: “Viola Davis no filme ‘Dúvida’. Para mim, a atuação dela é excepcional sempre, mas neste trabalho é impressionante a quantidade de camadas que ela traz em apenas uma cena”.
Momento marcante na carreira: “O início. Eu tive de vencer algumas barreiras para poder viver do que eu amo. A decisão de seguir pela arte fez desabrochar muito da minha essência”.
O que falta na televisão: “Um trabalho artístico de consistência sendo, ao mesmo tempo, popular e acessível a um público tão abrangente”.
O que sobra na televisão: “Sensacionalismo a respeito da dor do outro é uma característica que me incomoda na televisão. Acho que existe como ser informativo sem utilizar dos sentimentos e sofrimentos de alguém para conseguir audiência”.
Com quem gostaria de contracenar: “Com artistas sensíveis, humanos, sinceros e abertos à troca”.
Se não fosse atriz, o que seria: “Infeliz (Risos). Cantora ou bailarina”.
Ator: Sean Penn.
Atriz: Meryl Streep.
Novela preferida: “O Clone”, de 2001, da Globo.
Vilão: Lady Macbeth.
Personagem mais difícil de compor: “Acredito que quanto mais arquetípico, mais desafiador”.
Que novela gostaria que fosse reprisada: “Roque Santeiro”, de 1985, da Globo.
Que papel gostaria de representar: “Tenho desejo de viver personagens extremamente distantes da minha realidade”.
Filme: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet.
Autor: “Estou fissurada no moçambicano Mia Couto no momento”.
Diretor: Thomas Vinterberg.
Vexame: “Eu sou a pessoa mais desastrado do mundo. Coleciono muitos vexames. Tombo é toda semana”.
Uma mania: “Dormir vendo vídeo de artesanato no YouTube”.
Um medo: “Da solidão. Isso me apavora”.
Projeto: “Fazer teatro. Estou com saudade dos palcos”.
“Matches” – canal Warner– Terças, às 20h40.