Correio B

LITERATURA

Professora lança livro de poesias curtas, porém intensas

Escritora e professora de Letras, Iolete Moreira lança livro com poesias de apenas seis palavras

Adriel Mattos

02/03/2020 - 16h34

Na era da internet, escrever pouco se transformou em tendência literária. A professora de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, Iolete Moreira, explica que, apesar de recente, a aldravia se mostrou um retrato contemporâneo por utilizar poucas palavras para grandes significados poéticos.  

Natural de Amambai, Iolete é inquieta. Já lançou diversos livros, mas há alguns anos se dedica ao estudo da aldravia, um estilo de literatura em que apenas seis palavras são suficientes para transmitir significado. “A aldravia nasceu em 2010, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, como um poema minimalista feito com apenas seis palavras distribuídas em seis versos. Deve existir um sentido máximo de interpretação em um mínimo de palavras”, explica.  

É difícil não estabelecer uma relação da aldravia com a internet, principalmente com o início das redes sociais e do Twitter, em que apenas 140 caracteres foram por anos suficientes para transmitir alguma mensagem (atualmente o espaço na mídia dobrou para 280 caracteres). “Diante das mudanças e avanços tecnológicos cada vez mais rápidos e que influenciam para que tudo seja aceleradíssimo, a aldravia vem com uma forma viável de texto sintético. Essa proposta surgiu de um grupo de intelectuais que se propuseram a criar um tipo de poesia curtinha, sintética, distante dos antigos estilos extensos, escritos em mais de uma página. Com apenas seis palavras é possível formar um poema cheio de significado”, defende Iolete.  

Segundo a professora, nem sempre o leitor está com tempo para se dedicar a um livro extenso, mas isso não é desculpa para uma poesia sem complexidade. “As palavras devem construir algo, precisam ter foco, sentido”, acredita a escritora.  

A paixão pelo estilo fez Iolete se aventurar no lançamento do livro “Conversa com Aldravias”. “No meu livro há 201 poemas, que são divididos em 21 blocos com temas diferentes e ilustrações do artista Tom Barbosa”, afirma.

Autora de três livros de poesia e crônicas, o último lançado em 2014, Iolete explica que se encontrou no estilo. “Eu acredito que o estilo se aproxima muito do poema haicai, de origem japonesa, porque ele também tem a questão da concisão e da objetividade. Além disso, eu sempre fui muito favorável à síntese. Eu sou uma pessoa sintética e eu creio que a aldravia veio para ficar”, pontua.  

Serviço – O livro “Conversa com Aldravias” será lançado no dia 5 de março, das 14h às 19 h, no Cheirin Bão, na Avenida Afonso Pena, nº 543. 

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