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Ação sem emoção em "Amor sem Igual"

A novela aposta mais na vilania dos personagens do que no romance

Tatyane Gameiro

16/03/2020 - 21h00

Há três meses, quando estreou, “Amor sem Igual” tinha ares de comédia romântica apimentada com algumas sequências de ação. Atualmente, no entanto, a autora Cristianne Fridman parece ver mais possibilidades nas vilanias de alguns personagens do que no amor complicado de Poderosa e Miguel, papéis de Day Mesquita e Rafael Sardão. Tanto que é difícil um capítulo em que não apareça uma série de maldades, das menores às mais horrendas, como opção de entretenimento. Bom para atores como Thiago Rodrigues, que domina o núcleo dos vilões com seu ambicioso Tobias. Por outro lado, algo um tanto complexo, já que nem tudo é parece tão verossímil no ar.

Recentemente, por exemplo, no mesmo dia, Tobias arquitetou o sequestro do próprio pai, Ramiro, personagem de Juan Alba, e incentivou o amigo e “capanga” Leandro, vivido por Gabriel Gracindo, a estuprar Maria Antônia, encarnada pela carismática Michelle Batista, para tentar acabar com o namoro da irmã. Porém, foi com um simples post de rede social e um beijo roubado de Beto, papel de Pedro Nercessian, que ele conseguiu abalar a relação de Fernanda e Pedro Antônio, defendidos por Barbara França e Guilherme Dellorto.

Na verdade, diante do que se vê no ar, o título “Amor sem Igual” parece completamente distante da história. O romantismo praticamente só é sustentado mesmo pelo amor sincero de Fernanda e Pedro Antônio. Os dois, sim, enfrentam diversos obstáculos juntos, na busca por um final feliz. Desde a família da moça, que é contra, à difícil rotina de trabalho do jovem, que dá expediente no Mercado Municipal de São Paulo e, por isso, madruga diariamente. Além disso, ao contrário de Poderosa e Miguel, eles têm uma relação concreta, e não uma atração sugerida e que em poucas cenas avança.

Para enfraquecer ainda mais a torcida por Poderosa e Miguel, a mocinha vacila bastante em sua trajetória. Para conseguir a tão sonhada vaga cativa no cabaré fictício da trama, ela dopou uma colega e fez uma performance sensual no lugar da moça, na reestreia do espaço, usando uma máscara para esconder o rosto. A dona do espaço, Olympia, vivida por Françoise Forton, poderia repreendê-la. Afinal, colocar droga na bebida de outra pessoa é um crime grave. Mas não, ela aplaudiu a apresentação, valorizou a determinação da prostituta e ainda aceitou a sugestão de leiloar sua primeira noite com um cliente pela internet.

Não bastasse tudo isso, os lances virtuais eram completamente surreais e a “estreia” profissional dela no prostíbulo acaba sendo arrematada pela bagatela de R$ 200 mil. O vencedor? Justamente o chefe da segurança da empresa de Ramiro, que recebeu de Tobias a missão de matá-la, mas nem desconfiava que a mulher leiloada era sua vítima. Em tempos de crise, deve ser muito bom o salário pago pelo empresário do ramo esportivo para que um funcionário consiga realizar tal feito.

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