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COLUNA INSIDE

Memória tropical

Reprise da aventureira "Novo Mundo" prepara o público das seis para "Nos Tempos do Imperador"

Tatyane Gameiro

27/03/2020 - 08h45

A paixão por História do Brasil e tramas recheadas de aventura acabaram por aproximar Thereza Falcão e Alessandro Marson. Amigos desde que entraram na Globo como colaboradores, na virada dos anos 2000, a dupla resolveu aglutinar ideias e referências ao receberem da emissora uma encomenda para a faixa das seis. O resultado dessa aposta foi a “capa-espada” “Novo Mundo”, exibida originalmente entre março e setembro de 2017. O trabalho deu tão certo que acabou ganhando uma continuação com “Nos Tempos do Imperador”, novela que teve sua estreia adiada por conta da pandemia de Coronavírus, que fez a emissora paralisar os trabalhos nos Estúdios Globo para poupar seus funcionários e seguir as recomendações das autoridades de saúde. Com isso, as tramas que estavam no ar foram interrompidas. Mas como “Éramos Seis” estava na reta final, a Globo escalou para ocupar o horário da seis, já a partir desta segunda-feira, dia 30 de março, uma versão compacta de “Novo Mundo”.

A ideia foi aproveitar o elo entre as duas tramas para refrescar a memória do público e usar a reprise como uma espécie de introdução. “É uma escolha muito pertinente. Uma novela começa quando a outra acaba. Vai ser ótimo rever as aventuras de D. Pedro I e ‘preparar’ o terreno para D. Pedro II. São dois momentos da história que dizem muito sobre o que a gente se tornou como nação”, conta Tereza. O ponto de partida de “Novo Mundo” é a vinda ao Brasil da arquiduquesa austríaca Leopoldina, de Letícia Colin, para conhecer seu marido, D. Pedro I, de Caio Castro, com quem casou-se por procuração. Cruzando o Oceano Atlântico a bordo de uma nau durante 92 dias, a então Princesa do Reino Unido de Portugal traz consigo uma comitiva composta por nobres, cientistas e artistas, todos ávidos para conhecer o que existe do outro lado do mundo. “Fomos guiados pela ideia de heroísmo. Homens e mulheres fortes que fizeram sua parte em prol de um bem maior. Criamos um mosaico muito rico de personagens famosos e anônimos que semearam o Brasil de hoje”, valoriza Alessandro.

Entre os destaques do elenco, Colin e Castro conquistaram o público com atuações inspiradas de seus protagonistas. Pela primeira vez, a Imperatriz deixou de ser uma coadjuvante de luxo na história de amor entre D. Pedro e Domitila, papel de Agatha Moreira, para mostrar seus dilemas e paixões em território nacional. “Inicialmente, Leopoldina acha que vai viver um conto de fadas. Mas todo mundo sabe que não é bem assim que as coisas acontecem. Como atriz, foi maravilhoso mostrar esse lado mais realista de uma mulher tão interessante”, destaca Colin. A novela também se torna palco de uma grande disputa pelo amor de Anna, de Isabelle Drummond, culta professora inglesa que tem como missão dar suporte à princesa. De um lado, Anna se vê encantada pelo destemido e arteiro Joaquim, de Chay Suede. Ao mesmo tempo, ela tenta se desvencilhar das investidas do ambicioso oficial inglês Thomas, de Gabriel Braga Nunes. “Tudo na novela é de uma riqueza impressionante. Tivemos um longo período de preparação e tudo foi importante para que o elenco estivesse pronto para as gravações”, destaca Isabelle. No núcleo cômico, o trio formado pela atriz decadente Elvira, e o casal dono da taberna local, Germana e Licurgo, personagens de Ingrid Guimarães, Viviane Pasmanter e Guilherme Piva, garantiu as risadas da faixa, que ainda teve ótimos desempenhos de nomes como Felipe Camargo, Sheron Menezzes, Julia Lemmertz e Jonas Bloch, entre outros.

Complexa como qualquer obra de época, “Novo Mundo” foi além por se tratar de uma grande história de aventura, o que exigiu muito mais tempo de pré e pós-produção. “Utilizamos muitos efeitos especiais. E para que o resultado seja bom, foi preciso muito empenho das equipes técnicas, ensaios e tempo para que a computação gráfica pudesse inserir o que fosse necessário às cenas”, entrega o diretor Vinicius Coimbra. Por trás das igualmente históricas e brasileiríssimas “Lado a Lado” e “Liberdade, Liberdade”, Coimbra começou a projetar a novela com cerca de nove meses de antecedência. Do ponto de vista das dificuldades, o diretor elege a construção da Nau que ambienta as cenas marítimas como o ponto alto dos bastidores de “Novo Mundo”. Entre tantos detalhes, uma consultoria náutica foi chamada para a instalação das velas e cordas. Além disso, a direção fez conexões com o diretor britânico Andy Armstrong. Tudo para dar mais veracidade às sequências. “Andy é ex-dublê e ficou consagrado como diretor de cenas de ação, trabalhou em grandes estúdios e superproduções. A gente precisava de todo esse auxílio para chegar ao resultado que queríamos”, valoriza Coimbra.

Além da Nau e da cidade cenográfica que retrata o Rio de Janeiro do Século XIX, as gravações da novela invadiram cenários reais da capital carioca, como o Palácio do Itamarati, Jardim Botânico, a Ilha Fiscal e o Forte São José. A cada nova locação, as equipes de figurino, caracterização e direção de arte carregavam quilos e mais quilos de acessórios para que tudo saísse como combinado. A inspiração e base estética para todas as equipes técnicas foram as obras do pintor francês Jean-Baptiste Debret. “Reproduzimos muitas coisas na nossa fábrica de cenários com profissionais especializados em construção cenográfica de objetos. Também fomos a antiquários, feiras e utilizamos muitas peças do nosso acervo que foram repaginadas”, detalha a produtora de arte Flávia Cristófaro.  

 

“Novo Mundo” - Globo - reestreia prevista para segunda, dia 30, às 17h20.

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