Correio B

MACRAMÊ

Dentista descobriu no artesanato com fios uma forma de tranquilizar a mente

Apaixonada por plantas, Caroline faz macramê para plantas

Quando Caroline Lins Mazzini se mudou para um apartamento e seus gatos tiveram de conviver mais próximos de suas plantas, o caos se instaurou na residência. “Eu tinha muita planta e não conseguia separar os gatos delas. Eles gostavam de deitar em cima, e isso prejudicava o crescimento, o desenvolvimento das plantas”, explica.

Foi quando Caroline teve a ideia de pendurá-las. Dentista, especialista em prótese dentária, ela sempre levou jeito para trabalhos manuais, mas nada que incluísse o artesanato com fios. “O máximo de trabalho manual que eu costumava fazer era meu trabalho mesmo, de dentista – esculpir, etc. Nunca tinha feito nada de artesanato, ainda mais com fios”, ressalta. 

Decoração

O artesanato feito com nós remonta à história turca do século 13, mas há indícios de ser ainda mais antigo, aparecendo principalmente no Egito e na China. Cada vez mais presente na decoração, o macramê contemporâneo pode aparecer em alguns espaços da casa, como porta-vasos e painéis.  

“Sempre gostei bastante de decoração. Conheci o macramê e fui estudar como fazia. Isso tudo foi muito bom porque ajudou a clarear minha cabeça. É um trabalho diferente, que exige bastante atenção, e isso me relaxava. Eu comecei a criar; às vezes eu tava parada fazendo outra coisa e tinha uma ideia”, frisa.  

O primeiro nó quem ensinou foi uma amiga de Caroline, do Rio Grande do Sul. “Eu tenho uma amiga que sabia fazer um tipo de nó. Ela produzia uma coisa ou outra no macramê. Um dia eu fui até a casa dela, vi e pedi que ela me ensinasse. A partir daí fui fazendo sozinha”, ressalta.

Com o tempo, Caroline buscou inspirações na internet. “Durante o processo de aprendizado, encontrei muita gente que fazia no Instagram e ensinava a fazer os pontos básicos. Para fazer o restante eu procurava algumas inspirações e tentava descobrir como era feito. Foi um verdadeiro trabalho de formiguinha A partir disso eu fui sentindo a necessidade de desenvolver mais, de criar coisas diferentes”.  

Há cerca de um ano, Caroline decidiu empreender e criou uma lojinha especializada em suporte para vasos de plantas feitos em macramê. “Também faço outros trabalhos, não só do suporte, mas com painéis. Gosto de fazer mais esses que fogem do comum, prefiro me inspirar em paisagens, realmente fazer parte da decoração da casa ou do ambiente”, pontua.  

Para auxiliar na vida de quem busca manter sempre as plantas nesses suportes, Caroline desenvolveu uma forma de afrouxar os nós sem destruir o desenho, possibilitando a troca de vasos pequenos por maiores. “Eu consigo alterar a posição do nó sem desfazer o trabalho; ele abre ou fecha de acordo com a necessidade, por isso falo que são ajustáveis”, indica.

Para levar nas feiras colaborativas que participava, antes da pandemia do novo coronavírus, Caroline incluía um vaso pequeno com a planta. “As pessoas gostam de comprar já com a planta, de levar o conjunto todo”, frisa.

Já aconteceu de a artesã não vender a planta no dia e precisar cuidar dela em casa antes do próximo evento. “Acabava ficando uma ou outra. Acontece que eu me apego a elas, e quando vejo estou cuidando. Nesse caso, quando preciso trocar de vaso eu consigo pôr em um maior sem mexer no desenho do arranjo”, indica.  

Esse carinho pelas plantas surgiu de forma ainda mais natural em Caroline do que o próprio macramê. “Eu comecei a gostar de plantas há poucos anos, acredito que de uns cinco anos para cá. Sou de Campo Grande, sempre morei na cidade, mas vivia na casa dos avós, tanto por parte de pai quanto por parte de mãe, e em ambos a casa tinha muita planta”, frisa.  

Para ela, observar a planta crescer e criar brotos é uma satisfação. “O desenvolvimento dela é resultado do seu cuidado”, frisa. Cada arranjo custa em média de R$ 40,00 a R$ 200,00, dependendo do tamanho. Para comercializar em época de pandemia, Caroline vende pelo perfil do Instagram @vestidodeplanta.  

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