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série

Larissa Nunes entre novos acordes

No elenco de "Coisa Mais Linda", a atriz ganha mais espaço na segunda temporada da série da Netflix

Tatyane Gameiro

19/06/2020 - 14h00

Larissa Nunes é uma mulher bastante contemporânea. Ainda assim, a atriz se sentiu muito próxima de sua personagem ao longo da história da série “Coisa Mais Linda”, da Netflix, em que vive a aspirante a cantora Ivone. Ambientada na década de 1960, a produção é permeada por uma forte trama musical. Larissa, inclusive, começou a trilhar sua trajetória artística na música aos cinco anos. Mas só começou a escrever aos 12. “Quando a carreira no teatro começou, deixei de lado o sonho de ser cantora. A série é muito envolvida por esse universo musical dos anos de 1960. Eu venho de uma cena musical mais independente e do hip hop, mas tive muito contato com o samba e a bossa nova. ‘Coisa Mais Linda’ tem esse lugar de nostalgia e estimula o público a trocar ideias e referências sobre a trilha. As músicas da série, inclusive, estão disponíveis em plataformas digitais”, explica.

Após integrar a primeira temporada da série, Larissa volta na nova leva de episódios. Dessa vez, no entanto, a atriz terá sua participação ampliada. Irmã mais nova de Adélia, papel de Pathy de Jesus, ela passa de uma adolescente típica a uma talentosa aspirante a artista, que terá a chance de provar sua capacidade para uma indústria ainda dominada por homens, com a ajuda de Malu, de Maria Casadevall. “Ivone terá sua história mais desenvolvida, com mais conflitos. Mesmo sendo a caçula, ela tem personalidade forte, é ousada, rebelde e um pouco despreparada. Embora a trama se passe nos anos 1960, há traços muito marcantes e atuais nesta personagem, que carrega uma certa ‘inconformidade’ com a situação dela e da irmã. A série levanta debates sobre a luta das mulheres em diversas instâncias sociais, cada uma na sua luta específica, e todas estão buscando espaço – em especial as mulheres negras, que já trabalhavam para conseguir sobreviver, enfrentando machismo, racismo e falta de apoio”, afirma.

Ainda descobrindo o universo audiovisual, Larissa é bastante alinhada com os debates promovidos pela série, como o machismo, racismo e a luta de classes. Na pele de Ivone, a atriz valoriza a oportunidade de viver um papel com diversas discussões relevantes e atuais dentro da sociedade. “Ao lado do elenco, tive a chance de trocar várias ideias sobre assuntos interessantes. Esse trabalho segue uma coerência que eu sempre procurei. Ter essa oportunidade logo no começo é muito rico. A série caminha dentro de um ideal ético e coerente para sermos produtivos”, valoriza.

Muito à vontade nos palcos e diante das câmeras, Larissa enfrentou alguns percalços ao longo de sua recente trajetória. Antes de se formar como atriz, ela passou pela faculdade de Jornalismo e trabalhou em um banco. Logo no começo, Larissa precisou encarar a resistência de sua mãe em aceitar sua escolha profissional. Durante a jornada, a atriz foi percebendo como o mercado reflete muitas desigualdades da sociedade. “Os artistas negros têm tido novas conquistas, surgiram oportunidades nos grandes meios e a galera também está se produzindo de forma autônoma. Porém, o espaço dado é muito pequeno perto da quantidade de negros no país e na arte. Sinto que a cada conquista que tenho, mais e mais preciso conquistar, porque tudo parece escasso. No final das contas, eu quero apenas mostrar meu trabalho e ser reconhecida por ele”, ressalta.

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