Correio B

ENTREVISTA

Raio-X com Paulo Vieira, que participa do "Fantástico"

Com o quadro "Como Lidar", o humorista debate, com humor, novos hábitos impostos pela pandemia do Covid-19

Tatyane Gameiro

30/06/2020 - 15h01

O universo artístico é aglomerador. O avanço da pandemia do novo coronavírus, no entanto, fez com que o trabalho remoto virasse uma realidade bastante comum na televisão. Paulo Vieira, por exemplo, estava acostumado com o contato direto com os colegas de elenco e as equipes de produção na tevê. À frente do “Como Lidar?”, quadro do “Fantástico” produzido durante o período de isolamento social, o humorista precisou aprender a se virar em mais de uma função diretamente de sua casa. “É uma experiência totalmente nova. Gravar de casa e desempenhando três papéis. Venho do teatro e temos o hábito de fazer de tudo, não é? A gente monta cenário, arruma luz, dá play, monta coreografia... É como se eu voltasse às minhas origens”, aponta Paulo, que também integra o elenco do “Zorra”. Parceria do jornalismo com o entretenimento da Globo, a série é uma crônica de humor, que fala sobre as situações geradas pelo período da quarentena, como as diversas conversas por vídeo chamada, a explosão de “lives” e as angustias que o confinamento gera. “A gente tem o cuidado de não ofender ninguém nesse momento delicado. Buscamos fazer um humor que seja crítico e atento. Não seja algo para alienar as pessoas, mas também faça rir e ajude a dar leveza”, explica.

A pandemia do novo coronavírus também afetou o lado empreendedor de Paulo Vieira. No ano passado, o humorista lançou uma empresa de turismo que explora a área do Jalapão, no Tocantins. A empresa Viva Jalapão tem parte da renda revertida para ações sociais que beneficiam os moradores da comunidade local. Com a pandemia, Paulo devolveu o dinheiro de cancelamentos de viagens, mas conseguiu manter o quadro de funcionários e, inclusive, deu um aumento aos colaboradores. “Entendemos que nesse tempo de pandemia a pessoa fica em casa e tem alguns gastos a mais. Estamos confiando nessa demanda reprimida pós-pandemia. Além disso, acredito que os clientes percebem quando a empresa faz a coisa certa. Acho que são fatores que o público leva em conta na hora de contratar um serviço. Nesse momento nossa preocupação não é o dinheiro, mas sim garantir que nossos clientes, colaboradores e fornecedores estejam bem”, valoriza.

Nome: Paulo Henrique Vieira da Silva.  

Nascimento: Em 10 de novembro de 1992, em Trindade, em Goiás.

Atuação inesquecível: “Não tenho uma atuação inesquecível não, ainda estou começando a minha carreira”.  

Interpretação memorável: “Grande Othelo em ‘O Assalto Ao Trem Pagador’”.

Um momento marcante na carreira: “O primeiro episódio do ‘Isso É Muito Minha Vida’ na Globo. Foi muito significativo para mim continuar na Globo com um projeto autoral, com o mesmo elenco e com mais recursos. Chorei muito de alegria”.

O que falta na televisão: “Gente preta, pobre e suas histórias”.

O que sobra na televisão: “Gente branca, rica e suas histórias”.

Com quem gostaria de contracenar: Regina Casé.

Se não fosse ator, o que seria: “Triste”.

Humorista preferido: “Eu amo a obra cinematográfica dos ‘Trapalhões’. Não consigo escolher entre eles, Chico Anysio e Jô Soares”.

Programa de humor: “A série ‘O Alto da Compadecida’. Vejo todo mês, igual criança”.

Que papel gostaria de representar: “Qualquer um dos ‘Muppets’ ou qualquer coisa do ‘Monty Phyton’”.

Filme: “Qualquer coisa do (Steven) Spielberg”.  

Autor predileto: Ariano Suassuna.

Diretor favorito: “Tem tantos... Mas se é para escolher um, Glauber Rocha. Inspirador”.

Vexame: “Em um evento onde eu não conhecia ninguém, perguntei para Dolce e Gabbana o que eles faziam da vida. Ainda falei assim: “Cês mexe com quê? (risos)”.

Uma mania: “Levantar três vezes no meio da noite para ver se o gás tá ligado”.

Um medo: “De chegar onde eu quero sem meus amigos. Eu preciso dos meus amigos para ser feliz”.

Projeto: “Construir uma escola de inglês para crianças da minha terra. Começaremos a construção assim que a pandemia terminar. A Viva Jalapão é uma das coisas que mais me deixa feliz na vida, de que vale crescer e não mudar as coisas no lugar de onde você veio?”.

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