Correio B

Reality culinário

Cada um na sua no "Masterchef Brasil"

Com episódios independentes, o programa perde ares de reality e vira game culinário sem grande apelo

Tatyane Gameiro

24/07/2020 - 16h10

O formato reality show funciona no Brasil e isso é inegável. Ora com mais repercussão, ora com menos, são poucos os projetos no gênero que as emissoras dispensam sem que estejam plenamente esgotados. Nos últimos anos, a gastronomia acabou enveredando para essa linha, rendendo competições instigantes e, para o bem das emissoras, boas cotas de patrocínio e ações de merchandising. Na tevê aberta, a maior referência é certamente o “Masterchef Brasil”, da Band, que conta com a experiência da apresentadora Ana Paula Padrão e o carisma dos jurados Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin. Porém, diante da pandemia do novo coronavírus e do tal “novo normal” que vem sendo discutido no entretenimento, o programa perdeu seu lado reality e se tornou mais um game. 

A principal mudança é que, na atual temporada, cada episódio tem oito candidatos que disputam, no final, um troféu e prêmios em produtos, serviços e dinheiro. Se em outras edições os campeões chegaram a receber bolsas para estudar em Paris, na França, agora cada ganhador vibra com uma graduação ou pós-graduação por aqui mesmo, no Brasil mesmo. Com mais ganhadores, é normal que a premiação se torne menos imponente. Até aí, nada demais – e isso só afeta quem está participando, não quem está assistindo. Só que o fato de todos os aspirantes a Masterchef terem, no máximo, duas horinhas de fama na temporada diminui a empolgação de acompanhar o programa todas as terças-feiras.

É verdade que em um reality culinário, as tretas são bem diferentes de um confinamento como o “Big Brother Brasil”, da Globo; “A Fazenda”, da Record; ou “De Férias com o Ex Brasil”, da MTV. Não há envolvimento amoroso ou cenas picantes, por exemplo, mas há bastante rivalidade. A própria reprise do primeiro “MasterChef Profissionais”, produzida em 2016 e reapresentada recentemente, já durante a pandemia, mostrou isso. Mesmo para quem já sabia que Dayse seria a grande vencedora, era difícil desviar os olhos da tevê toda vez que o favoritismo se voltava para outros competidores.

Na nova edição, faz muita falta essa continuidade entre os episódios. Como são todos independentes, tanto faz se alguém perde um ou dois ou até mesmo se só assiste ao primeiro e voltar a ver apenas na exibição do último. Além disso, os competidores parecem aquém dos participantes que normalmente são selecionados no programa. O que pode ser apenas uma impressão também, visto que um único episódio, com seletivas feitas online, parece pouco tempo para que o nervosismo habitual da maior parte dos concorrentes deste tipo de programa possa ser controlado.

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