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Arte

Com mais de 900 discos de vinil, Pedro Espíndola conta sobre paixão que se tornou hobby e negócio

Colecionador, o músico tem discos raros e não esconde a admiração pelo universo artístico

Naiane Mesquita

22/10/2020 - 07h00

Desenvolvido no fim da década de 1940, o disco de vinil permanece vivo para músicos e colecionadores. Por amor à música em si, o campo-grandense Pedro Espíndola, 29 anos, é um colecionador de vinil assumido.  

Criterioso e detalhista no estilo, Pedro, que é fã incondicional de John Lennon, diz que na pandemia conseguiu atingiu a marca dos 100 vinis em sua coleção. “Considero uma coleção bem pequena, mas eu tento ser bem específico na escolha do que eu quero ter em LPs e o que pode ser digital/streaming, para não virar acúmulo desnecessário de coisas que não vou ouvir com a dedicação que gosto”, afirma o músico, que garimpou nada mais do que o disco solo de Rod Stewart – “Gasoline Alley”.

A paixão pela música veio do pai, o músico Celito Espíndola, e na adolescência adquiriu o gosto por lendas do pop, do blues e do rock dos anos de 1960 e 1970. Pedro diz ainda que já passou por muitas fases e permeou pelo rock extremo ao reggae pop nacional.  

 

 

Como guitarrista profissional, ele tem nada mais do que Eric Clapton como sua maior referência e na composição ele garante que o tio, Geraldo Espíndola é, sem dúvidas, um dos melhores compositores do Centro-Oeste. “Eu consumo música full-time, todos os dias, toda hora. Eu sou músico, então, se não estou tocando música ou ouvindo música, provavelmente estou lendo ou assistindo vídeos sobre música”, orgulha-se.

Já sobre colecionar vinis, Pedro diz que, mesmo sendo um hobby, o que ele faz com bastante apreço, é necessário ter cautela na compra de lotes. “A seleção é um pouco complicada de definir porque como se trata de coisas usadas e que não estão em catálogo há décadas, muitas aquisições de lotes são baseadas na oportunidade do momento. Às vezes, no meio de muita coisa comum e em mal estado vêm itens excelentes e às vezes, em um lote muito bem conservado não tem nada de tão interessante. Vai da sorte da escolha”, acrescenta.

Das obras-primas em forma de vinil, o músico elenca um dos seus raros discos que são difíceis de encontrar.  

“Eu tenho, por exemplo, o ‘Álbum Branco’ dos Beatles, relançado nacionalmente da década de 1980, completo, com as fotos dos meninos e o pôster. Tenho também o Blind Faith, banda temporária do [Eric] Clapton no fim dos anos de 1960, original de época inglês. Tenho o já raro disco do Lírio Selvagem, aqui de Campo Grande, mas meu disco favorito creio que seja o ‘Sticky Fingers’ dos [Rolling] Stones, nacional de época, com o zíper na capa do Andy Warhol”, pontua.

Paixão e Negócio

Da paixão por colecionar vinis, o músico criou em 2018, a loja on-line @baratosdopantano e disponibiliza a venda de clássicos. A loja possui um acervo com 900 títulos e, segundo ele, um dos gêneros mais procurados que são colecionáveis e com mais procura são rock, música brasileira dos anos de 1960 e 1970, blues e jazz.  

“Tive a ideia de criar a loja quanto tirei um ano sabático do trabalho musical na noite e, durante esse afastamento, precisei me reinventar e encontrar uma forma de trabalhar e ganhar dinheiro”, conta o músico, que usou como inspiração a loja do amigo Pietro Luigi, Sub Cultura Records, para entrar no universo do colecionismo.

Para o processo da criação do acervo da loja, Pedro diz que soube diferenciar o que está em sua coleção pessoal e o que será exposto para venda. “Nada do que está no acervo da loja era de coleção pessoal, comecei com uns 100 discos e fui procurando lotes enquanto projetava a criação da loja, e assim foi crescendo aos poucos; hoje, adapto o acervo para poder atender todo o tipo de gosto do cliente”, diz.

Neste acervo é possível encontrar vinis de Madonna a Ramones, de The Police a Maria Bethânia, além de clássicos, como Bob Dylan, Beatles, Stones e o primeiro e o segundo disco do Clube da Esquina. Ainda, de acordo com o colecionador, fãs de rock, pop e punk são os queridinhos da loja. “Muita gente manda direct procurando a gente para saber destes clássicos, e, logo depois que abri a loja, comecei a frequentar feiras de arte, o que ajuda muito”, conta.

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