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DESENVOLVIMENTO

Psicóloga fala sobre os mitos e verdades sobre a medicação para crianças com TDAH

Será que meu filho corre o risco de não ser uma criança normal ao tomar remédios?

Ricardo Campos Jr

27/01/2021 - 06h00

Diante do diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), muitos pais se veem diante de uma grande dúvida: se o pequeno for medicado, corre o risco de ficar “grogue” e deixar de brincar e se divertir como uma criança normal? 

A psicóloga Janaína Lobo, especialista em neuropsicologia e desenvolvimento infantil, afirma que este é um questionamento comum calcado em um preconceito que existe em cima do problema. Existe uma avaliação multiprofissional feita ao diagnosticar o TDAH que vai ditar a necessidade dos remédios, já que existem casos mais brandos e mais severos. Contudo, ela recorda que somente a administração das substâncias não basta.

“Os medicamentos servem para manter o nível mínimo de concentração. Muitas vezes é necessário o medicamento porque é uma questão neurológica que necessita desse suporte, mas o transtorno em questão é complexo. Há crianças com predomínio na hiperatividade, outras mais na falta de atenção e existem casos mistos, mas é preciso conciliar com uma terapia comportamental e mudanças no próprio ambiente familiar”, disse ao Correio do Estado.

Crianças que agitadas ou que não conseguem manter o foco necessitam de rotinas bem definidas, atividades lúdicas e brincadeiras que consumam energia. Se estão em idade escolar, soma-se a isso o tempo dedicado às tarefas e ao estudo. Nesse último caso, é importante também ter um espaço livre de distrações e ruídos, pensado cuidadosamente para que haja melhor aproveitamento. 

“Talvez esse estigma em cima do medicamento exista porque no passado tivemos uma fase em que as crianças foram muito medicadas e não se olhava para os outros lados do TDAH. É preciso que nós saibamos que o medicamento, quando bem aplicado e orientado por um médico capacitado, só tem a ajudar. Porém, não podemos achar que ele vai suprir todas as necessidades. A criança precisa estar bem alimentada, e com rotina. Se não tiver, só o remédio não vai dar conta”, afirma Janaína.

Existem casos em que apenas a organização de uma rotina, a terapia comportamental e os demais cuidados citados já dão conta de fazer com que a criança consiga ter uma vida normal, incluindo aprendizagem adequada. 

Não existe, segundo ela, um consenso dos especialistas se antes de entrar com a terapia medicamentosa em casos mais brandos é possível tentar aplicar essas alterações mais cotidianas para ver como a criança reage. Porém, fato é que é preciso acompanhamento de neurologista, psicólogo e outros profissionais para ajudar tanto as crianças como os pais a lidarem com essa situação.

Outra dica preciosa é reduzir o tempo na frente da televisão e celular. As crianças com TDAH precisam de tempo para correr, brincar ou se ocupar com atividades lúdicas. É fato que o ensino remoto acabou sendo um revés na rotina dessas crianças, é por isso que aconselha-se as escolas a evitarem, especialmente com os menores, atividades à distância que durem a tarde inteira.

Além disso, quando o assunto é aprendizado, também conta a própria estrutura da rotina. O ideal é que a criança acorde, tome café da manhã e faça as tarefas, já que assim ela ficará mais focada. 

“E o que serve para uma criança com TDAH serve para uma criança que não tenha o transtorno, mas com as que têm, é preciso seguir tudo muito mais à risca”, completa.

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