Correio B

SÉRIE

Série documental "Em Nome de Deus", da Globo, mostra queixa coletiva

O programa mostra que vítimas precisam de voz para que a justiça prevaleça

Tatyane Gameiro

09/03/2021 - 18h25

Era uma sexta-feira comum de dezembro de 2018. Sem grande alarde, o “Conversa com Bial”, então já consolidado como um dos principais “talk-shows” do país, deu uma pausa no esquema de papo e música que lhe era peculiar para uma noite de denúncia. 

Três meses antes, a produção do programa estava negociando uma entrevista exclusiva com o famoso médium João de Deus. 

Durante as primeiras pesquisas, entretanto, as histórias de abuso sexual e de poder já mostravam que algo de muito errado acontecia em Abadiânia, cidade localizada no interior de Goiás e que vivia por conta dos milagres promovidos pelo líder espiritual. 

Em uma edição histórica, quatro mulheres falaram sobre suas experiências traumáticas com João de Deus. 

Após a exibição do programa, centenas de outras denúncias contra o curandeiro foram registradas, ao mesmo tempo em que crescia a repercussão e a perplexidade em torno do caso. 

Em questão de dias, João de Deus foi indiciado e, posteriormente, condenado. Sob a marca Globoplay, a investigação que começou no programa virou a série documental de seis episódios “Em Nome de Deus”. Agora, a história chega de forma condensada à tevê aberta em três episódios especiais.

Nessa nova edição, a história ganha em agilidade sem deixar que detalhes importantes fiquem pelo caminho. 

O documentário trata de revelar a vida paralela do ex-líder espiritual, a sua ampla rede de proteção local e a denúncia de crimes graves, envolvendo lavagem de dinheiro e homicídio, desde as primeiras apurações de Camila Appel para o “Conversa com Bial” até a prisão domiciliar de João de Deus, em março do ano passado.

Sem poupar conteúdo ou recursos, a série acompanha ainda o passo a passo investigativo da equipe no Brasil e no exterior, em viagens para Holanda e Estados Unidos, revelando supostos crimes cometidos bem distantes de Abadiânia.

O documentário também analisa a popularidade dos curandeiros espirituais no Brasil e revela a decepção de celebridades e de pessoas próximas a João de Deus, com depoimentos contundentes, como o da apresentadora Xuxa e do ator Marcos Frota, dois dos pouco famosos que toparam falar das atrocidades de forma corajosa e pessoal que faziam parte do séquito de fãs de João de Deus.

Além da história, outro ponto importante da produção foi a roda de conversa entre as vítimas promovida dentro do estúdio. 

É nessa parte que o programa se aprofunda nos valores e polêmicas familiares do criminoso, retirando qualquer armadura de João de Deus e levando o telespectador a reais surpresas que deixam as situações ainda mais sujas e surreais. 

As vítimas são uma advogada, uma atriz, uma fisioterapeuta, uma professora, a filha de João de Deus, uma costureira e a coreógrafa holandesa Zahira Mousa. 

Mulheres que nunca haviam se encontrado, mas aceitaram se reunir em uma roda para um momento de escuta solidária, conduzida pela jornalista Camila Appel. 

São os trechos mostrados desta conversa entre as vítimas, os seus relatos e os aspectos similares de suas histórias que conduzem o telespectador por uma rede de intrigas de alto nível, formada pela a crença comum na busca por um milagre do médium, o padrão nos abusos, a vulnerabilidade e o sentimento de indignação, medo e vergonha. 

É neste ponto que a produção deixa claro que todo caso precisa de um ponto de partida, e neste caso, é a figura corajosa de Zahira, a primeira a enfrentar o poder do líder religioso. 

Necessário, com narrativa habilidosa e sem poupar o público, “Em Nome de Deus” mostra que pautas mudam e é preciso ter coragem para levar a verdade adiante até mesmo quando tudo parece contradizer a ordem.

 

Diálogo

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (5)

05/11/2026 00h02

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje Foto: Arquivo

Continue Lendo...

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).