“Acho que a gente está sentindo uma falta de ver poesia no mundo”, acredita o escritor campo-grandense Febraro de Oliveira, 22 anos. à frente de um grupo de estudo financiado pela Lei Aldir Blanc, Febraro reuniu escritores de outros estados brasileiros, falou sobre poesia e lançou um e-book.
Conforme o poeta, o livro é influência do encontro remoto entre estes diversos poetas de estados diferentes, escrevendo ao mesmo tempo e promovendo um intercâmbio cultural e geográfico na escrita:
“Um livro de poesia contemporânea brasileira feito a muitas mãos, 23 poetas, por isso o nome do livro é ‘Há Quarenta e Seis Pés’. Criado neste período de pandemia, produzimos durante dois meses e cada poeta tem cerca de 10 páginas com textos que surgiram, por meio de uma curadoria, com exercícios e provocações durante os 16 encontros que realizei”, explica Febraro.
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O escritor é fundador do perfil de poesia do Facebook Poet Astro, que atualmente conta com quase 4 milhões de seguidores ao redor do mundo. Aos 22 anos, o jovem já traz na bagagem profissional quatro obras literárias publicadas:
“Poesia Não Existe ou Ensaiodoquenãoédito”, com o qual foi considerado “a revelação poética da nova geração”; “Tødavia”, com o qual ficou durante semanas entre os lançamentos mais vendidos da Amazon;
“Planos Incríveis para Situações Mirabolantes”, que se encontrava, até janeiro de 2021, entre os mais vendidos na categoria Arte Conceitual na Amazon; e “Uma Festa para o Fim do Mundo”, ganhador dos prêmios LEIA MS e III Prêmio de Reconhecimento Popular (2019/2020), na categoria Livro do Ano.
Agora, o autor se prepara para lançar seu quinto livro: “Uirapuru, 325 – Treze de Maio, 1.404”.
Com o e-book ““Há Quarenta e Seis Pés”, Febraro se surpreendeu com o que foi publicado. “O resultado foi surpreendente, com uma qualidade técnica muito aprofundada e textos que abordam o atual momento sem esquecer o passado”, ressalta.
Curso
Segundo ele, o livro percorreu um caminho diferente, a partir do curso ministrado por ele durante dois meses.
“A construção do e-book foi feita [de forma] organizadamente caótica. Ela foi construída com muitas pessoas, a partir de um investimento da Lei Aldir Blanc: eu ministrei o curso [durante] dois meses, e o curso se dividia entre técnica e vivência literária. Então, era um curso em que a gente experimentou muitas coisas e eu dei um leque muito grande de criação e recursos literários para as pessoas usarem, aproveitarem e escolherem o momento para usar”, frisa.
Na escrita poética não faltaram referências, inclusive contemporâneas, como o trabalho dos Racionais MC’s.
“Depois desses dois meses, cada poeta selecionou em média 10 páginas de texto para compor a antologia, para compor esse e-book. Eu diagramei e editei ele. Além de coordenador e ministrante, fui eu que editei esse e-book, que foi um trabalho muito denso, muito bonito de se ver e que resultou em algo muito interessante, desde técnica até conteúdo e forma.
É um trabalho muito bonito e muito bem colocado ali, até como um lugar de representação do nosso tempo”, pontua. A pandemia não poderia deixar de estar presente, mas de outra forma. “Nesse tempo em pandemia, poetas de 20 estados se reúnem para pensar e escrever a poesia contemporânea brasileira”, frisa.
Serviço – para acessar o livro clique aqui.