No ano de 2020, o Pantanal entrou na rota dos noticiários em decorrência das chamas que atingiram tanto o lado de Mato Grosso quanto o de Mato Grosso do Sul.
Sensibilizados com o que ocorreu na região, a cineasta Mariana Marques e o diretor de animação Tiago Franco começaram a planejar um curta-metragem que trouxesse uma mensagem de conscientização para crianças e adultos.
Foi assim que nasceu “Cinzas no Pantanal”, que terá sua pré-estreia neste domingo (25), às 19 horas.
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“Eu estava desenvolvendo um outro projeto, um outro curta-metragem, e durante esse desenvolvimento vieram todas essas notícias. Recebi tudo aquilo que estava acontecendo, eu acho que até aqui em Campo Grande tivemos dias de névoa por causa das queimadas, foi tudo muito triste e isso me motivou a começar um roteiro, a pensar em uma outra forma de interpretar tudo isso, de expressar esse momento difícil, essa dor de ver nosso bioma sendo queimado e acabou me motivando e fazendo um argumento para esse filme”, explica Mariana.
O curta-metragem foi todo produzido em stop motion, uma técnica de animação que faz capturas quadro a quadro, utilizando cenários e figuras confeccionadas em origami pelo mestre origamista Elder Alves.
“Quando comecei a formular o projeto, já imaginei ele em papel, não é um recurso muito utilizado quando se pensa em stop motion, mas te dá tantas possibilidades quanto o restante dos materiais. Além disso, o papel traça um paralelo com o tema da animação, pois é delicado, assim como o meio ambiente”, explica a idealizadora.
Segundo o diretor de animação Tiago Franco, que trabalha com stop motion há mais de 15 anos, o principal desafio de trabalhar com origami foi encontrar os movimentos de cada peça desenvolvida. Nessa técnica, são necessárias de 12 a 24 fotos para produzir apenas um segundo de filme.
“Só de produção tivemos mais de 350 horas de trabalho, fora o tempo de pré-produção e de edição, que também são essenciais. No stop motion é tudo programado, por isso precisamos saber como aquela figura vai se comportar para poder gerar uma animação com o resultado pretendido. É uma técnica muito minuciosa”, completa.
O curta foi realizado pela Bicicletaria Filmes, produtora de vídeos dirigida por Tiago e Mariana, em parceria com a Marshmelo Filmes. Ele não foi pensado só para crianças, mas sim para todos os públicos.
“A ideia é levantar um questionamento, é que se reflita de alguma forma sobre isso que está acontecendo todos os anos no Pantanal. As queimadas acontecem quase sempre por ação humana e no período de inverno, período de seca no Pantanal. Existe um movimento cíclico no bioma, a próxima estação traz a chuva e a renovação de uma parte do que foi perdido. Mas até quando?”, questiona Mariana.
Além da exibição do curta-metragem, o projeto vai lançar nas redes sociais do filme três vídeos curtos com tutoriais de origami de animais do Pantanal, realizados pelo origamista Elder Alves, e uma cartilha virtual com instruções de dobraduras para todos que quiserem realizar em casa.
Será ainda ministrada uma aula on-line de origami exclusiva para os professores da Rede Estadual de Ensino, que serão informados pela Secretaria Estadual de Educação.
O projeto foi financiado com recursos da Lei Aldir Blanc (edital Morena Cultura e Cidadania), por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) e da Prefeitura Municipal de Campo Grande.
Serviço
A pré-estreia do curta-metragem “Cinzas no Pantanal” será realizada neste domingo, às 19 horas, pelo canal do YouTube do projeto.
O curta estará disponível também no outro fim de semana, nos dias 1º e 2 de maio, para exibição pelo mesmo endereço. Link do canal que você acessa clicando aqui.
Mais informações pelo Instagram: @cinzas_no_pantanal e Facebook: Cinzas no Pantanal.