O Teatro Imaginário Maracangalha apresenta “Miragens do Asfalto”, projeto de pesquisa etnográfica e montagem de cenas curtas, itinerantes e performativas com base em documentação histórica e na memória oral da comunidade de trabalhadores da antiga estrada de ferro Noroeste do Brasil até os moradores da região do Cascudo, no bairro São Francisco em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O espetáculo, que precisou ser adaptado para a linguagem audiovisual, estará em cartaz hoje, 23 de abril, às 20 horas, no canal do Youtube e Facebook do grupo Imaginário Maracangalha.
Segundo o diretor do Maracangalha, Fernando Cruz, a pesquisa sobre os trabalhadores levou seis anos para ser montada e, depois desse longo período, sai do papel para o universo virtual.
“A gente sabe que os trabalhadores da Ferrovia construíram direta e indiretamente a cidade e sabemos também da importância que foi, em questão de potência econômica, a Ferrovia Noroeste do Brasil, por isso poder da voz a memória dessas pessoas que transformaram a cidade é o grande chamariz desse projeto”, pontuou o diretor.
Por conta da pandemia da Covid-19, o espetáculo que seria presencial foi transformado para o audiovisual. A cenas curtas e performáticas fazem parte do processo de pesquisa para construção de um espetáculo de rua a ser criado futuramente. O vídeo-arte documental apresenta as narrativas cotidianas de vida dos trabalhadores ferroviários da década de 70 até os dias atuais, abrangendo as relações de trabalho e a transformação de seu território diante a privatização, especulação imobiliária e desmonte do patrimônio material e imaterial daquela região.
Somando forças
O Teatro Imaginário Maracangalha sentiu a necessidade, diante da pandemia do novo coronavírus, de trabalhar a arte contemporânea de forma mais colaborativa, ou seja, contar a história da cidade usando tecnologia e experimentando outras linguagens e evoluindo para poder fazer uma arte transformadora.
Nesse processo de criação colaborativa o grupo parte para pesquisa do Vídeo Mapping como arte e intervenção urbana com a parceria do grupo Algo+Ritmo, grupo de pesquisa em processos digitais de projeto e intervenções urbanas, vinculado ao curso de arquitetura e urbanismo da UFMS.
O grupo de pesquisa Algo+Ritmo é coordenado pelos professores Gilfranco Alves, Juliana Trujillo e Mayara Dias e se dedica à pesquisa sobre o tema dos processos de projeto e intervenções urbanas em Arquitetura e Urbanismo a partir do uso da mediação digital.
Fernando ressalta ainda que, além dar visibilidade à memória dos trabalhadores da ferrovia que tem grande importância na construção da cidade, o projeto contribui para fomentar o teatro de rua como modo de preservação e valorização do patrimônio histórico nacional unindo arte e tecnologia ampliando a reflexão sobre a cidade em que vivemos e queremos.
“E graças à política pública a gente ainda pode fazer uma arte critica e criativa para abordar isso, trazendo uma reflexão para criar esperanças, entendendo como foi o passado, como é o presente e imaginando como podemos transformar o futuro. Esse trabalho é muito importante porque damos um salto, usando tecnologia, imagens projetadas, maior alcance maior impacto, para poder provocar reflexão em quem for assistir”, aponta Cruz.
A pesquisa etnográfica realizada pelos atores do Teatro Imaginário Maracangalha está integrada às fontes históricas da AFAPEDI (Associação dos Ferroviários Aposentados, Pensionistas, Demitido e Idosos) e IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O projeto tem incentivo da Lei Aldir Blanc do Governo Federal e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Prefeitura de Campo Grande.