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BAGAGEM DO RISO

Circo do Mato lança documentário sobre a trajetória de dois anos do espetáculo "A bagagem do riso"

"A Bagagem do Riso", produção audiovisual lançada pela companhia, resgata a trajetória do espetáculo mais antigo do grupo e que permanece em atividade:

“O humor mudou muito”, acredita o ator Mauro Guimarães. Há 18 anos integrando o Circo do Mato, grupo de teatro de Campo Grande, ele traz na bagagem muita história para contar.

Algumas retratadas agora em “A Bagagem do Riso”, produção audiovisual lançada pela companhia, que resgata a trajetória do espetáculo mais antigo do grupo e que permanece em atividade: “O Grandioso Mini Cirquinho”.

O espetáculo, na verdade, nasceu antes mesmo da criação jurídica do grupo. Foi lançado em 2003, enquanto o Circo do Mato surgiria oficialmente no ano seguinte, 2004. 

Pioneiro, Mauro está desde o início no elenco e na trajetória da companhia. “Desde quando nós construímos o espetáculo. Também passei pelas mudanças, sendo a primeira no formato, quando surgiu o ‘Palhaço no ½ da Rua’, e depois voltando para o que é hoje, o ‘Cirquinho’. Nesse período, foram 18 anos”, conta.  

Mauro diz que o espetáculo surgiu em 2003, como “O Grandioso Mini Cirquinho”, um espetáculo de variedades. Em 2006, o trabalho decidiu seguir um caminho mais próximo da palhaçaria, tornando-se “O Palhaço no ½ da Rua”. 

Enfim, em uma releitura durante o ano de 2019, reassume o nome de “O Grandioso Mini Cirquinho” e volta a ser um espetáculo de variedades.

“De 2003, quando criamos o espetáculo, até hoje, 2021, participei de mais de 300 apresentações com este espetáculo, e posso dizer que sou o único que participei de todas elas, passei 80% do tempo que atuo na cena artística neste trabalho."

"Vivi as três fases ou alterações no formato do mesmo, no início um espetáculo de variedades criado por jovens artistas que tinham muita vontade de fazer, faltava técnica e conhecimento específico, mas a vontade e a gana em fazer compensava a falta de conhecimento, fomos aprendendo com o fazer e com o passar do tempo adquirimos maturidade e passamos o foco do espetáculo para palhaçaria”, conta Mauro.

De acordo com o ator, um dos diferenciais do Circo do Mato é a busca por um repertório. 

“A gente sempre tentou trabalhar a questão do repertório. Eu sempre falei em reuniões de trabalho que, por exemplo, Campo Grande tem cerca de 900 mil habitantes, se nós pegarmos 5% desse público e colocarmos como expectativa para assistir a esse espetáculo, é muita gente. E é quase impossível a gente chegar nesse público, então eu não vejo o porquê de a gente estar sempre montando, o tempo todo querendo criar um trabalho novo, e aquele trabalho foi visto por pouquíssimas pessoas”, acredita.

Mauro frisa que o espetáculo abriu diversas portas e possibilitou que o grupo conhecesse não só o Brasil, como a América do Sul. 

“O conhecimento que a gente tem lá fora é graças a esse espetáculo. Eu costumo falar que o Circo nos levou a muitos lugares”, frisa. 

“Nas mais de 300 apresentações deste espetáculo, percorremos quase todas as cidades e distritos de Mato Grosso do Sul, em diversas delas chegamos a voltar 2 ou 3 vezes, em Campo Grande fizemos dezenas de apresentações nos mais distintos e diversos lugares, quebramos as fronteiras com os demais países da América do Sul e chegamos ao Paraguai, à Bolívia, ao Peru, à Argentina, à Colômbia e ao Equador. Sendo assim, são 18 anos reunindo muitas diferentes histórias e experiências que valem a pena serem compartilhadas”, afirma.

Nesse tempo, muita coisa mudou e foi reavaliada, porque, segundo Mauro, o público e o humor mudaram. 

“Nesses 18 anos que estamos em cartaz, o público mudou muito e o humor mudou muito. A nossa referência vem dos Trapalhões, do circo tradicional, a nossa experiência é o que eu assistia na infância, quando a gente começou lá atrás, eu, Marcelo Silva e Aline Duenha, a nossa referência era essa e o tipo de humor que era trabalhado naquela época, mais próximo do humor dos anos 80 e 90. Era um formato de humor hoje agressivo e que não é bem-visto", relatou.

"E isso foi mudando com o tempo. Até mesmo dentro da própria Pantalhaços, que é uma mostra de palhaço da qual profissionais de várias partes do mundo participam, tem mesas para discutir isso. No começo tinha aquele humor que você colocava o espectador de ridículo, para que alguém possa rir, isso era muito comum, o tempo todo era feito isso", frisou.

"Hoje em dia não cabe eu expor outra pessoa ao ridículo. Eu posso me expor, por exemplo, eu tenho uma canela e um joelho imenso e vou expor meu joelho para que outra pessoa possa rir, mas para fazer isso eu preciso estar bem comigo mesmo”, completou.

Documentário

O documentário foi resultado de uma força-tarefa que envolveu a todos, a concepção foi do grupo, com direção e edição de Douglas Caetano, que atua no espetáculo desde a saída de Aline, em 2014. 

A produção foi possível em virtude do investimento da Lei Federal de Emergência Cultural Aldir Blanc, nº 14.017/2020, com uma realização do governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

“Acho legal dizer que esse não é um documentário sobre pessoas e suas histórias específicas, mas, sim, sobre o quão a arte é potente não só para o espectador, mas também para quem a produz. A história contada aqui é sobre o movimento que acontece dentro do artista para produzir e viver sua Arte, e como isso é maior do que ele mesmo".

"'A Bagagem do Riso’ tenta mostrar o quanto o propósito de fazer arte é fundamental para o artista, mostrando como ele coleta por onde passa risadas, afetos, experiências e histórias, criando uma bagagem que preenche e se torna o próprio artista”, explica o diretor do documentário.  

Serviço

O documentário está disponível no canal do YouTube do grupo Circo do Mato.

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