O setor cultural foi um dos mais atingidos pela pandemia do coronavírus. Impossibilitados de realizar eventos culturais, como shows e apresentações teatrais, os artistas dependeram de auxílios emergenciais, como a Lei Aldir Blanc, para sobreviver.
Com base nessa situação, o governo do Estado lançou na manhã de ontem um megapacote de R$ 763 milhões, que beneficia, entre outras áreas, a cultura e o turismo, além de bares e restaurantes.
Em específico para os artistas, foi divulgada a criação de auxílio emergencial no valor de R$ 1.800, benefício que será entregue para os trabalhadores da cultura em três parcelas de R$ 600 cada.
Receberá essa ajuda quem atuou no segmento 12 meses antes do início da situação de emergência da pandemia e tem cadastro na Fundação de Cultura.
O pacote ainda contempla investimentos como R$ 21 milhões do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), R$ 24 milhões em novos editais, como o auxílio emergencial, R$ 15 milhões em festivais novos e tradicionais e R$ 18,65 milhões em obras de reformas do patrimônio cultural (confira o infográfico ao lado).
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Para o diretor de teatro e fundador do bloco de Carnaval Capivara Blasé, Vitor Samudio, o auxílio beneficia a classe e também a economia.
“Ano passado, antes da Lei Aldir Blanc, o governo do Estado já tinha disponibilizado um auxílio específico para a cultura, igual a esse. Agora ele vai disponibilizar novamente esse auxílio específico para a categoria", explica Samudio.
"Além da retomada de alguns editais e festivais, justamente para que o setor possa se manter minimamente produzindo e para que as pessoas consigam gerar renda para elas e para as suas famílias e, consequentemente, para ajudar a aquecer a economia de uma forma geral”, pontua, citando os editais emergenciais Projeto MS Cultura Presente I e II, lançados no início do ano passado.
Samudio explica ainda que o setor foi drasticamente atingido pela crise do coronavírus.
“Essas ações são importantes porque o setor da cultura foi drasticamente afetado, afinal a essência da cultura, na maioria das atividades, são as pessoas, é a aglomeração, justamente o que não se pode fazer agora."
"Não sabemos quando vai retomar essa normalidade e quando o setor vai produzir normalmente, então eu acredito que essas medidas são importantes para amenizar essas condições que especificamente todos os trabalhadores da cultura, seja artista, técnico ou prestador de serviço, estão enfrentando diante dessa nossa realidade”, acredita.
A produtora Laila Pulchério concorda e reforça a necessidade do setor.
“A classe precisa muito, porque a primeira Lei Aldir Blanc demorou oito meses para sair e a gente já estava agonizando na época, porque não tinha para onde correr. Apagou o fogo, mas para manter, no nosso caso, a nossa sede já não tem da onde mais”, ressalta.
Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, a Lei Aldir Blanc destinou ao governo e aos municípios de Mato Grosso do Sul o valor de R$ 40.784.545,71.
Grande parte do investimento foi destinada a auxílios emergenciais para artistas e a cachês em troca de apresentações virtuais.
Laila, que atua no Circo do Mato, frisa a importância de manter editais como o FIC em andamento e da reforma dos teatros, uma solicitação antiga da classe artística. “A reforma dos teatros demorou.
A classe em geral precisa ter condições, [precisa de] um espaço para se apresentar”, ressalta.
Entre as reformas anunciadas no pacote está a do Centro Cultural José Octávio Guizzo, que comporta o Teatro Aracy Balabanian.
O local, que fica na Rua 26 de Agosto nº 453, sempre foi um dos principais espaços culturais da cidade, mas está fechado para revitalização desde 2016.
Em outubro de 2020, o governo do Estado chegou a divulgar a contratação da empresa Ilume Arquitetura Eirelli – EPP para a elaboração do projeto de reforma do espaço.
Segundo o pacote de investimentos, a revitalização custará R$ 5,5 milhões.
Para o diretor de teatro Marcelo Leite, o investimento no setor é essencial. “Quando o Aracy Balabanian fechou, nós ficamos sem alternativa nenhuma, porque o Sesc Horto também logo fechou para reforma.
A única alternativa eram os espaços dos grupos de teatro da cidade, como Grupo Casa, Circo do Mato e Teatro Grupo de Risco.
Se vem a reforma do Aracy facilita muito a vida de todos os grupos e também da cidade em geral, que vai ter o seu teatro aberto para a cultura poder circular ali”, detalha.