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Os caminhos de Rodrigo Pandolfo...

Com família em Campo Grande, o ator, que sempre está de passagem pela capital sul-mato-grossense

Denis Felipe

Denis Felipe

02/07/2021 - 05h00

Por Márcio Gomes

“Quando vou a Campo Grande não deixo de comer pastel no Mercadão Municipal”

Triste com a pandemia que já matou mais de 510 mil vidas no país, aos 36 anos, Rodrigo Pandolfo afirma que o momento é de reflexão, de se repensar as escolhas e abrir novos horizontes. Encarando este período como um momento de evolução, autoconhecimento e resiliência, diz que passou a entender que tudo na vida tem os dois lados. “E nós é que escolhemos qual vamos nos agarrar”, pontua. 

Com família em Campo Grande, o ator, que sempre está de passagem pela capital sul-mato-grossense, garante que numa ida à Cidade Morena programas como um passeio no Parque das Nações Indígenas e um pastel no Mercadão Municipal são imperdíveis. 

Reconhecido pelos trabalhos realizados na TV, no teatro e no cinema, em especial nos três filmes de “Minha Mãe é Uma Peça”, Rodrigo conta que até hoje as pessoas o param nas ruas para comentar sobre o trabalho com o personagem Juliano. 

“Ele me deu a oportunidade de levantar uma questão urgente e necessária: o preconceito, a tolerância e a plena aceitação de um personagem gay, que ao longo da obra teve um casamento que naturaliza, absolutamente, essa união, sem questionamentos”, explica.

Cheio de projetos para 2021, o ator está gravando a novela “Verdades Secretas 2”, com previsão de estreia na GloboPlay ainda este ano, e segue na administração do bar "Pandoka", na praia de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte. Maravilha, não?

Você participou das três edições do filme "Minha Mãe é Uma Peça". Qual a importância que o personagem Juliano teve na sua carreira?

"Minha Mãe é uma Peça" foi aquela obra inesquecível, tanto para quem fez, quanto para quem assistiu. Interpretar o Juliano me deu a oportunidade de levantar uma questão urgente e necessária: o preconceito, a tolerância e a plena aceitação de um personagem gay, que ao longo da obra teve um casamento que naturaliza, absolutamente, essa união, sem questionamentos. 

Ter a oportunidade de ser veículo de educação, de lucidez, de afeto, de amor e, dessa forma, tocar o coração de tanta gente, isso é o que traz real sentido ao nosso ofício. 

E, claro, proporcionou-me a experiência impagável de trabalhar com o nosso querido e genial Paulo Gustavo e com uma equipe muito talentosa.

 

Até hoje as pessoas ainda lhe param nas ruas para comentar sobre o personagem e o filme?

Sim, muito! E acho que isso será para sempre. A nossa história ficou no imaginário de todos; tenho a sensação de que, mesmo quando estiver velhinho, o público vai me parar para falar do Juliano, da Dona Hermínia e da Marcelina.

Em "Minha Mãe É Uma Peça 3" acontece o casamento entre Juliano e Thiago. Acredita que a sociedade possa mudar em relação à homofobia ao ver essa a relação ser retratada de forma natural?

Acredito com muita força. Tive inúmeras provas do quão esse casamento mobilizou famílias inteiras, jovens gays que não conseguiam se assumir e, após o filme, tiveram essa coragem. 

Mães e pais que não aceitavam a orientação sexual dos filhos, após assistirem a cena do casamento, compreenderam a importância de aceitar, acolher e dar amor. 

Somente assim seus filhos encontrarão a felicidade e a realização pessoal. E ninguém pode tirar de outra pessoa o direito dela de ser livre e feliz. Isso sim não é correto.

Por falar em "Minha Mãe É uma Peça", Paulo Gustavo faleceu vítima da Covid-19. Como foi receber a notícia?

Foi avassalador. Sabíamos que a sua saúde estava muito frágil, mas a esperança se mantinha viva. 

Quando a notícia chegou eu entrei numa espécie de vácuo e ali fiquei por uns 15 dias. Foi difícil, intenso, triste demais, inacreditável. 

Perder o Paulo me trouxe um nova perspectiva de ver a vida, desamarrou-me de antigas crenças, injetou-me forças para lutar com mais bravura pelas causas que ele lutou e, dessa maneira, seguir o seu legado. 

O que representa a perda de Paulo Gustavo para a arte?

O Paulo revolucionou a comédia brasileira. Então, sem dúvida, a sua partida é uma perda imensa para a nossa arte. 

Ela representa a impermanência da vida e da arte, a fragilidade do ser humano e do artista, a mutação e a renovação de tudo e a todo instante.

Você já se vacinou contra a Covi-19? Se ainda não, isso é algo que o procura?

Eu ainda não me vacinei e estou contando os dias... Claro que me preocupa demais, afinal, trata-se de um vírus muito sério e letal. 

Perdemos mais de 500 mil vidas, os cientistas estão há mais de um ano desenvolvendo vacinas, aprimorando os estudos e tentando minimizar tantas perdas... 

Não existe a possibilidade disso não nos afetar. Sem a vacina comprometemos não só à nossa vida, mas a dos outros. 

É de suma responsabilidade que todos nos vacinemos o mais rápido possível.

Passar por esse período da pandemia trouxe uma nova forma de enxergar a vida?

Sem dúvida, a mudança foi radical. Estamos tendo a oportunidade de repensar o caminho, de colocar as escolhas na balança e de mudar a nossa vida para melhor. 

Fomos obrigados a parar e a nos reconectar. Então é preciso estar atento, livrar-se do passado, do que nos limita e nos amarra e, finalmente, abrir novos horizontes. 

O que mudou no Rodrigo Pandolfo nesses últimos meses?

Para mim está sendo um momento de evolução, autoconhecimento, resiliência e conexão com o divino. 

Entendi que tudo tem os dois lados e que nós é que escolhemos qual vamos nos agarrar. 

Passei grande parte da pandemia no Nordeste, conectando-me com a minha família, com a natureza e descobrindo novos meios de caminhar. 

Abri um quiosque na praia em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, junto com a minha mãe e meu irmão. 

E nossa vida mudou completamente, foi uma aventura linda, corajosa e muito valiosa. 

Aprendi a meditar, a não me estressar tanto e a trocar a palavra "trabalho" por "diversão". Está dando certo!

Você nasceu em Três de Maio, no Rio Grande do Sul, morou no Mato Grosso  e se mudou para o Rio de Janeiro, onde estudou no Tablado e na CAL. Essas vivências foram importantes para a sua formação?

Sem dúvida. Foram vivências radicalmente diferentes. 

O Brasil é imenso e o nosso povo tem costume muito distinto, então, esse modo "nômade" de viver a vida só me trouxe experiências positivas e maturidade, como ser humano e artista.

Ainda guarda boas lembranças da infância, na cidade de Três de Maio? 

Fui embora do Sul muito criança, com três anos. 

Meu contato hoje é, basicamente, com a minha família. 

Já no Mato Grosso, onde vivi até os 15 anos, fiz algumas amizades que levo para a vida.

Quando pensa no que deixou para correr atrás do sonho de ser ator, como vê a sua trajetória?

Tenho orgulho da minha trajetória. Encaro todas as experiências (mesmo aquelas dolorosas) como positivas. 

Vim para o Rio jovem, tudo poderia acontecer, mas a minha fé, coragem e obstinação foram abrindo espaço e fui me encontrando, cada vez mais. 

O que eu deixei no passado foi para ter ficado lá. 

Não carrego culpa e nem arrependimentos. 

A minha vida só melhorou, então, não posso duvidar do caminho.

Mudaria alguma coisa nessa caminhada?

Não. Diante do que a vida me apresentou, acredito que fui escolhendo o melhor possível, de acordo com a maturidade que tive a cada momento.

A profissão de ator requer estudo, talento e muita dedicação. E, ao mesmo tempo, é concorrida. Por conta dos obstáculos, pensou em desistir?

Sim, pensei em desistir algumas vezes, mas a vida sempre tratou de me dar um "tapa de pelica" e reafirmar que o meu caminho era esse. É incrível.

Após vários trabalhos realizados na TV, você ganhou notoriedade na novela "Cheias de Charme". Guarda boas lembranças do folhetim?

"Cheias de Charme" foi minha primeira novela e uma experiência maravilhosa. 

Tive a sorte de cair nas mãos de uma equipe que me acolheu com muito carinho. 

Foi tudo uma delícia... O elenco era superamigo, a direção e os autores eram incríveis, a novela foi um sucesso, foi o trabalho dos sonhos. 

Já esteve na cidade de Campo Grande? Se sim, que programas destacaria como imperdíveis numa ida à Cidade Morena?

Sim! A minha prima Tati Bender e a minha superamiga Carol Dória moram em Campo Grande. 

Quando vou para a cidade não deixo de passar no Parque das Nações Indígenas (adoro correr em volta da lagoa, no fim de tarde) e amo comer pastel no Mercadão Municipal!

Quais são os seus projetos para este ano?

Estou gravando "Verdades Secretas 2", que deve estrear na GloboPlay ainda este ano. 

E sigo, junto com a minha mãe, na administração da "Pandoka", nosso bar na praia de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte.

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