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Curiosidades, diferenças e possibilidades infinitas...

Apesar de mulheres diferentes na ficção, Daniela adora o desafio de mudar tanto e ter papéis tão distintos, para ela é sempre uma grande diversão

Denis Felipe

Denis Felipe

09/07/2021 - 05h00

Por Flávia Viana

Daniela Escobar é gaúcha, e aos 16 anos decidiu cursar comunicação social na PUCRS. 

Aos 19 escolheu o Rio de Janeiro como sua casa e acabou trocando a comunicação pela atuação. E fez muito bem!

Há alguns anos Daniela se mudou para Los Angeles na Califórnia

“Eu queria aprender inglês fluente”, explica.  

Ela é mãe de André Escobar, que também vive com ela em LA. Ele é fruto de seu casamento com o diretor Jayme Monjardim de quem se separou em 2003. 

A atriz viveu recentemente Natália em Flor do Caribe, e atualmente é Suzana, sua personagem na novela A Vida da Gente ambas na TV Globo, e que tiveram recorde de audiência em seus horários exibidos. 

Apesar de mulheres diferentes na ficção, Daniela adora o desafio de mudar tanto e ter papéis tão distintos, para ela é sempre uma grande diversão e um aprendizado. Na verdade, realizações de sua profissão.

Entre suas inúmeras atuações no cinema, no teatro e na TV, uma das mais marcantes foi da personagem Maysa na novela O Clone, onde atuou com o ator Murilo Benício. “Apesar de ter se passado 20 anos, o trabalho ainda emociona as pessoas e passa repetidamente na Rússia”, relembra.

Com mais de 51 anos, Daniela também fala de cuidados, saúde e bem-estar, além de como gosta e se sente segura morando em LA. 

A atriz também fala de pandemia e de descobertas...

Confira a entrevista exclusiva da atriz Daniela Escobar para o B+ direto da Califórnia...

O que te motivou a sair do Brasil?

Eu queria aprender inglês fluente. Queria realmente falar, ler e escrever bem nesse idioma. O objetivo inicial era fazer cursos. 

Porque ficou e não voltou? 

A segurança pública me conquistou. 

No início fui percebendo a limpeza das ruas, o respeito às leis e as regras, a tranquilidade de andar na rua sem medo, o poder dirigir de vidros abertos, o fato de não precisar trancar a casa a sete chaves e grades, e assim eu fui me encantando com a cultura das pessoas, com as livrarias, a civilidade, os preços, e depois veio a consciência social, espiritual, os valores, a comida orgânica, o respeito ao próximo.

 

O que sente falta do Brasil morando em Los Angeles?

Sinto falta da Ina (minha empresária), da minha família e dos meus amigos. 

Me fala a principal diferença de LA e Brasil?

Eu não tenho medo de caminhar nas ruas aqui, de dirigir nas estradas, de dormir na praia com a bolsa ao lado, enfim, me sinto segura aqui!

Eu tinha muito medo disso tudo aí no Brasil.  De novo entra a confiança na segurança pública.  

Vem sempre para cá?

Pelo menos uma vez por ano.

Só vou mais vezes se tiver um bom trabalho.

 

Você esteve na reprise de Flor do Caribe e agora de outro sucesso da TV Globo, A Vida da Gente abordando temas tão distintos, como foi pra você viver tais personagens?

A Natalia de Flor do Caribe foi diversão pura.  

A Vida da Gente foi bonita e trouxe muitas lições.

Quanto mais diferentes as personagens, mais eu me divirto fazendo.  

Viver outras vidas foi o que me levou a abraçar a carreira de atriz.  

Vivendo outras vidas entendo mais a minha própria e a dos que me cercam. Aprendizado e diversão diários.

 

Na reprise atual você é mãe adotiva, como foi para você e o que acha do tema?

Foi polêmico. Na época da novela eu disse em entrevista que se eu fosse mãe adotiva eu nunca diria para a minha filha ou filho que o tinha adotado, para que ele ou ela nunca se sentisse rejeitado e tivesse a necessidade de ir atrás da mãe biológica para entender o porquê  ela não o quis. 

O que sempre gera dor. Já que eu escolhi adotar, daria a essa pessoa a chance de ser amado como filho biológico. E isso causou muita polemica na época.  

O que você aprendeu com a sua personagem?

Que uma pessoa quando é adotada, vai sempre querer ir atrás para descobrir sua origem, quem foram seus pais biológicos. Vai querer saber o porquê eles não o quiseram ou puderam ficar com ela. E essa curiosidade é pertinente e natural do ser humano. E que inevitavelmente essa busca vai causa alguma dor.  

Tem que ter muito amor e maturidade para encarar esse assunto com o devido respeito.

Uma cena que marcou muito você na novela?

Quando a filha diz que a mãe de verdade é ela (eu), e que só precisava saber os porquês da sua mãe biológica. Achei forte e bonito!

Uma que gostaria de rever?

A reconciliação do casal no final da novela. Madura e bonita.  

Dani, não podemos deixar de falar da novela O CLONE. Sua personagem além de inesquecível foi referência para muitas mães e mulheres conta um pouco pra gente.

A repercussão de “O Clone” dura até hoje. 

É incrível o alcance que esse trabalho teve. O quanto é bom e ainda emociona as pessoas. Há 20 anos passa sem parar na Rússia, e tenho um público de lá que me escreve sempre...

Fazer a personagem foi duplamente catártico, por motivos diferentes dos da personagem claro, e eu resolvi situações pessoais analisando o sofrimento daquela mulher.  

A preparação foi toda em cima do texto, que era maravilhoso.  

Dani você tem feito trabalhos fora do Brasil?

Não como atriz. Aqui tenho trabalhado como Health Coach. 

Ajudando mulheres de todas as idades a mudar hábitos não tão saudáveis por hábitos que tem transformado a consciência e a saúde delas. 

Trabalho muito gratificante, mas bem diferente de atuar, que eu sinto falta.

Por aqui apenas contrato por obra?

Sim. 

 

Vivemos tempos jamais imaginados, como está passando por esse momento?

Apesar de estar sendo desafiante e difícil para muita gente, tem sido um momento tranquilo e positivo para mim. 

Aqui tudo já voltou a funcionar como antes, mas no ano passado quando a cidade parou completamente, eu senti uma paz muito grande. 

Foi como se o mundo tivesse parado e me dado “permissão” para desacelerar também. Enquanto muitos reclamavam de engordar por estarem trancados em casa, eu cuidei mais da minha alimentação e aprendi a cozinhar de forma muito mais saudável.  

Aproveitei as ruas vazias e voltei a fazer caminhadas diárias, além da yoga que já faço todos os dias, e que me fortaleceu fisicamente.  

Comecei novos cursos, concluí o que estava em andamento. Li mais, assisti todas a séries, documentários e filmes disponíveis no Netflix, Hulu e Amazon prime. 

Voltei a escrever todos dias (um hábito antigo que estava mais espaçado…)

Eu curti minha casa, reorganizei e limpei armários, vi que não precisava de tantas coisas e doei metade das minhas roupas e dos objetos de decoração.  

Curti olhar as fotos antigas nos álbuns também.

Passei a conversar mais no telefone e menos por e-mail e mensagens de texto ou social media.  

Acalmei meu espirito, cuidei do meu corpo, do meu cabelo, da minha pele, do meu sono, do meu estômago...

Foi um ano de muita reflexão sobre o que é o essencial nessa vida.  

Ter uma imunidade boa foi a primeira conclusão da lista.

Foi um ano muito positivo para mim. E esse está sendo também.

Falando da Daniela...

O mundo está voltado para as mulheres e vi muitas declarações suas falando sobre boa autoestima e se não estiver bem acompanhada não tem porque estar. Gostaria que falasse um pouco com as mulheres…

Acredito que autoestima é a chave para a felicidade. Que qualquer pessoa deve aprender a se amar primeiro. 

Se amar, se conhecer, saber o porquê dos seus gostos e dos seus desgostos. 

As mulheres, pelo instinto maternal natural, tendem a se esquecer disso e a se colocarem em segundo lugar, tanto em casa quanto no trabalho, nas relações pessoais. 

Nos amando e nos conhecendo bem primeiro, fica mais fácil entendermos o que de fato nos faz feliz, o que é bom para nós e o que é toxico, e assim escolher quais caminhos seguir. 

Daniela você se sente na sua melhor idade? Acha sua melhor?

Na realidade é que não existe outra opção. O que existe de fato é o agora, o presente, essa idade neste momento. Então tem que ser a melhor, se não entendermos isso vamos viver no passado e infelizes.  

Toda idade tem seus encantos, desafios e lições. Mas não existe outra idade, só na nossa cabeça, na nossa imaginação, nas nossas lembranças…

Minha cabeça e minha saúde física estão melhores agora. Mas também tenho rugas no rosto todo e preciso de óculos para ler de perto, o que não acho graça alguma mas é parte da vida.  

E acredito que acontece assim para aprendermos a nos desapegar da matéria, a começar pelo nosso próprio corpo.  

Lembrarmos que estamos aqui nesse planeta de passagem, para vivermos essa experiência que passa por essas fases emocionais e físicas de acordo com as idades. Acredito que a “grande viagem” é exatamente essa, embarcarmos e abraçarmos as mudanças que acontecem naturalmente em cada fase da vida e nos prepararmos para a partida quando chegar a nossa hora. Sem olhar para trás, sem apegos.

 

Dani divide com a gente seus cuidados de beleza e alimentação?

Começo meu dia tomando um suco de aipo puro (feito na centrifuga) de estomago vazio, Isso é como remédio pra limpar o fígado, o intestino e a pele. 

Alterno com água com limão. Se for inverno água quente com limão e se for verão água em temperatura ambiente. 

Dali 30 minutos SE tiver fome, como. Se não tiver espero ter fome de verdade para almoçar.

Minha alimentação é toda fresca e natural. Legumes, verduras, grãos e frutas.  

Tudo feito no dia é o grande segredo para que os nutrientes necessários estejam ainda nos alimentos ingeridos e cumpram sua função no nosso organismo.  

Como tão linda com pouco mais de 50? Segredos?

O segredo é o que eu aprendi a chamar de os 4 pilares da saúde: Alimentação, sono, movimento e silêncio.

Alimentação:

O maior segredo de todos é o eu NAO como mais. Tirar é melhor do que acrescentar.  

No meu caso isso vale para suplementos e vitaminas que vem em vidrinhos ou pós e para todos os produtos de origem animal.  

Aprendi a só comer quando estiver realmente com fome. E só como comida de verdade, fresca, feita no dia, aassim o meu corpo absorve melhor os nutrientes que precisa e gera menos toxina.  

O que eu passo na pele também tem de ser livre de químicos. Só uso produtos naturais para hidratar, escovar dentes e lavar o corpo e cabelos. Sem testes em animais e sim em humanos. Porque vou aplicar em mim e não nos meus bichos.

Sono:

Dormir no mínimo 7 horas por noite. Sem eletrônicos por perto.  

Movimento:

Fazer exercícios diários. Qualquer que seja, mas tem te fazer suar e sentir prazer fazendo, esse é o critério. Vale qualquer coisa, dançar, caminhar, pilates, academia, pular corda, qualquer coisa que te faça suar e sorrir enquanto faz…

Eu faço yoga todos os dias e caminhadas ou pelas ruas mesmo ou escalando algum morros, os dois me dão prazer e me fazem suar.

Silêncio:

Muitos chamam de meditação, eu chamo de prestar atenção ao que estou sentindo, de observar o que estou sentindo e principalmente ao que estou reagindo e os porquês.

Essa é a chave para nos conhecermos e entendermos porque estamos comendo o brigadeiro ou sorvete ao invés do arroz com feijão e legumes ou uma fruta, do porquê estamos fritando na cama ao invés de dormir uma noite tranquila e acordar com disposição no dia seguinte.

 

O que mais gosta de fazer nas horas vagas?

Ler, assistir um bom filme agarrada com meus gatos, (os de 4 e o de duas patas), me esparramar na areia da praia, bater papo com as amigas e família, fazer tricô, assistir o 0800 do VIDA VEDA, assistir as entrevistas do Matheus Macedo no Youtube com profissionais de saúde integrativa. 

Um sentimento agora Dani...

Curiosidade... Pela vida, pelas diferenças, pelo desconhecido, pelas possibilidades infinitas, pelo futuro… Pelo o que eu ainda não sei, pelo o que eu ainda não aprendi. Pelas culturas que ainda não conheci. Pela diversidade...

A curiosidade me faz seguir em frente e querer sempre estudar mais, aprender mais, entender mais...

 

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